quarta-feira, 9 de setembro de 2009

PANORÂMA HISTÓRICO DO PENSAMENTO FILOSÓFICO

INTRODUÇÃO

A filosofia oriental teve seus maiores representantes em Confúcio (551-479 a.C.), fundador da doutrina que leva seu nome, e Lao-tsé (604-5231), fundador do Taoísmo. Embora ambas tenham-se desenvolvido em um sistema religioso bastante complexo, foram, a princípio, apenas filosofias. Podemos ainda incluir nessa categoria Sidarta Gautama, o Buda, nascido no Nepal, região ao Norte da Índia. Seus seguidores transformaram sua filosofia em uma religião.

A filosofia ocidental teve seu berço na Grécia e em suas colônias espalhadas pela costa do Mar Mediterrâneo. Teve em Sócrates seu apogeu em seu discípulo Platão seu maior desenvolvimento. Tal foi a influencia de Sócrates nesse aspecto que os filósofos que o antecederam foram classificados de pré-socráticos. Seu principal discípulo e divulgador de seu pensamento, Platão, também adquiriu semelhante prestígio. François Chatelet, por exemplo, disse que todos somos discípulos de Platão, e o filósofo inglês Alfred N. Whitehead afirma que a história da filosofia Ocidental não passa de uma sucessão de notas de rodapé das obras de Platão. Exagero ou não, isso basta para mostrar sua influência.

A grande distinção e a seguinte: enquanto a filosofia Ocidental foi mãe da ciência empírica, a Oriental deu origem às grandes religiões (Hinduísmo, Budismo, Taoísmo, Confucionismo) que posteriormente serviram de base para outras religiões (grandes e pequenas). O pensamento grego preocupou-se, logo de início, em divorcia-se do mito, ao contrário do pensamento Oriental, que se associou estreitamente ao mito. Daí os resultados tão distintos. Mas isso não significa que a filosofia grega não tenha produzido movimentos religiosos. Os pitagóricos, que formaram uma seita derivada do filósofo Pitágoras, e o neoplatonismo, de Plotino, se aproximavam mais de uma religião do que de uma filosofia. Da mesma forma, o confucionismo influenciou largamente a política chinesa, a ponto de os próprios comunistas, posteriormente, o terem fomentado, pois destacava a ordem social. Ambas seguiram seus caminhos, influenciando profundamente as civilizações dentro de seus perímetros.

FILOSOFIA ORIENTAL

CONFUCIONISMO FILOSÓFICO

O confucionismo foi à primeira filosofia chinesa, que pode ser mais bem entendida dentro de seu contexto histórico.

Confúcio, também conhecido como K’ung Ch’iu (mestre Kong), nasceu em meados do século VI (551 a.C.), em Tsou, uma pequena cidade no Estado de Lu, hoje Shantung. Viveu numa época em que a China se encontrava dividida em Estados feudais que lutavam pela supremacia do poder. Tais guerras eram seguidas de execuções em massa. Os soldados recebiam pagamentos em troca da cabeça de seus inimigos. Populações inteiras foram disseminadas por conta da decapitação de mulheres, crianças e velhos. Esses números chegaram a 50, 100, 200 e até 400 mil.

A longa e complexa história política do povo envolveu desunião e diversidade, refletidos nas características sociais e culturais da dinastia Chou. A renascença social e moral advogada por Confúcio – que tinha o ardente desejo de alcançar um posto governamental – não teve aprovação universal, principalmente nos círculos de poder. Foi então que, aos trinta anos de idade, Confúcio deixou Lu e viajou para o Estado de Ch’i, em companhia do Duque Chao, que fugia, por ter perdido uma dura luta política.

Tendo em vista que o confucionismo trata primariamente de condutas morais e de ordem social, o seu início pode ser categorizado como um sistema ético e não como uma religião. Em sua visão de reforma, Confúcio advogava justiça para todos, cujo fundamento da vida seria um mundo ideal, no qual os princípios humanos, a cortesia, a piedade filial e as virtudes de benevolência, de retidão e de lealdade, além da integridade de caráter, deveriam prevalecer. Mas deve-se atentar às perspectivas do povo chinês na época de Confúcio e observar as influências que ele trouxe, as quais não se limitam a uma esfera ética.

Seus ensinos advogam que o homem é capaz de ser perfeito por ele próprio; ou seja, pelo seu esforço de seguir o caminho de seus antepassados. Confúcio aludia que a natureza humana é boa. E esse ensino foi desenvolvido, posteriormente, por seus discípulos, tornando-se uma crença cardeal do confucionismo.

TAOÍSMO FILOSÓFICO

O taoísmo nasceu da escola de filosofia chinesa centrada no conceito “o Caminho” (Tao). Enquanto filosofia (tao chia), sua origem é atribuída aos ensinamentos do sábio Erh Li, ou Lao-tsé, que teria vivido no século VI a.C.

O taoísmo religioso (tao ciao) surge na dinastia Han, no século II a.C., e assimila elementos religiosos anteriores e mais antigos da China. Seus conceitos – parte deles presente também no confucionismo – influenciam a vida chinesa até hoje. Na verdade seu criador teria elaborado seus escritos como uma crítica ao confucionismo, centrado no Estado e na vida social.

Perseguido no país desde 1949, o taoísmo ainda é praticado na China, sendo popular também na Tailândia e em Hong Kong. Lao-tsé critica e rejeita o sistema do confucionismo, pois não vê necessidade de uma aplicação política e social da religião. O taoísmo é mais voltado ao indivíduo.

Em verdade, o taoísmo religioso nasce do filosófico e suas duas obras principais são: o Tão Te King, de autoria atribuída a Lao-tsé, e o Tchung-Tseu, que leva o nome do autor a quem é atribuída. Os dois autores pregam a sabedoria do Tao, a única fonte do Universo, determinante de todas as coisas. Toda a vida é regida pelos elementos Yin (feminino) e Yang (masculino). E segundo o taoísmo, esses dois elementos são opostos e se complementam, transformam-se e estão em eterno movimento, equilibrados pelo Tao.

O taoísta aspira fundir-se ao Tao e tornar-se imortal, o que pode acontecer após a morte ou ainda em vida. Para isso, a pessoa precisa viver em harmonia e em equilíbrio com o próprio corpo e com a natureza. Deve desapegar-se do mundo material, meditar e livrar-se das preocupações cotidianas. Buscar a saúde espiritual implica também em buscar a saúde física e mental. Esses conceitos influenciam a vida chinesa atual e suas manifestações mais populares são o chi-kung (uso da autoterapia), as artes marciais wu-shu ou kung fu, a prática de exercícios do tai-chi-chuan e da meditação.

O que exatamente é o Tao é difícil saber. Nem mesmo Lao-tsé soube expressa-lo. Apesar de o taoísmo ignorar, o conceito de Deus. Lao-tsé escreveu: “antes do céu e da terra existirem, havia algo nebuloso [...] Eu não sei o seu nome, e eu o chamo de Tao”.
Esses sistemas filosóficos se transformaram em sistemas religiosos porque seus fundadores tinham toda uma cultura religiosa popular e seus seguidores fundiram suas crenças com essas filosofias.

FILOSOFIA DO HINDUÍSMO E BUDISMO

Os pensadores hindus também buscaram uma explicação para o mundo que os cercava e seguiram uma direção diferente, tanto dos gregos quanto dos chineses.

O hinduísmo popular, pagão, sempre carregou muito dos conceitos do hinduísmo filosófico, mais elitizado.

A essência do pensamento hindu se encontra nos Vedas, literatura sagrada que se divide em três livros principais: Mantra, Brahmana e Upanishades.

A característica principal do pensamento hindu é o monismo, a idéia de que tudo é um. Esse “um” foi denominado de Brahman. De difícil definição, muitas de suas proposições filosóficas são marcadas pelo subjetivismo, no qual tudo tem uma existência apenas aparente, produto da mente. Ou seja, todas as coisas que existem são apenas diferentes manifestações de Brahman.

O budismo, embora tenha criado raízes nos países do extremo Oriente como a China, o Japão e a Coréia, na verdade nasceu hindu. Em 534 a.C. o príncipe Sidarta Gautama, ou melhor, Buda, teria começado sua peregrinação espiritual, para tentar escapar da samsara, a eterna recorrência, que, conforme os Upanishades era uma maldição lançada pelos deuses sobre os homens. Então, o “Iluminado” (isto é, Buda), ao empenhar-se nessa busca, e por meio de seus princípios, oferecia “um atalho” para o Nirvana.

A concepção filosófica do Oriente tomou caminhos completamente diferentes. Embora muitas questões sejam comuns aos dois pensamentos, o Ocidente, de certo modo, foi mais realista, analisando o mundo em seus aspectos físico, ou seja, sua realidade tangível. Mais tarde, essa atitude permitiria uma direção mais pragmática diante do mundo, produzindo a atual civilização Ocidental.


FILOSOFIA OCIDENTAL

FILOSOFIA ANTIGA


A filosofia antiga Ocidental nasceu na Grécia, no século VI a.C., com os filósofos pré-socráticos indo até o período helenístico, que é o predomínio da cultura grega nos três grandes reinos (da Macedônia, Síria e Egito).

A reflexão filosófica que se iniciou nesta época continuou convivendo com a consciência mítica e religiosa que dominava até então, assim como acontece em nossos dias, guardadas as devidas proporções.

O pensamento mítico-sagrado foi sendo substituído por um pensamento fundamentado na razão. A “arché”, entendida como elemento constitutivo de todas as coisas, surgiu para oferecer uma ordenação do mundo.
Os filósofos pré-socráticos tinham como ponto central de suas reflexões, a busca do princípio ou fundamento das coisas, a “arché”.

Os primeiros filósofos gregos são também chamados “filósofos da natureza” (phisys) porque suas reflexões estavam centradas na natureza e nos processos naturais.
Queriam entender os fenômenos naturais através da observação, sem ter que recorrer aos mitos e aos deuses. Fizeram a Filosofia se libertar da Religião, deram os primeiros passos na direção de uma forma científica de pensar.

A filosofia nesta época englobava a indagação filosófica propriamente dita e o conhecimento “científico”, como o chamamos hoje.
As respostas às indagações que faziam sobre o princípio das coisas foram variadas e divergentes, uns afirmavam que era a água, outros já diziam que era o ar, ou o fogo, ou os quatro elementos (terra, ar, fogo e água).
Embora a atitude não fosse mais mítica, os elementos naturais ainda eram considerados quase que como divindades.

“A atitude filosófica rejeita as interferências dos deuses, do sobrenatural, buscando a coerência interna, definição dos conceitos, o debate e a discussão” (ARANHA, 1993:67).
Sócrates (470-399 a.C.), “personagem mais enigmática de toda história da filosofia, não escreveu uma única linha e está entre os que mais influência exerceu sobre o pensamento europeu”. Ele criou o método socrático, que consistia na busca do rigor através da discussão e do diálogo, era o método através do qual o homem é encarado para ser compreendido e analisado.

Com Sócrates surge o interesse pelo ser humano e suas virtudes, as quais são identificadas como: bondade, justiça, temperança, coragem, etc.
Para Sócrates, o homem não podia ser definido, pois depende de sua consciência, não é como a natureza que possui propriedades objetivas.
O método socrático era composto de duas etapas: “ironia” e “maiêutica”.

A “ironia” consistia em destruir as opiniões do senso comum e o conhecimento espontâneo baseado em preconceitos e estereótipos através de perguntas feitas a um interlocutor, exigindo que este responda justificando seu ponto de vista.
A “maiêutica” consistia em construir novos conceitos baseados em argumentação racional.Sócrates, com suas perguntas destruía o saber constituído através do senso comum e dos preconceitos, para construir outro a partir de um raciocínio coerente e rigoroso.

Platão era discípulo de Sócrates, quando este morreu condenado a beber cicuta, aos 29 anos, por sua atividade como filósofo.
Conhecemos a vida de Sócrates através de Platão, que foi também um dos maiores filósofos da história.

Platão interessava-se pela relação entre aquilo que é eterno e imutável na natureza, na moral, na sociedade e aquilo que “flui”.
Para Platão, a verdadeira realidade se encontra no mundo das idéias, lugar da essência imutável de todas as coisas, dos verdadeiros modelos ou arquétipos. Todos os seres, inclusive o homem, são apenas cópias imperfeitas de tais realidades eternas e se aperfeiçoam a medida que se aproximam do modelo ideal.

Depois de Platão vem Aristóteles, que também foi um dos grandes filósofos gregos e que durante 20 anos foi aluno da academia de Platão, para onde foi quando este tinha 61 anos. “Platão” estava tão mergulhado no mundo das ‘idéias’ que quase não registrou as mudanças da natureza. Aristóteles, ao contrário, interessava-se justamente pelas mudanças “naturais”.

Para Aristóteles, o ser é constituído de matéria e forma em potência a serem atualizadas, tem uma natureza essencial que se realiza aos poucos até alcançar um pleno desenvolvimento.

Para ambos, a plenitude humana dependia do aperfeiçoamento da razão. Após a morte de Aristóteles (322 a.C.), a Filosofia Helênica (Epicurismo, Estoicismo e Ceticismo) continuou a investigar os problemas levantados por Sócrates, Platão e Aristóteles, com o ponto comum entre eles: a preocupação em saber qual seria a melhor maneira do homem viver e morrer.

A partir do ano 50 a.C., Roma passou a assumir poderio militar na região antes dominada pelos gregos, mas a cultura e a filosofia continuaram sendo helênicas até muito tempo depois.

FILOSOFIA PATRÍSTICA

É a filosofia dos primeiros pais da igreja, por isso recebe este nome. Inicia-se com as epístolas de Paulo, que se converteu ao cristianismo pouco depois da morte de Jesus e começou a viajar como missionário através de todo o mundo greco-romano, transformando o cristianismo numa religião universal.

O cristianismo começa a se infiltrar no mundo greco-romano como algo completamente diferente da filosofia helênica, mas Paulo encontrava apoio nesta filosofia ao afirmar que a busca de Deus está dentro de todos os homens, o que para os gregos não era novidade.

O que Paulo pregava de novo é que esse Deus não era “filosófico”, ao qual as pessoas pudessem chegar apenas pela razão, mas que ele tinha se revelado aos homens.
Paulo conseguiu, com sua tarefa missionária, expandir o cristianismo para as cidades gregas e romanas mais importantes: Atenas, Roma, Alexandria, Èfeso, Corinto e nos três ou quatro séculos seguintes todo o mundo greco-romano estava cristianizado. Procurou-se conciliar a cultura greco-romana com o cristianismo.

“Mas o cristianismo não era a única religião nova daquela época, o helenismo era marcado por um sincretismo religioso, por isso a igreja precisava definir claramente a doutrina cristã, a fim de estabelecer seus limites em relação às demais religiões e evitar uma cisão dentro da própria igreja cristã”.

Para definir claramente a doutrina cristã, surgem os “dogmas” cristãos mais importantes que vão servir de base para a Filosofia Patrística. Um desses “dogmas” mais importantes foi que Jesus havia sido Deus e homem ao mesmo tempo e que através do milagre de Deus poderíamos ressuscitar para a vida eterna.

Um grande representante desse período, já no seu final, foi Santo Agostinho (354 a 430). Foi influenciado pelo neoplatonismo do final da antiguidade, mas se converteu ao cristianismo.

Com ele a Filosofia Patrística deu novo rumo à pedagogia da época, colocando a disciplina cristã como auxiliar para resolver as situações aflitivas do homem.

Segundo Santo Agostinho, a fé revela verdades ao homem de forma direta e intuitiva. A razão é posterior à fé. “Sua filosofia tem como preocupação central a relação entre a fé e a razão, mostrando que sem a fé a razão é incapaz de promover a salvação do homem e trazer-lhe a felicidade”.

FILOSOFIA MEDIEVAL

A “Idade Média” recebeu este nome por ser intermediária entre duas outras épocas, a Antiguidade e o Renascimento. É considerada pelo homem renascentista como a longa “noite de mil anos” por ser vista como um período de decadência, mas para outros, foi considerada o período de “mil anos de crescimento”, pois foi aí que se iniciou o sistema escolar, por exemplo.

Já no princípio desse período, surgiram nos conventos as primeiras escolas que, no século XII, também foram criadas à volta das catedrais. Por volta de 1200 começaram a ser fundadas as primeiras universidades.

“Os primeiros cem anos depois de 400 d.C., foram realmente de declínio cultural. A era romana fora uma época de “cultura elevada”, com grandes cidades que dispunham de sistemas de esgotos, banhos e bibliotecas públicas. Isto para não falar da imponente arquitetura”.

Teodósio, o último imperador romano, dividiu o império em Ocidental e Oriental em 395 e essa data marca o fim da Antiguidade e o começo da Idade Média.
Cresceu muito o poder da igreja nesta época, em fins do século IV, quando Roma perdeu seu poder político, o bispo de Roma se tornou o chefe de toda a igreja católica romana e recebeu o nome de “papa” = “pai” e passou a ser considerado o representante de Jesus na terra.

No ano de 529 a Academia de Platão, em Atenas, foi fechada e no mesmo ano foi fundada a ordem dos beneditinos, a primeira grande ordem religiosa. Nesse momento, a igreja católica se impõe e afasta a Filosofia grega, transformando os mosteiros em grandes centros monopolizadores da educação, reflexão e meditação.

A Filosofia Medieval passou a ser ensinada nas escolas, a partir do século XII, por isso recebeu o nome de Escolástica.
Apesar de a igreja ter fechado a Academia de Platão, os filósofos gregos não foram esquecidos, Platão e Aristóteles continuaram influenciando neste período, embora o Platão que os medievais conhecessem fosse o neoplatônico (vindo da filosofia de Plotino, do século VI d.C.), e o Aristóteles que conhecessem fosse aquele conservado e traduzido pelos árabes (particularmente Avicena e Averróis).

De certa forma, a cultura da Antiguidade conseguiu sobreviver a toda Idade Média, vindo a ressurgir no Renascimento.

O maior e mais importante filósofo da Idade Média foi São Tomás de Aquino (1225 a 1274), que era um teólogo. Naquela época, não havia nítida distinção entre filosofia e teologia. Ele tentou conciliar a Filosofia de Aristóteles e o cristianismo.
São Tomás de Aquino quis mostrar que existe apenas uma verdade. Uma parte dela reconhecemos através da razão e da observação e outra parte através da Bíblia. Ele acreditava poder provar a existência de Deus com base na Filosofia de Aristóteles (através da razão).

FILOSOFIA DA RENASCENÇA

“É marcada pela descoberta de obras de Platão desconhecidas na Idade Média, de novas obras de Aristóteles, bem como pela recuperação das obras dos grandes autores e artistas gregos e romanos”.

As quatro grandes linhas de pensamento que dominavam o pensamento da Renascença eram:

A idéia de que a natureza é um grande ser vivo de que o homem faz parte dessa natureza como um microcosmo (como espelho do universo inteiro), podendo agir sobre ela através da alquimia, da magia natural e da astrologia. Essa idéia é proveniente de Platão, do neoplatonismo e da descoberta de livros de Hermetismo.

A idéia que valorizava a vida ativa, a política e defendia os ideais republicanos das cidades contra o poder hierárquico da igreja, o império eclesiástico, o poderio dos papas e dos imperadores. Os pensadores dessa época foram buscar, nos antigos juristas e historiadores, essas idéias republicanas e propuseram a “imitação dos antigos”.

A idéia que defendia o ideal do homem como artífice de seu próprio destino, através dos conhecimentos como astrologia, magia e alquimia, assim como através da política, das técnicas (medicina, arquitetura, engenharia, navegação) e das artes (pintura, escultura, literatura e teatro).

A certeza de que era possível constituir um conhecimento novo, científico, baseado na indução e não mais na dedução ou na autoridade, experimental, diferente da filosofia, dissociado da teologia, e que possibilitaria uma nova cosmovisão.

Foi a época das grandes descobertas marítimas, da Inquisição e das críticas profundas à igreja, que desembocaram na Reforma Protestante e na Contra-Reforma da igreja. Entre os nomes mais importantes desse período estão:

a) Representante da Filosofia da Natureza.
- Kepler

b) Representantes da Metafísica.
- Nicolau de Cusa (“docta ignorantia”).
- Giordano Bruno (sistema panteísta).

c) Representantes da Filosofia Política.
- Maquiavel (“O Príncipe”).
- Tomás Morus (“Utopia”)

d) Representante da Reforma da Ciência.
- Luis Vives (“De tradendis disciplinis”; “De anima et vita”).

FILOSOFIA MODERNA

É a época do Grande Racionalismo Clássico, marcado por três grandes mudanças intelectuais:

A Filosofia muda o foco de suas indagações para o intelecto do homem ao invés de começar a indagar sobre a Natureza e Deus. Começa a questionar sobre a capacidade de conhecer e, depois, como o intelecto pode conhecer o que é diferente dele.

Tudo o que pode ser conhecido deve poder ser transformado num conceito ou idéia clara e distinta formulada pelo intelecto. A Natureza, a Sociedade ou a Política pode ser inteiramente conhecida pelos sujeitos porque são passíveis de serem transformadas em conceitos.

“A realidade é concebida como um sistema racional de mecanismos físico-matemáticos, cuja estrutura profunda é matemática. O ‘livro do mundo’, diz Galileu, está escrito em caracteres matemáticos”. Essa grande mudança intelectual deu origem à ciência clássica, à mecânica, por meio das quais são explicados todos os fatos da realidade: astronomia, física, química, psicologia, política e artes, que eram estudados de forma mecânica.

Nasce a idéia de conquistar científica e técnica da realidade, a partir da explicação mecânica e matemática do Universo e da Invenção das máquinas.
Havia uma grande confiança na razão para definir qual o melhor sistema político, qual a origem, as causas e os efeitos das paixões humanas, além da possibilidade de inseri-los, tornando a vida ética perfeitamente racional.
Os principais pensadores dessa época e suas principais obras:

a) Representante da Reforma da Ciência.

- Francis Bacon (“Novum Organum” – método indutivo).

- Descartes (“Discurso do Método”).

- Tomas Hobbes (“Leviatã” – teoria do Estado).

- Espinosa (A ética, demonstrada segundo o método geométrico – solução monista).

- Leibniz (político, científico e filósofo – solução pluralista).

FILOSOFIA DA ILUSTRAÇÃO

Este período também enfatiza a primazia da razão. O nome Iluminismo vem de luzes (nome dado à razão) e acredita:

- Que, “pela razão, o homem pode conquistar a liberdade e a felicidade social e política (Filosofia da Ilustração foi decisiva para as idéias da Revolução Francesa de 1789)”.

- Que “a razão” é capaz de evolução e progresso, e o homem é um ser perfectível. A perfectibilidade consiste em liberar-se dos preconceitos religiosos sociais e morais, em libertar-se da superstição e do medo, graças ao conhecimento, às ciências, às artes e à moral”.

- Que “o aperfeiçoamento” da razão se realiza pelo progresso das civilizações, que vão das mais atrasadas (também chamadas de ‘primitivas’ ou ‘selvagens’) às mais adiantadas e perfeitas (as da Europa Ocidental).

- Que “há diferença entre Natureza e civilização, isto é, a Natureza é o reino das relações necessárias de causa e efeito ou das leis naturais universais e imutáveis, enquanto a civilização é o reino da liberdade e da finalidade proposta pela vontade livre dos próprios homens, em seu aperfeiçoamento moral, técnico e político”.

Nesse período há grande interesse pela biologia, pela economia e pelas artes, que são consideradas símbolo do grau de progresso de uma civilização.
Os principais pensadores dessa época e suas obras mais representativas:

a) John Locke – Ensaio sobre o entendimento humano e pensamentos sobre a educação.

b) Boyle (química) e Newton – Teoria da gravitação.

c) David Hume – Tratado da natureza humana.

d) Franceses (progressiva emancipação): Voltaire, Diderot, Condillac, D’Alembert e Rousseau.

Os temas rousseaunianos mais importantes são:

- O naturalismo: o homem é originalmente bom, a natureza humana é boa, o mal existe no mundo (o bom selvagem);

- O individualismo: toda ação socializadora é nefasta e funesta, pois perverte a natureza humana – essa é a maior contradição da pedagogia de Rosseau, pois de acordo com ele se está educando um ser anti-social.

- O sentido da pedagogia – que está em sua obra O Emílio – a educação é preparação para a vida adulta – depois na vida adulta, a ação política contribui para a socialização que se dará espontaneamente.

- O subjetivismo – cada ser humano é único – a importância da educação para a autenticidade.

e) Kant e o idealismo alemão (com ele se inicia a corrente mais importante da filosofia contemporânea).

- Investiga sobre o sujeito para encontrar as condições subjetivas que fazem possível a objetividade. Como representante da ilustração, propunha uma emancipação do homem frente a tutelas auto-impostas com o uso da razão.

f) Schelling (período de filosofia negativa: predomínio do estético; período de filosofia positiva: predomínio do religioso).

h) Hegel (1770-1831 – culminação do idealismo. “Fenomenologia do Espírito”, “Ciência da Lógica”)

FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA

Por se tratar de um período que está sendo vivido por nós, fica difícil proceder à classificação, pois não podemos manter a necessária distância para analisar com mais objetividade, mas pode-se citar as diferentes correntes, com os seus nomes mais expressivos, que servirão de base para futuras investigações.

Crítica da Ciência;

- Henri Poincaré (1854-1912) – Para Poincaré é uma ilusão a crença na infalibilidade da ciência. Pois, o que ocorre no início do século XX é uma necessidade de reavaliação do conceito de ciência, dos critérios de certeza, da relação entre ciência e realidade, da validade dos modelos científicos.

Positivismo;

- Augusto Comte (1798-1857), fundador do positivismo, corrente filosófica segundo a qual a humanidade teria passado por estágios sucessivos (teológico e metafísico) até chegar ao ponto superior do processo, caracterizado pelo conhecimento positivo, ou científico.

Neopositivismo e Filosofia Analítica;

- Bertrand Russel (1872-1970 – Principia Mathematica, Los problemas de la Filosofia).

Pragmatismo;

- John Dewey (1859-1952).

Filosofia da Existência;

- Karl Jaspers (1883-1969) – existência transcencia, Deus; Sobre a verdade.

- Martin Heidegger (1889-1976) – O ser e o tempo, Que é metafísica? – sentido do ser.

Fenomenologia;

- Fundada por Edmund Husserl (1859-1938), cujos seguidores são: Heidegger, Karl Jaspers e Merleau-Ponty.

Existencialismo;

- Jean-Paul Sartre (1905-1980) – O ser e o nada. O existencialismo é um humanismo.
Para Sartre só as coisas e os animais são “em si”. O homem, sendo consciente, é um “ser-para-si”, aberto à possibilidade de construir ele próprio sua existência. O homem não é mais que o que ele faz. Não se pode falar numa natureza humana encontrada igualmente em todos os homens.

- Karl Popper (1902-1994) – filósofo austríaco – segundo ele, “o cientista deve estar mais preocupado não com a explicação e justificação da sua teoria, mas com o levantamento de possíveis teorias que refutem, ou seja, o que garante a verdade do discurso científico é a condição de refutabilidade”.

Marxismo;

- Karl Marx (1818-1883) – Rejeita explicitamente a concepção de uma natureza humana universal. Os homens são seres práticos que se definem pelo trabalho, o que explica que não há uma essência separada da existência. Marx, assim como Freud, mostra que a razão pode ser deturpadora e pervertida, pode estar a serviço da mentira e do poder. Esse tipo de racionalidade deve ser contestado pela atividade crítica da razão mais completa e mais rica.
Marx se posicionou contra a moral kantiana, fundada na razão universal, abstrata, e tenta encontrar o homem concreto da ação moral.
A doutrina marxista é chamada de filosofia da práxis porque é a união dialética da teoria e da prática.

- Gramsci (1891-1937) – filósofo italiano, “teórico do marxismo que recusara o dogmatismo do marxismo oficial, enfatiza a necessidade de formação do intelectual orgânico, ligado a sua classe e capaz de elaborar coerente e criticamente a experiência proletária”.

- Louis Althusser (1918) – filósofo francês que analisa a violência simbólica exercida pela classe dominante através dos aparelhos ideológicos do Estado (escola, família, meios de comunicação de massa, instituições de cultura, partidos políticos) pelos quais é repassada a ideologia dominante.

- Theodor Adorno (1903-1969) – levantou o problema da alienação promovida pela arte de massa.

- Max Horkheimer (1895-1973) – junto a Adorno, afirmava que os produtos da indústria cultural levam inevitavelmente à alienação.

Estruturalismo;

- Michel Foucault (1926-1984) – prefere examinar a questão do poder não como manifestação do Estado, mas como uma rede de micropoderes que se estende por todo o corpo social.

Filósofos Idependentes (sem escola)

- Henri Bérgson (1859-1941); Taillard de Chardin (1881-1955) e Vladimir Jankélévitch (1903-1985).

Escola de Madri

- Ortega y Gasset, Julian Marias e Xavier Zubini.

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