quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

CRISTIANISMO

Para compreendermos melhor a razão do nascimento de Cristo na época dos césares e da difusão do cristianismo apostólico, temos, antes de buscar o contexto histórico, sociocultural, político e religioso no período do primeiro século da era cristã.


Muitas foram às contribuições do antigo mundo para a chegada de Cristo e sua doutrina. Ao estudarmos os períodos anteriores à vinda do messias, percebemos a providência divina ao preparar o cenário para a chegada de seu plano de salvação. O ambiente histórico em que Cristo surgiu cooperou, de modo colossal, para disseminação do evangelho. Nesse período, três povos, por sua rica contribuição, merecem destaque: os judeus, os romanos e os gregos.


OS JUDEUS – A mentalidade religiosa quanto á espera iminente de um Messias facilitou a aceitação da mensagem de Jesus como Messias prometido. Outro fator importante de contribuição foi o monoteísmo rígido, herdado da religião mosaica, com sua ética moralista baseada na lei de Moisés. Assim, o mundo religioso de então estava preparado psicologicamente para a chegada de um messias.


OS ROMANOS – O império romano dominava o mundo na época em que Cristo nasceu. A extensão do império, que concorreu para a unificação dos povos, facilitou a difusão da mensagem cristã. Outra contribuição foi proporcionada pela infra-estrutura das estradas e das cidades romanas. Com o anexo de novas terras, pelo desbravamento do exército romano, foi fácil a disseminação do evangelho em regiões estrangeiras. O latim e o grego eram línguas universais e facilitavam a transmissão das boas novas


OS GREGOS – Sem dúvida, uma das inestimáveis riquezas legadas pelos gregos foi sua língua. Tanto é que todo o Novo Testamento foi escrito em grego. Além disso, as idéias de seus famosos filósofos levaram o povo a inquirir sobre os mistérios da vida, sobre o ser e sobre Deus, razão e propósito de nossa existência. O evangelho oferecia respostas sensatas para todas essas questões intrigantes.

Enfim, todas essas contribuições, juntas, forneceram o ambiente propício para a chegada do Filho de Deus. Foi uma época ímpar, predestinada, como não houve em toda história.


O FUNDADOR


Seu nome era Yeosha (Jesus). Sua mãe chamava-se Miriam (Maria), casada com Yussef (José), que era carpinteiro. Logo na infância, fora morar em Nazaré, cidade isolada nas montanhas da Galiléia, próxima da movimentada estrada que ligava Mesopotâmia ao Egito. Ali ele viveu e cresceu. Um judeu entre os judeus. Aparentemente, um homem entre os outros homens. Em Roma, reinava Tibério; na Galiléia, Herodes. Com seus “dentes de ferro”, Roma continuava conquistando terras, sem imaginar que ali estava uma força, muito superior à sua, que conquistaria mais vidas do que as sete colinas jamais sonharam. Um poder contra o qual o Império Romano empenharia toda a sua força para destruir, para depois cair vencidos de joelhos. Ali estava um homem que, de forma estranha e espantosa, colocaria seu nome acima de todo nome. Um homem que se apoderaria das vidas, dos corações e das mentes, como Roma se apoderava dos corpos. Um homem que era muito mais do que um homem. Alguém de quem sempre falaram as profecias e os profetas – Jesus de Nazaré, o Messias.

Ele chegou. Talvez, não como muitos esperavam, mas Ele chegou. E cada situação de sua vida era cumprimento das milenares palavras dos profetas. Multidões o seguiam porque experimentavam o poder de seus atos e a verdade de suas palavras. Foram apenas três anos e meio, preenchidos com curas, libertações e ensinos de sabedoria, ao fim dos quais, como um criminoso, foi levado a julgamento e, como o mais hediondo dos homens, foi colocado na cruz.

Mas sua morte não seria o fim. Seria apenas o começo de uma nova era. Pois segundo seus seguidores, Ele ressuscitou e dois mil anos de história são uma prova extremamente sólida de que ele veio ao mundo não por coincidência ou por acaso. Antes, Ele veio sim, de acordo com suas próprias palavras, “cumprir o que estava escrito (no Antigo Testamento)”.

Desde então, homens passariam a contar os tempos como antes e depois dele. Tornou-se o marco divisor da História e o marco divisor das almas e da humanidade. Sua vida, suas palavras e seus feitos não puderam, de forma nenhuma, ser ignorados. A História encontrou seu centro, sua razão, seu núcleo, um eixo sobre o qual girar.


A EXPANSÃO DO CRISTIANISMO


O pequeno grupo de Jerusalém iniciado pelos discípulos escolhidos por Jesus Cristo (12 Apóstolos) e por outros após sua morte e ressurreição, a princípio amarrado ao exclusivismo judaico, vai, pouco a pouco, se desprendendo de suas raízes étnicas. Com Paulo, a mensagem do evangelho ganha projeção mundial, não apenas geograficamente, pelo seu trabalho missionário, como também culturalmente, pela sua exposição da mensagem cristã dentro dos conceitos gregos. Seu vigoroso pensamento, formado por elementos tanto judeus quanto não-judeus, possibilitou ao Espírito Santo fazer de suas cartas uma boa nova para toda a humanidade: “... pela palavra da verdade do evangelho, que já chegou a vós, como também está em todo mundo; e já vai frutificando...” (Cl 1.5b, 6ª).

Próximo ao ano 100 d.C. morria João, o último dos doze apóstolos. Mas o alicerce já estava lançado. Roma, o mundo e a história jamais seriam os mesmos. A pequena semente de mostarda começava a brotar e a crescer, para dar alívio e cura a um mundo mergulhado na idolatria, na violência, na homossexualidade, no infanticídio, na vazia especulação filosófica e na obscuridade do ocultismo. Enquanto o grande corpo (do Império Romano) foi invadido pela violência aberta, ou solapado pela lenta decadência, uma religião humilde e pura gentilmente insinuou-se dentro da mente dos homens, cresceu em silêncio e obscuridade, recebeu novo vigor da oposição e, finalmente, ergueu a triunfante bandeira da cruz sobre as ruínas do Império.


O CRISTIANISMO BÍBLICO (DOUTRINAS)


ESCRITURAS – A Bíblia, escrita originalmente em hebraico e aramaico (Antigo Testamento) e grego (Novo testamento). É Divinamente inspirada por Deus, e é apta para dirigir todo cristão em sua vida terrena à vida eterna.


DEUS – O Deus único é trino (Um Deus em três pessoas, e não três deuses): Pai, Filho e Espírito Santo. Freqüentemente, o título Deus indica a primeira pessoa, Deus Pai. Deus é um ser espiritual sem corpo físico. Ele é pessoal e está envolvido com a humanidade. Criou o Universo do nada. É eterno, nunca muda. É santo, amoroso e perfeito.


JESUS – Jesus é Deus, uma das pessoas da santíssima Trindade. Ele sempre existiu como Deus Filho e não criado. É plenamente Deus e plenamente homem (duas naturezas unidas e não amalgamadas). Como segunda pessoa da trindade, é igual a Deus Pai e Deus Espírito Santo. Para se tornar humano, foi gerado pelo espírito Santo e nasceu da virgem Maria. Jesus é o único caminho para ir ao Pai, à salvação e à vida eterna.

Ele morreu numa cruz, de acordo com o plano de Deus, como sacrifício completo, e expiou nossos pecados. Ressuscitou dentre os mortos três dias após sua morte, fisicamente imortal. Durante 40 dias seguintes, foi visto por mais de 500 testemunhas oculares. Suas feridas foram tocadas e Ele comeu diante dos discípulos. Ascendeu fisicamente aos céus. Jesus regressará outra vez, visível e fisicamente, no fim dos tempos para estabelecer o Reino de Deus e julgar o mundo.


ESPÍRITO SANTO – O Espírito Santo é Deus, uma das pessoas da santíssima trindade. O Espírito Santo é uma pessoa, e não uma força ou um campo de energia. Ele consola, repreende, convence, guia, ensina e se entristece. Ele não é o Pai, nem o Filho, Jesus Cristo.


SALVAÇÃO – A salvação é obtida pela graça de Deus, e não pelas obras. A salvação é recebida pela fé. Basta crer no coração que Jesus morreu por nossos pecados e ressuscitou fisicamente dentre os mortos. Teremos, então, assegurados o perdão e a ressurreição do nosso corpo. Este é o plano amoroso de Deus para perdoar os pecadores.


MORTE – Depois da morte, todas as pessoas esperam o juízo final. Tanto as pessoas salvas quanto as perdidas ressuscitarão. Os salvos viverão com Jesus nos céus. Os perdidos, porém, sofrerão o tormento (inferno), a separação eterna de Deus. A ressurreição corporal de Jesus garante aos crentes que eles também terão corpos imortais.


OUTRAS CARACTERÍSTICAS – A adoração em grupo, usualmente praticada nas igrejas, e não cerimônias secretas. O batismo e a Ceia do Senhor fazem parte da comunhão. Dedica-se ao trabalho missionário e voluntário, com intuito de evangelizar todos os povos e nações. Ajuda os necessitados: pobres, viúvas, órfãos e oprimidos. Os cristãos crêem que Jesus é o Messias prometido a Israel no Antigo Testamento. Jesus disse que os seus seguidores seriam reconhecidos pelo amor fraternal.


PRINCIPAIS DIVISÕES DO CRISTIANISMO


Da era apostólica até meados da Idade Média, a igreja tinha conseguido se manter una, mesmo com suas divergências políticas e teológicas, até que ficou insustentável o poder político (imperialista) que a igreja exercia no mundo. Vejamos os motivos das duas divisões que causaram as três igrejas:


CATOLICISMO ROMANO – Tudo vinha muito bem até a igreja se tornar em Império. Fazendo com que durante toda era Medieval, a Igreja Católica Romana tivesse o monopólio religioso de todo o Ocidente europeu. Pertencer à Igreja era conseqüência automática do nascimento de qualquer pessoa ocidental, e não havia lei ou costume que permitisse a ninguém renunciá-la. A dominação espiritual da Igreja se estendia por toda a Europa. É impossível compreender o papel e a influência da Igreja Católica Romana na era Medieval sem a compreensão de suas doutrinas religiosas básicas. Do século IV ao século XIII, várias doutrinas extra bíblicas foram adotadas pelo catolicismo. Vejamos algumas delas:


- 431 a igreja começa a cultuar Maria como mãe de Deus.

- 503 decretam a existência do purgatório.

- 783 iniciam a veneração de imagens (idolatria).

- 933 a igreja instituiu a “canonização” de santos.

- 1074 é instituído o celibato.

- 1190 começam a conceder perdão e favores espirituais por dinheiro. A igreja inicia os negócios com as indulgências.

- 1208 começaram na missa, a “levantar” a hóstia, para que fosse adorada.

- 1215 o papa Inocêncio III, por decreto, instituiu a transubstanciação (presença literal de Cristo na hóstia), “valorizando” sobremaneira a missa.


CATOLICISMO ORTODOXO GREGO – As causas da separação da Igreja Oriental da Ocidental não foram repentinas, mas uma longa sucessão de fatores que culminaram no chamado “Grande cisma”. Inconscientemente, o passo da separação havia sido dado quando Constantino transferiu a sede do Império de Roma para Constantinopla, em 330. Depois, veio Teodósio, em 395, com a separação do Império em duas partes com líderes eclesiásticos distintos. Uniram-se a isto algumas diferenças de caráter litúrgico e doutrinário, que há anos vinham incomodando as duas igrejas, como, por exemplo, o incidente no século II sobre a questão da páscoa e, depois, a eleição do patriarca Fócio e sua defesa quanto à questão do filioque, a qual o papa questionou severamente. Também não menos importante é a oposição política entre a Constantinopla e o “Império” de Carlos Magno.

Finalmente, a tão abalada comunhão entre as duas igrejas recebeu o selo do cisma em 1054, quando o papa e o patriarca do oriente se excomungaram mutuamente por causa de uma disputa sobre a eucaristia. Desde então, surgiram duas igrejas: Ortodoxa Grega (Oriental) e a Católica Romana (Ocidental).

O cristianismo oriental possui uma cosmovisão diferente do cristianismo ocidental. Enquanto a igreja do ocidente experimentou várias transformações, a igreja do oriente permaneceu estática, tanto na doutrina como na liturgia. A teologia ocidental era mais inclinada a assuntos práticos, já a teologia oriental tendia para soluções de assuntos teológicos em termos filosóficos. Haja vista que a maioria das controvérsias religiosas entre 325 e 451 surgiram do oriente.

Enquanto a igreja no ocidente ficou livre do jugo do império, a do oriente ficou subordinada a este. Em 726, surge à controvérsia iconoclasta (uso de ícones na igreja), levantada por Leão III, uma verdadeira cruzada contra o uso de imagens. A igreja ortodoxa se engajou também na obra missionária, levando o evangelho aos búlgaros e aos russos. Produziu vários teólogos capacitados, como, por exemplo, João Damasceno, apontado pelos estudiosos como Tomás de Aquino do Oriente.

O choque com o islamismo, no século VII, e a perda de gente e de terras para os mulçumanos, junto com dois séculos de desavenças quanto ao uso de imagens, estagnaram o cristianismo no oriente.


PROTESTANTISMO – Mesmo após o grande “Cisma do Oriente”, a crise interna na Igreja Ocidental ainda era caracterizada pelo comportamento imoral da parte do clero, situação que se desenvolvera por séculos, desde a Idade Média. A simonia era uma prática comum secular, caracterizada pela venda de objetos considerados sagrados ou a venda de cargos religiosos. Os grandes senhores feudais compravam cargos eclesiásticos como forma de aumentar seu poder ou de garantir uma fonte de renda para seus filhos, originando um processo conhecido como “investidura leiga”, principalmente no sacro império. A preocupação com as questões materiais (poder e riqueza) levou principalmente o alto clero a um maior distanciamento das preocupações religiosas ou mesmo de caráter moral.

O nicolaísmo retrata um outro aspecto do desregramento moral do clero, a partir do qual o casamento de membros do clero levava-os a uma preocupação maior com os bens materiais, que seriam deixados em herança para os filhos e a partir daí determinavam o comportamento “mundano” dessa parcela do clero. Fatores econômicos (ascensão da burguesia), o aparecimento do renascentismo, a consolidação do absolutismo e etc. contribuíram para a Reforma Protestante.

Assim, em oposição ao abuso de venda de indulgências e as demais coisas citadas, promovida pela Igreja Católica Romana, surge no cenário eclesiástico, Martinho Lutero – monge agostiniano – que em 31 de outubro de 1517, afixou na porta da igreja do castelo de Wittenberg suas 95 teses contra as práticas absurdas da igreja, o que causou repercussão mundial. Em 1520, foi excomungado pelo papa e, no mesmo ano, queimou a bula de excomunhão em praça pública, rompendo, assim, definitivamente com a Igreja Católica. A partir daí, surgiu a Igreja Luterana, que foi inspiradora para o surgimento de outras denominações protestantes.

Antes de morrer, Lutero traduziu a Bíblia para o alemão popular (nesta época somente o clero tinha acesso as Escrituras) e escreveu inúmeras obras e tratados teológicos. Toda sua vida e obra basearam-se em três pilares: Sola Scriptura (somente a Escritura – a Bíblia), Sola Gratia (somente a graça de Deus) e Sola Fides (somente a Fé). Estes pilares ainda hoje são à base do pensamento protestante (evangélico).

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