quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O ESTUDO DA RELIGIÃO COMO CULTURA

O ser humano é o único animal que tem cultura. Mas o que vem a ser isso? Washington Santos, no seu Vocabulário de Sociologia diz que a palavra quer dizer, entre outras coisas, “... um patrimônio riquíssimo da humanidade e constituído dos mais variados elementos, a saber: idiomas, conhecimentos, crenças, ideologias, sistemas filosóficos, lendas, tradições, símbolos, formas de comportamento, normas de conduta religiosa, normas morais, jurídicas, higiênicas, formas de organização social e política, sistemas jurídicos, organização econômica, obras de arte, construções, instrumentos, utensílios, máquinas, modas, cerimônias, ritos, etc”.
Perceba como é amplo o significado da palavra cultura. Diferente das outras espécies, o homem tem a capacidade de, em tudo o que vê e faz deixar sua influência pessoal, seu modo de ser no mundo, como uma “lente” que dá a cor do que vai ser visto. Assim é a cultura. Cada povo tem uma lente diferente, mas o olho é o mesmo. O desafio do Ensino Religioso é mostrar que as tradições religiosas não apenas interferem na cultura, mas são influenciadas por ela. É com a inculturação de uns com os outros, na relação constante entre as religiões e as pessoas, do conhecimento que surge com isso tudo, que aparecem as raízes dos novos grupos sociais.

Um grande exemplo de inculturação está no Brasil. A mistura das raças no território brasileiro foi na verdade imposição do colonizador sobre o colonizado. Mesmo assim, a colonização de portugueses católicos não escapou da influência dos cultos africanos trazidos pelos escravos, bem como dos rituais praticados pelos índios. Mais tarde, imigrantes europeus protestantes trouxeram consigo a cultura de seu lugar para misturar-se à nossa dando a origem definitiva da cultura religiosa brasileira.

Mas nem todos os lugares são iguais ao Brasil. Apesar dos cientistas sociais falarem de uma cultura mundial, com características comuns entre os países, na Europa, por exemplo, a diversidade cultural provoca destruição com o aparecimento de movimentos separatistas como o Grupo Separatista Basco (ETA), no norte da Espanha e sul da França. Lá, durante anos, o ETA promove sangrentos atentados terroristas. A Irlanda do Norte, outro exemplo de destruição e morte, também quis se ver livre do Reino Unido. Desta vez são católicos e protestantes que se matam mutuamente num caso grave de intolerância religiosa.

Por essas razões, talvez a única verdade em relação à existência de uma aldeia global é a imposição dos países ricos pelo fortalecimento de uma cultura do consumismo. Do jeito que as pessoas são diferentes em todas as partes do mundo, até o momento é muito difícil acreditar numa única cultura religiosa que atenda a todos. Por enquanto o estudo cuidadoso da religião como algo humano, produto da cultura, ainda servirá como resposta para se entender tanto as razões da tolerância histórica do povo brasileiro como a atitude radical dos grupos terroristas capazes de matar a sangue frio e sem o menor arrependimento.

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