segunda-feira, 27 de setembro de 2010

PROGRAMA NACIONAL DOS DIREITOS HUMANOS



MANIFESTO


Destino: Presidente da República, Congresso Nacional e Senado Federal.


Solicitamos que o Presidente da República, o Congresso Nacional e o Senado Federal revoguem por completo o Decreto 7.037/2009, que aprova o PNDH-3 e que seja demitido o Ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Sr. Paulo Vannuchi, por ser o responsável de tal agressão à moralidade, à família, à sociedade livre e à Constituição Brasileira. E que, a partir deste ato, seja construída com a real participação da sociedade civil brasileira, uma verdadeira política de direitos humanos que valorizem a vida, a dignidade da família e da pessoa humana.




Afirmamos à total e plena rejeição ao PNDH-3 pelo que se segue:

1. É um Programa que fere o direito fundamental de todo cidadão, ou seja, o direito de nascer, o direito a vida, ao defender a legalização do aborto em várias de suas Ações Programáticas.

2. Proíbe a exposição pública de símbolos religiosos. O que representa uma grave limitação da liberdade religiosa, garantida pela Constituição, e também da liberdade de expressão do indivíduo, desprezando os valores históricos e culturais do país.

3. Limita à liberdade de imprensa ao promover sua censura, o que é inconstitucional.Constituição Federal Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição. § 1º. Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, (...).

4. Afirma a perda do direito de propriedade, o que é inconstitucional. Constituição FederalArt. 5º XXII - é garantido o direito de propriedade.

5. Promove o enfraquecimento do Judiciário frente ao Legislativo e ao Executivo, negligenciando um dos Princípios Fundamentais da Constituição: Art. 2º. São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

6. Limita à autonomia do Judiciário e seu acesso ao cidadão comum.

7. Acata a Constituição Federal ao defender a desconstrução da heteronormatividade, ou seja, desconstrução do relacionamento normal entre homem e mulher. Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. § 3º. Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.

8. Distorce o conceito constitucional de família por meio do reconhecimento da união civil de pessoas do mesmo sexo, com direito à adoção de crianças.

9. Promove ações educativas para a desconstrução de identidade e orientação sexual, ou seja, nega ao ser humano, em sua infância, de seguir sua natureza masculina ou feminina, bem como proíbe os pais de educarem seus filhos segundo sua natureza sexual, menino como menino, menina como menina.

10. Ataca à proteção da família e à dignidade da pessoa humana por meio da profissionalização da prostituição.

11. Promove campanhas nacionais educativas de incentivo a prostituição.

12. Promove uma Revolução Cultural aos moldes do ocorrido na China com Mao Tse Tung, em seu Eixo Orientador V.

Pelo que foi exposto, afirmamos que o PNDH-3 é um Programa autoritário e representa a desconstrução da democracia brasileira em direção ao Estado totalitário, usurpador dos direitos inalienáveis de todos os cidadãos brasileiros.

Nessas eleições, pensem quais serão os seus candidatos, pois verifique com o que os mesmos estão comprometidos. Não permita que a promiscuidade impere no nosso país.


Assinar a este baixo assinado aqui: javascript:mox();

Se quiser ver o PNDH-3 na integra baixe-o aqui javascript:mox();


Mais explicações a respeito deste manifesto clique nesses linksjavascript:mox(); e javascript:mox(); e assista os vídeos explicativos.


Entre também em contato com a secretaria de Direitos Humanos e ...



NÃO DEIXE DE SE MANIFESTAR!


direitoshumanos@sedh.gov.br

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A INDÚSTRIA CULTURAL






A Indústria Cultural impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente. Com as palavras do próprio Adorno, podemos compreender o porque das suas reflexões acerca desse tema.
Theodor Wiesengrund-Adorno, em parceria com outros filósofos contemporâneos, estão inseridos num trabalho muito árduo: pensar filosoficamente a realidade vigente. A realidade em que vivia estava sofrendo várias transformações, principalmente, na dimensão econômica. O Comércio tinha se fortalecido após as revoluções industriais, ocorridas na Europa e, com isso, o Capitalismo havia se fortalecido definitivamente, principalmente, com as novas descobertas cientificas e, conseqüentemente, com o avanço tecnológico. O homem havia perdido a sua autonomia. Em conseqüência disso, a humanidade estava cada vez mais se tornando desumanizada. Em outras palavras, poderíamos dizer que o nosso caro filósofo contemplava uma geração de homens doentes, talvez gravemente. O domínio da razão humana, que no Iluminismo era como uma doutrina, passou a dar lugar para o domínio da razão técnica.  Os valores humanos haviam sido deixados de lado em troca do interesse econômico. O que passou a reger a sociedade foi a lei do mercado, e com isso, quem conseguisse acompanhar esse ritmo e essa ideologia de vida, talvez, conseguiria sobreviver; aquele que não conseguisse acompanhar esse ritmo e essa ideologia de vida ficava a mercê dos dias e do tempo, isto é, seria jogado à margem da sociedade. Nessa corrida pelo ter, nasce o individualismo, que, segundo o nosso filósofo, é o fruto de toda essa Indústria Cultural.
Segundo Adorno, na Indústria Cultural, tudo se torna negócio. Enquanto negócios, seus fins comerciais são realizados por meio de sistemática e programada exploração de bens considerados culturais. Um exemplo disso, dirá ele, é o cinema. O que antes era um mecanismo de lazer, ou seja, uma arte, agora se tornou um meio eficaz de manipulação. Portanto, podemos dizer que a Indústria Cultural traz consigo todos os elementos característicos do mundo industrial moderno e nele exerce um papel especifico, qual seja, o de portadora da ideologia dominante, a qual outorga sentido a todo o sistema.
É importante salientar que, para Adorno, o homem, nessa Indústria Cultural, não passa de mero instrumento de trabalho e de consumo, ou seja, objeto. O homem é tão bem manipulado e ideologizado que até mesmo o seu lazer se torna uma extensão do trabalho. Portanto, o homem ganha um coração-máquina. Tudo que ele fará, fará segundo o seu coração-máquina, isto é, segundo a ideologia dominante. A Indústria Cultura, que tem com guia a racionalidade técnica esclarecida, prepara as mentes para um esquematismo que é oferecido pela indústria da cultura – que aparece para os seus usuários como um “conselho de quem entende”. O consumidor não precisa se dar ao trabalho de pensar, é só escolher. É a lógica do clichê. Esquemas prontos que podem ser empregados indiscriminadamente só tendo como única condição a aplicação ao fim a que se destinam. Nada escapa a voracidade da Indústria Cultural. Toda vida torna-se replicante. Dizem os autores:
Ultrapassando de longe o teatro de ilusões, o filme não deixa mais à fantasia e ao pensamento dos espectadores nenhuma dimensão na qual estes possam, sem perder o fio, passear e divagar no quadro da obra fílmica permanecendo, no entanto, livres do controle de seus dados exatos, e é assim precisamente que o filme adestra o espectador entregue a ele para se identificar imediatamente com a realidade. Atualmente, a atrofia da imaginação e da espontaneidade do consumidor cultural não precisa ser reduzida a mecanismos psicológicos. Os próprios produtos (...) paralisam essas capacidade em virtude de sua própria constituição objetiva(ADORNO & HORKHEIMER, 1997:119).
Fica claro portanto a grande intenção da Indústria Cultural: obscurecer a percepção de todas as pessoas, principalmente, daqueles que são formadores de opinião. Ela é a própria ideologia.  Os valores passam a ser regidos por ela. Até mesmo a felicidade do individuo é influenciada e condicionada por essa cultura. Na Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer exemplificam este fato através do episódio das Sereias da epopéia homérica. Ulisses preocupado com o encantamento produzido pelo canto das sereias tampa com cera os ouvidos da tripulação de sua nau. Ao mesmo tempo, o comandante Ulisses, ordena que o amarrem ao mastro para que, mesmo ouvindo o cântico sedutor, possa enfrentá-lo sem sucumbir à tentação das sereias. Assim, a respeito de Ulisses, dizem os autores:

O escutado não tem conseqüências para ele que pode apenas acenar com a cabeça para que o soltem, porém tarde demais: os companheiros, que não podem escutar, sabem apenas do perigo do canto, não da sua beleza, e deixam-no atado ao mastro para salvar a ele e a si próprios. Eles reproduzem a vida do opressor ao mesmo tempo que a sua própria vida e ele não pode mais fugir a seu papel social. Os vínculos pelos quais ele é irrevogavelmente acorrentado à práxis ao mesmo tempo guardam as sereias à distância da práxis: sua tentação é neutralizada em puro objeto de contemplação, em arte. O acorrentado assiste a um concerto escutando imóvel, como fará o público de um concerto, e seu grito apaixonado pela liberação perde-se num aplauso. Assim o prazer artístico e o trabalho manual se separam na despedida do antemundo. A epopéia já contém a teoria correta. Os bens culturais estão em exata correlação com o trabalho comandado e os dois se fundamentam na inelutável coação à dominação social sobre a natureza (ADORNO & HORKHEIMER, 1997:45).
É importante frisar que a grande força da Indústria Cultural se verifica em proporcionar ao homem necessidades. Mas, não aquelas necessidades básicas para se viver dignamente (casa, comida, lazer, educação, e assim por diante) e, sim, as necessidades do sistema vigente (consumir incessantemente). Com isso, o consumidor viverá sempre insatisfeito, querendo, constantemente, consumir e o campo de consumo se torna cada vez maior. Tal dominação, como diz Max Jimeenez, comentador de Adorno, tem sua mola motora no desejo de posse constantemente renovado pelo progresso técnico e científico, e sabiamente controlado pela Indústria Cultural. Nesse sentido, o universo social, além de configurar-se como um universo de “coisas” constituiria um espaço hermeticamente fechado. E, assim, todas as tentativas de se livrar desse engodo estão condenadas ao fracasso. Mas, a visão “pessimista” da realidade é passada pela ideologia dominando, e não por Adorno. Para ele, existe uma saída, e esta, encontra-se na própria cultura do homem: a limitação do sistema e a estética.
Na Teoria Estética, obra que Adorno tentará explanar seus pensamentos sobre a salvação do homem, dirá ele que não adiante combater o mal com o próprio mal. Exemplo disso, ocorreram no nazismo e em outras guerras. Segundo ele, a antítese mais viável da sociedade selvagem é a arte. A arte, para ele, é que liberta o homem das amarras dos sistemas e o coloca com um ser autônomo, e, portanto, um ser humano. Enquanto para a Indústria Cultural o homem é mero objeto de trabalho e consumo, na arte é um ser livre para pensar, sentir e agir. A arte é como se fosse algo perfeito diante da realidade imperfeita. Além disso, para Adorno, a Indústria Cultural não pode ser pensada de maneira absoluta: ela possui uma origem histórica e, portanto,  pode desaparecer.
Por fim, podemos dizer que Adorno foi um filósofo que conseguiu interpretar o mundo em que viveu, sem cair num pessimismo. Ele pôde vivenciar e apreender as amarras da ideologia vigente, encontrando dentro dela o próprio antídoto: a arte e a limitação da própria Indústria Cultural. Portanto, os remédios contra as imperfeições humanas estão inseridos na própria história da humanidade. É preciso que esses remédios cheguem a consciência de todos (a filosofia tem essa finalidade), pois, só assim, é que conseguiremos um mundo humano e sadio.
Referências bibliográficas:
ADORNO, Theodor W. Textos Escolhidos. Trad. Luiz João Baraúna. São Paulo: Nova Cultural, 1999. (Os Pensadores)
ADORNO, Theodor W. Mínima Moralia: Reflexões a partir da vida danificada. Trad. Luiz Eduardo Bisca. São Paulo: Ática, 1992.
HORKHEIMER, M., e ADORNO, T. W., Dialética do Esclarecimento: Fragmentos filosóficos. Trad. Guido Antonio de Almeida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
HABERMAS, J. O Discurso filosófico da modernidade. Trad. Ana Maria Bernardo e outros. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1990. 
BARCELLOS, Carine. A questão da moral na cultura contemporânea. In: Comunicações, 4, Piracicaba – UNIMEP, p. 70-90, nov. 2000.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

AÇÃO NO STF QUER ELIMINAR O ENSINO RELIGIOSO


Por Marcelo Semer
O STF está próximo de julgar uma causa espinhosa.
A Procuradoria Geral da República ajuizou ação direta de inconstitucionalidade para restringir o ensino religioso nas escolas públicas, limitando os termos do acordo do país com o Vaticano, que incluía expressamente esta questão.

O argumento do Ministério Público é a laicidade do Estado, ou seja, a impossibilidade de que seus órgãos públicos se vinculem a qualquer religião, estabelecendo algum tipo de exclusividade ou preferência.
A regra, tradicional nas democracias modernas, é resultado da separação entre Igreja e Estado, que no Brasil é contemporânea à proclamação da República. A separação contempla não apenas a proibição de uma religião oficial (como era a católica anteriormente), como estabelece a liberdade religiosa e a proteção a todo e qualquer culto.
Embora os atributos do Estado laico estejam na Constituição (art. 19, inciso I), a Carta Magna também prevê a existência do ensino religioso de caráter facultativo, nas escolas públicas.
A polêmica suscitada na argüição da Procuradoria diz respeito ao texto do acordo do Brasil com o Vaticano, um dos temas que provocou a visita do papa Bento XVI ao Brasil em 2007.
O acordo, que entre outras coisas estabelece o "estatuto da Igreja Católica no país", seus direitos e, principalmente, suas imunidades, dispõe que o ensino religioso nas escolas públicas será "católico e de outras confissões religiosas".
A Procuradoria propõe que o STF entenda que o ensino da religião deva ser não-confessional, tratado como história das religiões e ministrado por professores leigos -nem católicos, nem de outras igrejas.
O conteúdo da disciplina consistiria apenas na exposição de doutrinas, das práticas, da história e de dimensões sociais das diferentes religiões e também das posições não religiosas, ou atéias.
O modelo de ensino religioso, não confessional, seria o único que não implicaria endosso a qualquer crença ou posição religiosa e, portanto, o único compatível com o Estado laico, segundo a petição do Ministério Público.
A possibilidade de que haja professores de diversas confissões religiosas, de fato, não elimina a preferência por uma religião. Apenas as religiões majoritárias têm membros em condições de participar das escolas, nos mais diversos municípios do país.
As escolas públicas não são, efetivamente, o local mais adequado para o ensino religioso.
Dada a separação entre o Estado e a Igreja, o papel de doutrinar espiritualmente as crianças não deve ser atribuído ao poder público, mas às famílias, em seu espaço privado, e aos órgãos confessionais de cada crença.
Já vai longe o tempo em que direito e religião se confundia no país. Durante dois séculos, vigoraram no Brasil as Ordenações Filipinas, estabelecendo diversas condenações de cunho religioso, como penas para a heresia e a blasfêmia.
A separação Igreja-Estado nos distingue das teocracias que ainda permanecem vivas, em que os julgamentos se impregnam de conteúdos morais, confunde-se crime e pecado, e as penas têm caráter fortemente intimidatório e violento. Foi assim, por exemplo, durante o governo Taleban, no Afeganistão e vem sendo no Irã, desde a revolução islâmica de 1979. Não por coincidência, regimes que praticam a lapidação (apedrejamento).
O julgamento da ação no STF deverá ser precedido, se atendido o pedido da Procuradoria Geral da República, de audiência pública, o que permitirá que várias linhas de pensamento, inclusive e principalmente as religiosas (como também aconteceu no julgamento da utilização de células tronco-embrionárias), se expressem.
Embora a questão judicial ainda esteja restrita à delimitação do ensino religioso, ela se articula diretamente com outros pontos polêmicos envolvendo a natureza laica do Estado, como a afixação de símbolos religiosos em prédios públicos.
Na última vez que a questão foi submetida a um órgão do Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça negou a retirada de crucifixos dos fóruns, afirmando a vinculação destes a tradições culturais do país.
A questão é delicada e ressuscita o controvertido limite, entre a amplitude da liberdade religiosa e o constrangimento aos membros de outras religiões, obrigados a freqüentar os espaços públicos marcados pela fé alheia.
A melhor forma de preservar a liberdade religiosa de todos é tratar a religião como manifestação íntima, privada, a qual o Estado não deve estimular, nem tampouco reprimir.
O uso de símbolos religiosos em espaços públicos, como a sede de tribunais, ofende a laicidade, por conferir um estatuto oficial à determinada religião, qualquer que seja ela.
Mas as manifestações religiosas de cunho particular, como a utilização de vestes, tal qual o véu islâmico, não podem ser vedadas justamente pelas garantias da liberdade individual e de crença, previstas na Constituição.
Ao Estado laico, portanto, não cabe fomentar a catequese nem admitir a discriminação.

Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de "Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho" (LTr) e autor de "Crime Impossível" (Malheiros) e do romance "Certas Canções" (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

OS NOVOS "CRISTÃOS" DO MUNDO MODERNO




História da igreja
A IGREJA CRISTÃ CONTEMPORÂNEA foi fundada no Rio de Janeiro em 10/09/2006. É uma denominação inclusiva, que prega o livre acesso a todas as pessoas ao Evangelho de Jesus Cristo. Possui destaque por aceitar as pessoas, independentemente da orientação sexual.


A história da igreja se confunde com a do seu fundador, o Pastor Marcos Gladstone, que se converteu ao Evangelho de Jesus aos 14 anos de idade, cresceu na fé na Igreja Evangélica Congregacional, foi noivo por quatro anos e prestes a se casar, estando ao lado da sua noiva numa igreja pentecostal no subúrbio do Rio de Janeiro em 1998, recebeu duas profecias de duas senhoras diferentes, mas de mesmo conteúdo, que em suma, seria que o mesmo receberia uma grande revelação sobre a sua vida nos Estados Unidos, em janeiro de 1999, em San Francisco, Califórnia, EUA. O Senhor Jesus revelou que sua orientação sexual era algo que jamais poderia mudar ou fugir daquilo que era e foi constituído por Deus para ser. Retornando ao Brasil, termina seu noivado e se afasta da igreja por não aceitar homossexuais.


Distanciado da igreja, o mesmo não se conformava em ter a aceitação de Deus e não existir um local de adoração que permitisse a adoração a Deus na forma como era. Em 2002, soube através de um pastor amigo seu, que lhe confessou ser homossexual, sobre uma denominação americana que recebia gays.


Em 2003, passa um período de muita dor familiar com o falecimento da avó no ano anterior e uma doença grave que atingia a coluna da sua mãe, onde depois de ter feito vários tratamentos e exames, já caminhando com moletas, sua mãe visita uma pastora que possui ministério de cura. No primeiro dia que sua mãe chegou àquele local, recebe a revelação que seria curada, sem qualquer intervenção cirúrgica médica e que o mesmo Jesus que a curaria era o mesmo que tinha chamado o seu filho para usá-lo para um ministério que mudaria a vida de milhares de pessoas que foram lançadas para fora do reino de Deus. Um chamado que revolucionaria o Brasil e o mundo!


No mesmo ano de 2003, sua mãe foi milagrosamente curada e Marcos Gladstone foi consagrado pastor interino. De uma reunião realizada a céu aberto com três pessoas (o Pastor Marcos e mais dois jovens) nas areias da praia de Ipanema, no ano seguinte, em 2004, abrem o primeiro templo daquela igreja norte-americana no Brasil. Um mês antes da inauguração, a mesma pastora que profetizou sobre o seu ministério agora o informou que Deus a tinha revelado que aquele ainda não era o ministério que Deus o usaria e que em breve haveria um desligamento do pastor do ministério norte-americano. E, assim foi, muita mídia, muita divulgação, semelhante a uma explosão de refrigerante, foi balançado saiu com toda pressão, mas rapidamente acabou o gás e ficou insosso. Em 2005, o pastor Gladstone saiu oficialmente do ministério norte-americano.


Em 2006, quando tudo parecia um sonho frustrado, um novo direcionamento do Espírito Santo faz nascer a Igreja Cristã Contemporânea, 20 pessoas, num terceiro andar de um sobrado na Lapa, que não imaginavam que pouco tempo depois este povo se tornaria uma grande nação.


A Palavra de Deus diz: “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se quebra tão depressa.” (Eclesiastes 4, 9-12).


“Melhor é serem dois”... na verdade, para que o Senhor pudesse estabelecer o ministério contemporâneo, uma peça fundamental ainda faltava na vida do seu fundador - o companheiro, o pastor Fábio Inácio, carioca, que outrora havia sido pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, tendo se afastado desta por causa da  homossexualidade.


A Igreja Cristã Contemporânea foi erguida em cima do amor deste casal, para levar o amor de Deus a todos sem preconceitos. Agora a obra estava completa para o Espírito Santo se manifestar, agora estavam juntas as três dobras do cordão do Senhor (pastor Marcos Gladstone, pastor Fábio Inácio e o Senhor Jesus).


Classificada como neopentecostal, a igreja rege-se pelo regime episcopal ou como chamado habitualmente regime apostólico.


A visão é a de ser um ministério profético, inspirado na Palavra de Deus para levantar uma raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamar as virtudes daquele que chamou uma nação das trevas para a sua maravilhosa luz, um povo que antes não era povo, mas agora é povo de Deus; que não tinha alcançado misericórdia, mas agora alcançou misericórdia. (1Pedro 2, 9-10). Para levar Cura, Amor e a Palavra de Deus para muitas pessoas que estavam sem um abrigo espiritual. Levando o amor de Deus a todos sem preconceitos!



Missão
A missão é a de ser testemunha contemporânea de Jesus Cristo que ao seu tempo adequou um chamado vivo de comunhão com Deus à sociedade e a religião de sua época. É um ministério profético, inspirado na Palavra de Deus para levantar uma raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamar as virtudes daquele que chamou uma nação das trevas para a sua maravilhosa luz, um povo que antes não era povo, mas agora é povo de Deus; que não tinha alcançado misericórdia, mas agora alcançou misericórdia.” (1Pedro 2, 9-10).



Visão e valores
VISÃO

Pregar boas novas, restaurar e curar corações, proclamar liberdade e a abertura das prisões espirituais pelo Espírito Santo que foi liberado pelo Sacrifício que Jesus fez na cruz do Calvário para todas as pessoas. “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos.” (Isaías 61,1)


VALORES

Amor e fidelidade - a Deus, a Igreja Contemporânea e ao próximo, este último também se refere ao companheiro, para nós o relacionamento é algo santo, monogâmico e de amor e fidelidade absoluta.;


Transformação – pregamos um Evangelho de transformação de vida, recomeço, mudanças de dentro para fora;


Unidade – “E era um o coração e a alma da multidão dos que criam”... (Atos 4, 32) A contemporânea é um só coração e alma. Venha somar e não divergir. Neste valor temos um princípio muito importante a ser observado o da obediência espiritual “...reconheçais os que trabalham entre vós, presidem sobre vós no Senhor e vos admoestam; e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da suas obras. Tende paz entre vós. Exortamos-vos também, irmãos, a que admoesteis os insubordinados...” (1 Tessalonicenses 5, 12-14). Não é apenas no mundo físico que Deus estabeleceu autoridades que devem ser obedecidas por cristãos. No mundo espiritual Deus também estabeleceu autoridades espirituais que devem ser respeitas e amadas. Temos como pecado de “desobediência” infamar o ministério contemporâneo ou pessoas que compõem a sua liderança. Veja que o Rei Saul perdeu seu reinado por desobediência a Palavra dada pelo profeta do Senhor. “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniqüidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.” (1 Samuel 15, 23) A melhor forma de acabar com situações de pessoas que tentam denegrir a imagem do ministério é levando os nomes e a situação imediatamente ao pastor e aos diáconos. Na Contemporânea combatemos o mal pela raiz, pois é melhor tirar a “semente do mal” enquanto está brotando do que deixar uma “árvore de fofoca” crescer em nosso meio;


Santidade – nosso corpo e atitudes devem ser santos, pois somos templo do Espírito Santo. Para nós não é pecado nem a heterossexualidade, nem a homossexualidade, mas sim como cada pessoa independente da sua orientação leva a sua vida sexual. Por exemplo, um rapaz heterossexual que tem sua companheira e sai na rua paquerando ou ficando com outras mulheres está em pecado, mas já um rapaz homossexual que vive um relacionamento estável com outro rapaz, cuidando e zelando do seu companheiro, sem traí-lo, claro que tem uma vida santa.;


Consagração – um contemporâneo ora ajoelhado, jejua, busca o Espírito Santo e seus dons, se consagra e lê a bíblia constantemente (recomendamos como primeira leitura bíblica “Atos dos Apóstolos” e “1 Pedro”; referencial – “sê o exemplo dos fiéis...” (1 Timóteo 4,12) O Contemporâneo é bom exemplo, foge da aparência do mal, não vai à lugares comprometedores... O cuidado é redobrado com a sua imagem, porque sabe que a sua imagem é a Imagem da Igreja Contemporânea, a imagem da Igreja Contemporânea é a imagem de Deus. Quando for requerido um bom exemplo de Ministério, a Contemporânea tem que ser o bom exemplo. Quando for mencionado um pastor apto, tem que ser o da Contemporânea. Quando for necessário um modelo de exemplo de vida é o seu que deve ser citado;

Não acepção de pessoas – É tolice achar que a Contemporânea se limita a inclusão de homossexuais. Graças ao Senhor, somos uma igreja de mães, pais, irmãos, filhos e amigos independentemente de orientação sexual. Para nós todas as pessoas têm um grande valor em Jesus, entendemos que “os menores frascos guardam as melhores fragrâncias de perfumes”, assim muitas vezes será do conteúdo deste “menor frasco” que Deus mais nos abençoará. Não diferenciamos pessoas por questões de beleza, cor, raça, gênero, status social ou financeiro e nem orientação sexual. O maior número de homossexuais na igreja se dá em razão, simplesmente, destes serem banidos das outras igrejas. Os religiosos homofóbicos excluem, mas nós incluímos. Aprenda porque a Bíblia não condena a homossexualidade lendo o livro: “A BÍBLIA SEM PRECONCEITOS” ou acessando o link “homossexualidade” no site;

Compromisso financeiro - Oferta - é um presente de gratidão trazido nos cultos por amor ao Senhor. Dízimo – é a separação da décima parte (ou quanto o Espírito Santo tocar para que a pessoa contribua, podendo até ser mais que o estipulado na Bíblia) das suas rendas para Deus. No tempo da perfeição no "Jardim do Éden", Deus separou uma árvore que não podia ser tocada, hoje da mesma forma no Reino de Deus os seus filhos que caminham em busca da perfeição em Jesus têm o privilégio de reconhecer a Deus como Senhor das suas finanças, não tocando em parte de seus valores para oferecer a Deus. Lembre-se que se você encontrou as portas abertas da Igreja Cristã Contemporânea foi porque filhos de Deus mantêm com o seu amor a sua obra. Quando você se permitir que Deus seja de fato Senhor de suas finanças verá que Deus nunca diminui e só multiplicará suas finanças, pois a oferta e o dízimo que você dá ao Senhor é uma semente que milagrosamente crescerá abundantemente. “Semeou Isaque naquela terra, e no mesmo ano colheu cem vezes mais; porque o Senhor o abençoava. E engrandeceu-se o homem; e foi-se enriquecendo até que se tornou muito poderoso; e tinha possessões de rebanhos e de gado, e muita gente de serviço...” (Gênesis 26, 12-14). O seu dízimo é a sua semente. Jamais verá um fazendeiro comendo as sementes que deve plantar, pois sabe que se assim o fizer não terá pala plantar e nem para colher no futuro. No mundo espiritual é da mesma forma. Entenda que deve separar seu dízimo e oferta como as sementes que trarão a multiplicação de Deus para a sua vida.


  
Fundador
                                                                         


O PASTOR MARCOS GLADSTONE tem um relacionamento de amor e fidelidade com o pastor Fabio Inacio. É fundador da Igreja Cristã Contemporânea. Palestrante, teólogo devidamente reconhecido pelo Conselho Federal de Teólogos do Brasil, especialista em teologia pós-graduado nesta área pela Universidade Metodista Bennett do RJ. É um pioneiro no ministério cristão inclusivo no Brasil, onde milita desde o ano de 2002. Publicou a primeira página de internet em idioma português do mundo sobre a Bíblia e a homossexualidade na visão de aceitação aos homossexuais em 2002. É um líder religioso respeitado pela sua ousadia na luta contra homofobia religiosa. Ministra em igrejas, organizações, congressos e universidades no Brasil e no exterior. Recebeu prêmios em organizações e denominações nacionais e internacionais por sua liderança. Secularmente é advogado, pós-graduado em Direito, já desempenhou funções e cargos de grande relevância nos poderes executivo, judiciário e legislativo.



ULTIMAS NOTÍCIAS DA IGREJA


casamento_anne_kedmaNo Dia da Independência do Brasil, Anne Flores, de 31 anos, e Kédma Costa, de 33 anos, celebraram também a libertação delas. As duas se casaram numa cerimônia realizada nesta terça-feira, no Clube Monte Líbano, na Lagoa. O evento foi promovido pela Igreja Cristã Contemporânea. A denominação evangélica é mais liberal e recebe fiéis da comunidade LGBT — sigla para lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.

Como a união de pessoas do mesmo sexo não é reconhecida legalmente no Brasil, as noivas assinaram um contrato de união homoafetiva.

Antes do casamento, um culto celebrou os quatro anos da igreja. Caravanas com fiéis vindas de Minas, São Paulo e do interior do Rio lotaram o clube. Anne e Kédma subiram ao palco durante o culto para cantar músicas religiosas. As duas se conheceram numa igreja evangélica no Mato Grosso do Sul, onde nasceram, e chegaram até a igreja fundada pelos pastores Marcos Gladstone e Fábio Inácio, que também são casados. Segundo eles, já são pelo menos 800 fiéis nas quatro sedes Igreja Cristã Contemporânea: Campo Grande, Centro, Nova Iguaçu e Belo Horizonte.

Juntas há sete anos, Anne e Kédma dizem estar estudando juntas com o objetivo de se tornarem pastoras.

— Há um ano, os pastores Marcos e Fábio celebraram o casamento deles e fomos madrinhas. Não esperava casar tão rápido — disse Kédma.

As duas subiram ao altar vestidas de noiva e ao som da marcha nupcial. Anne comentou a importância da data:
— Estamos comemorando nossa comunhão com Deus e nossa aliança de amor.


INTERPRETANDO A IGREJA CRISTÃ CONTEMPORÂNEA


Esta aí, mais uma nova religião que se diz seguidora do evangelho de Cristo. Infelizmente é mais uma religião que não segue uma interpretação hermenêutica e nem exegética das Escrituras séria. Quero ressaltar, que não tenho nada contra os gays, mas como as igreja que pregam a teologia da prosperidade e outras doutrinas, que na minha visão teológica não tem embasamento bíblico, esta religião se adaptou a uma realidade existente, pois, os homossexuais sempre foram colocados de lado pela a Igreja.


Não quero dizer que as igrejas, estão corretas neste sentido, pois, pecado esta na ordem do absoluto e não do relativo, ou seja, a homossexualidade não é pior do que outros pecados que praticamos, mas isso não justifica distorcer as Escrituras para embasar uma falsa doutrina. O que fazer com os textos que condenam a homossexualidade? Certamente, este é um problema difícil de resolver, a não ser que os arranque da Bíblia ou dê uma outra tradução, seguindo o exemplo de Charles Russel das testemunhas de Jeová, que inventou uma nova tradução das Escrituras.


O que Jesus acharia dessa nova religião???


Tire suas próprias conclusões.




Referência Bibliográfica:


www.igrejacontemporanea.com.br/j15/index.php?option=com_content&view=frontpage&Itemid=1

terça-feira, 17 de agosto de 2010

OS ADVERSÁRIOS DA IDÉIA DE DEUS


"Como pensam os que acreditam que a religião cristã é não somente falsa, como nociva, tendo contribuído para a permanência da obscuridade e impedido o avanço da razão e do progresso científico, político e moral"


O francês Voltaire e os alemães Nietzsche e Marx: texto apresentado segundo estes três principais opositores da idéia de Deus e da religião. 

O debate sobre a existência de Deus, que ocupou o cerne do debate filosófico durante séculos, encontrou, como não poderia deixar de ser, em antítese ao pensamento de ardorosos defensores da fé e da religiosidade, igualmente virulentos adversários e combativos livre-pensadores, que tinham como objetivo a demonstração de que a religião cristã não era somente falsa, mas também nociva, uma instituição repressiva que contribuia para a permanência do obscurantismo, da ignorância, e para o impedimento do avanço da razão e do progresso científico, político e moral.

Tal foi o caso de parte do Iluminismo no século XVIII. A partir do desencantamento do mundo e da matematização da natureza operada pela física de Galileu, que ao afirmar que a Terra não era o centro do universo, mas o Sol, descoberta científica que o conduziu às barras dos tribunais da Inquisição, uma plêiade de pensadores se encaminhou cada vez mais para uma atitude de repúdio crítico, ou de aberto confronto com a religião estabelecida. O caso mais célebre, suponho, é o de Voltaire.

Formado pela tradição do empirismo inglês de John Locke, que afirmava que todo conhecimento possível passa pelos sentidos humanos, retrabalhados pela razão, Voltaire elegeu, como primeiro adversário, a superação do pensamento de Pascal, a quem chamava de "aublime misantropo". Os argumentos pascalianos, que insistiam no caráter miserável da condição humana, com o intuito de constituir uma apologética do cristianismo e uma conversão para Deus, são criticados por Voltaire, que se vale da idéia de common sense, rejeitando as sutilezas da metafísica e propondo explicações naturais, racionais e científicas para os fenômenos do mundo, da cultura, da sociedade e do espírito.

O problema da existência do mal, como já aludimos, sempre foi um espinho na crença cristã. Uma vez que Deus é concebido como um ser absolutamente bom e perfeito, e a existência concreta do Mal no universo, incontestável, as duas proposições parecem antitéticas, ou negarem-se entre si: como pode um ser de infinita bondade permitir a vigência do mal entre os homens, criaturas constituídas à forma e semelhança divinas?

Duas soluções básicas foram oferecidas para o problema. A primeira, na teologia de Agostinho, é negar o caráter ontológico do mal. Para Agostinho, o mal não existe, sendo antes uma carência do bem, uma ausência do bem. Não há para o Bispo de Hipona um mal positivo, efetivamente existente.

Nos esforços de teodicéia de Leibniz e Shafstebury, por sua vez, o mal é assim compreendido graças à fraqueza do entendimento humano. Caso pudéssemos compreender a totalidade das relações causais do universo, ou seja, caso tivéssemos acesso a uma visão da totalidade, só atribuível a um Deus onisciente, nos daríamos conta de o que o que chamamos de mal, em eventos singulares, é na verdade a melhor solução possível na economia completa do universo. Segundo a célebre frase do otimismo metafísico de Leibniz, "vivemos no melhor dos mundos possíveis", onde tudo é concebido por um Deus bondoso e infinatamente sábio, da forma melhor e mais perfeita para a vida dos homens e de todos os seres.

Voltaire em seu Cândido ridicularizará, por intermédio da saborosa figura do Dr. Pangloss, o otimismo do pensamento leibniziano. Mesmo em face dos maiores horrores, o impávio Dr. Pangloss argumentará que vivemos nos melhor dos mundos possíveis, de forma muito semelhante àquela sustentada por Leibniz.

Como nos explica Ernest Cassirer no capítulo dedicado a idéia da religião em seu estudo clássico A filosofia da ilustração: "Aqueles que sustentam que tudo é bom não são mais que charlatães. Confesse-se que o mal existe, e não se ajunte a todos os horrores de nossa existência o zelo de negá-lo. Mas, se este é o caso, Voltaire se declara a favor do ceticismo teórico e contra a teologia e a metafísica, por via direta se encontra prisioneiro da demonstração de Pascal que pretendia rebater.Porque ao menos no resultado, se encontra na mesma posição de Pascal".

O cético e terrível polemista Voltaire, cujo brado notórico de Écrasez l'infame (esmaguem a infame) -, e o adjetivo pejorativo não se refere aqui a nada menos que a Igreja Católica - se encontraria, segundo Cassirer, no mesmo plano do cristianismo radical, representado pelo jansenismo de Pascal. Como podemos dar conta de tal contradição aparente?

A resposta é simples. Na sua busca de uma apologética da religião cristã, Pascal não se cansa de demonstrar a incapacidade e a insuficiencia da razão humana - se destituídas da revelação divina - que, ao voltar-se apenas a si própria, atingiria o ceticismo, ou seja, sem o concurso de Deus chegaríamos apenas à conclusão de nossa própria ignorância a respeito do mundo, da moral, da política, das ciências e das artes.

Quando Voltaire confronta o problema da existência do mal e dos esforços de teodicéia do pensamento cristão, sustenta contra eles uma espécie de ceticismo prático, ou seja, a idéia de que o pensamento racional não deve se ater a nenhuma esfera de transcedência, como a defendida através das delicadas e intrincadas argumentações da escolástica de São Tomás de Aquino. Curiosamente, portanto, o polemista ateu que se vale de sua pena como arte de combate através do humor, e busca opor-se violentamente ao pensamento cristão, a partir do problema fundamental da teodicéia, termina por se encontrar ao lado do catolicismo radical de Pascal.

Como bem aponta Cassirer na obra citada, a posição de Votaire é um tanto sistêmica, irregular e talvez pouco sólida teoricamente, no percurso de sua vida. O que parece fazer sentido em um espírito tão avesso ao aspecto sistemático da filosofia e ao caráter restritivo da moralidade religiosa, por exemplo. Em sua juventude, Voltaire advogou uma posição hedonista, ou seja, a da existência voltada para os prazeres e luxos da vida mundana. O terremoto que destruiu Lisboa, com amarga ironia no Dia de Todos os Santos - 1º de novembro de 1755 - , e arrasou uma das mais belas capitais da Europa, ascendeu a chama das discussões filosóficas acerca da existência de Deus e do problema do mal, e produziu uma profunda impressão em Voltaire.

Sua posição então se transforma. É impossível negar a existência do mal, como a catástrofe que se bateu sobre Lisboa demonstra. Não podemos nos manter nos limites escritos de um otimismo filosófico inocente e paralisador, ao contrário, para Voltaire, o mal existe como um desafio para o espírito, para o desenvolvimento progressivo das luzes e da moralidade, para o avanço da civilização. È portanto nesse caráter de atividade do espírito, constantemente movido e instigado a partir dos males do mundo, e nesse combate perpétuo e não mais no relaxamento dos prazeres, na defesa do hedonismo, que se deve dar a felicidade humana, o espectro possível da realização da existência dos homens.

Quando se toca no tema do ateísmo e no combate a religião cristã, outro nome como que desponta, imediatamente, ao espírito. O nome do autodenominado "anticristo", o homem que ensinava a "filosofar com o martelo": Friedrich Nietzsche. Oriundo de uma família religiosa (o pai era um pastor luterano), estava destinado a seguir carreira paterna, tendo até estudado teologia.

A partir dos estudos de filologia antiga, nos quais se destacou com brilhantismo, Nietzsche volta-se para o pensamento grego, e extrai daí conclusões inéditas e surpreendentes. Para ele, os males da civilização, a decadência da cultura que diagnosticou no século XIX, se devem à confluência de duas vertentes igualmente falsas, prejudiciais, quais sejam, a influência da moralidade e do pensamento judaico-cristão, e a racionalidade e metafísica filosóficas, cujo início remontaria, para o filósofo, a Sócrates e Platão.

Já em sua obra de juventude O nascimento da tragédia e o espírito da música, Nietzsche estabelecerá uma divisão que se tornou conhecida, mas mas que vale ser lembrada, entre o espírito apolíneo e o dionisíaco. Segundo Nietzsche, os gregos antigos compreendiam a necessidade da combinação do caráter racional, solar, ordenado, da forma e da beleza, epítetos aplicados a Apolo, o deus grego da forma e da razão, com os aspectos caóticos, irracionais, violentos, próximos da insanidade de Dionísio, o deus do vinho, da festa, da orgia, dos sentidos. Não é difícil notar o motivo pelo qual o pensamento de Nietzsche exerce uma sedução sobre os psicanalistas (Freud afirmou, certa vez, evitar a leitura de Nietzsche, pois parecia que a teoria psicanalítica já se encontrava ali expressa, em potência); o aspecto dionisíaco da alma humana, sublinhado por Nietzsche, aproxima-se muito ao que a moderna psicanálise chamaria de pulsões do inconsciente.
A separação entre o apolíneo e o dionisiaco, entre Lógos e Eros, entre a razão eo inconsciente foi realizada, segundo Nietzsche, por Sócrates e seu dileto discípulo Platão. Ao conceder toda hegemonia ao caráter racional da existência, ao predomínio totalitário da razão filosófica sobre os instintos irracionais, Sócrates negava a vida. é esse aspecto de totalidade da experiência humana que Nietzsche admira na na força do povo grego, e que afirma haver sido destruído pelo racionalismo socrático.

A metafísica platônica, ao localizar a verdade, o bem e o belo em uma esfera transcendental, aprofunda a cisão iniciada pelo pensamento socrático. Para Nietzsche, o idealismo platônico, e de todos os filósofos posteriores, que julga metafísicos, não foi senão uma tentativa de localizar o sentido da existência humana em outro plano que não o da vida dos homens na Terra. Somos, para Nietzsche, "humanos, demasiado humanos" e é nessa condição que devemos buscar a realização de nossa humanidade.

A religião judaico-cristã colaboraria para os erros da cisão entre o apolíneo e o dionisíaco, ao apontar para o homem cuja realização plena só se pode dar na salvação, num plano transcendente, divino. Além disso, segundo ométodo genealógico de Nietzsche, a moralidade judaico-cristã da piedade, da fraternidade, da caridade é uma "moralidade de escravos", ética do rebanho, que nega os valores poderosos e vitais da existência, e a força de espíritos superiores.

Nietzsche defendia o "niilismo acabado", que seria realizado através do Ubermensch, o além-do-homem. Apesar da posterior incorporação do pensamento de Nietzsche ao nazismo (ele se tornou o filósofo oficial do Terceiro Reich de Hitler), a partir da falsificação dos textos e simplificação excessiva de sua filosofia, o além-do-homem nietzschiano não guarda traço de similitude com o homem ideal ariano.

O além-do-homem é aquele que conseguiu compreender os erros da metafísica, da racionalidade ocidental e da moralidade de escravo judaico-cristão, e pratica o amor fati, ou seja, que ama a existência em tudo o que esta possa oferecer em prazer, alegria, realização, mas também em dor, em desesperança, em sofrimento, em trevas. O além-do-homem, o espírito livre, o Zaratustra de Nietzsche é o mestre que não reconhece mestres, é o sábio que superou os sábios, é o niilista que superou o niilismo.

Seria de indagar qual o grau da crítica de Nietzsche, seu poder efetivo, e sua atualidade. Nietzsche não estaria próximo demais da adoção do irracionalismo, e, tudo bem pesado, a doutrina do amor fati, do dizer sim incondicionalmente à vida, não seria uma forma refinada do que chamaríamos, em jargão marxista de ideologia e conformismo? (o pensador marxista de Frankfurt, Theodor Adorno, chegou a afirmar que o amor fat de Nietzsche é o "amor que o prisioneiro sente pela própria cela").

A passagem aqui foi intencional, pois comentaremos a seguir outra notável oposição à idéia e da religião: o pensamento do materialismo histórico de Karl Marx e de seus seguidores. Para Marx, a religião tem o efeito ideológico de obnubilar a capacidade de consciência dos proletários de sua condição de explorados numa trama de relações sociais perversas. Note-se que para Santo Agostinho um cristão deve abster-se das preocupações com a política terrena, já que só encontrará a felicidade na "Cidade de Deus", no reino dos céus.

O cristianismo, portanto, para Marx, admirável adversário de toda espécie de metafísicas e abstrações, ao recusar a história e a luta de classes, colaboraria para manter garantidos os grilhões da opressão capitalista. A liberdade humana deve se realizar na Terra a partir da consciência da distinção entre classes e do mecanismo da luta de classes, e da atividade revolucionária.

As revelações burguesas destituíram a aristocracia e seus privilégios de nobreza, e instauraram os ideais de igualdade, liberdade e fraternidade, lema da Revolução Francesa de 1789, abrindo caminho para a instituição do Estado burgês e capitalista. Porém, uma vez no poder, a burguesia traiu seus próprios ideais reformistas e liberais, como expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, e tornou-se, ela mesma, reacionária, uma espécie de nova aristocracia (vide apoio dos burgueses franceses ao massacre do levante operário durante a Revolução de 1848).

A revolução socialista, levada a cabo pelo proletariado, continuaria o movimento histórico rumo ao caminho da liberdade e da realização humanas. Para Marx, também somos humanos, demasiado humanos, mas ao contrário de Nietzsche, não se trata de apregoar a vida de um "espirito livre" ou niilista, mas de um combate real e revolucionário para destruir a sociedade do fetichismo da mercadoria, o capitalismo e sua capacidade destrutiva e opressora, impeditiva de plena realização humana.

Voltaire, Nietzsche e Marx, cada um à sua maneira, foram poderosos adversários da idéia de Deus, poderiamos ter acrescentado Darwin e Freud, mas será tema para outras postagens. Todos eles participaram do pensamento crítico das contradições da modernidade. E continuam a fornecer substrato para a reflexão acerca das relações entre a religião e o poder, a felicidade humana e a prática política, a vida justa e a vida feliz.


Referência Bibliográfica:


__________. Revista Biblioteca Entre Livros, Duetto Editorial, 2007.

sábado, 14 de agosto de 2010

"O MUNDO DE SOFIA" - UM ROMANCE DA HISTÓRIA DA FILOSOFIA


Por Rosana Madjarof

O livro intitulado O Mundo de Sofia é um romance envolvente que, de forma natural e didática, introduz a História da Filosofia dando rápidas pinceladas sobre o seu desenrolar no Ocidente. Levanta as principais questões estudadas pelos pensadores de todos os tempos, vivo exemplo da inquietude humana e da instintiva busca por referenciais de conduta: Deus, o Universo, o Homem, a Sociedade e a História.
Sofia Amudsen, personagem central de O Mundo de Sofia, é uma jovem estudante que vê a sua vida mudar completamente por conta de cartas anônimas com as mais diversas questões existenciais: Quem é você? De onde você vem? Como começou o mundo? Ao escrever de forma nada erudita, com narrativas em estilo romancista, o escritor Jostein Gaarder nos conduz ao fantástico mundo da história da filosofia e o que se apresentava antes como intangível e misterioso se revela diante de nossos olhos como fascinante e indispensável: a filosofia.
O autor mostra que, no início, era necessário a utilização do pensamento mitológico para que as pessoas pudessem compreender os processos naturais a sua volta e, ainda hoje, podemos observar características desse pensamento, como, por exemplo, algumas superstições.
Logo após a vitória de Atenas, apareceram os chamados filósofos da natureza que começaram refletir o mundo. São também conhecidos como pré-socráticos, e seu principal pensador foi Demócrito, com a sua teoria do átomo.
Após o desenvolvimento de tais teorias sobre a natureza do mundo, começaram a aparecer filósofos que se concentraram em descobrir a natureza do homem, sua relação com o mundo e a melhor forma de bem viver com este e consigo próprio, dando origem ao pensamento ético e moral baseado na razão, primórdio para uma feliz e reta vida.
O primeiro grande filósofo grego, mundialmente reconhecido foi Sócrates. Sócrates preocupou-se em descobrir e depois ensinar as pessoas que o verdadeiro conhecimento vem de dentro e só este pode lhe fornecer o discernimento necessário para a vida, sendo este só possível através do emprego da maior faculdade do Homem: sua razão. Platão foi o responsável pelo registro do pensamento socrático, realizado através de seus diálogos, preservando a retórica na escrita. Suas principais preocupações giravam em torno daquilo que seria eterno e imutável, a origem de todas as coisas que vemos e como podemos defini-las quando as observamos. Da academia de Platão surgiu o terceiro e último grande filósofo da Antigüidade: Aristóteles. Grande cientista, pesquisador de várias áreas do saber, não só o da filosofia, foi um dos fundadores da pesquisa empírica e da noção de classificação natural de espécie, sendo seus moldes a base do desenvolvimento e separação das ciências como as conhecemos ainda hoje.
Já na época de Aristóteles o império grego começara a se desfazer ante o avanço do império macedônio de Alexandre Magno. Filosoficamente, várias ramificações do pensamento socrático e platônico ocuparam seu devido espaço na procura de uma concepção humana de vida.
Havia, já no período do Império Romano, que sucedeu o macedônio, dois círculos culturais distintos, o indo-europeu e o semita. Nesta situação de encontro entre tais correntes aparece aquele que foi profetizado pelo povo israelita, o filho de Deus, Jesus de Nazaré. Por sua filosofia também foi morto, como Sócrates. Após sua morte e notícias de sua ressurreição, o apóstolo Paulo disseminou sua filosofia e as revelações bíblicas, formando, em pouco tempo, comunidades cristãs por toda a Europa.
Nesse período histórico conturbado e evolutivamente estagnado a Igreja Católica firmou seu poderio moral-ético-religioso. Desta doutrina, portanto, surgiram os principais filósofos da Idade Média. Esta filosofia católica foi uma forma de unir a base indo-européia grega, de Platão e Aristóteles, a teologia do Velho e Novo Testamento. O primeiro a conseguir eficiência em sua tarefa foi Santo Agostinho. Este monge procurou conciliar a teologia cristã ao neoplatonismo. Outro importante filósofo foi Tomás de Aquino, responsável pela conciliação das teorias de Aristóteles com os ensinamentos e cultura bíblicas.
O Renascimento foi a realização de uma retomada do humanismo grego, sendo, entretanto, uma de suas principais características o individualismo. Isso ocorreu devido a mudança da concepção da natureza da vida humana e a própria visão deste do mundo e de si mesmo: começou-se a medir o mundo através dos conhecimentos e da experiência real do ser.
A partir desta nova visão de mundo, pouco tempo depois surgiram teorias e formas de se viver opostas irreconciliáveis. O século XVII é conhecido como período Barroco, pois as formas não são mais suaves, e sim, opulentas e agressivas, cheias de contrastes, o que exteriorizava as tensões do consciente mundial da época.
Em virtude destes acontecimentos nasce René Descartes, responsável pela reunião do pensamento contemporâneo num único e coerente sistema filosófico. Dentre as várias teorias desenvolvidas deve-se destacar além de Descartes, Spinoza, segundo o qual "...Deus não é um manipulador de fantoches...".
O otimismo cultural era reinante nesta época, pois todos acreditavam que seria uma questão de tempo para que a irracionalidade não mais desempenha-se uma força tão vital em relação ao Homem, ao mesmo tempo que buscavam uma religião natural − esta religião estaria em contato com a estrutura natural do ser.
A última grande época de desenvolvimento humano, que veio logo após o Iluminismo, foi o Romantismo, já que depois apareceram novas teorias e concepções de mundo em campos distintos do conhecimento: Marx na economia, Darwin na biologia, Freud na psicologia.
Dentre os filósofos românticos o de maior destaque foi Hegel. Contribui para a concepção de que existem verdades maiores que a razão humana e a filosofia, portanto, não poderia ser desvinculada da época a qual se desenvolveu, tendo então, todo pensamento, um contexto histórico. Desenvolveu a teoria de tese, antítese e síntese, provando sua teoria do dinamismo da razão humana.
No mesmo tempo em que de desenvolvia o pensamento de Marx, crescia na Europa uma corrente científica conhecida com Naturalismo, tendo como seu principal representante a figura de Charles Darwin. Darwin propôs a teoria da Evolução das Espécies.
Por fim, destacamos como última grande teoria mundial a do Big Bang. Através desta, os astrônomos explicam que a atual expansão do universo deveu-se a uma grande explosão ocorrida em seu centro.
Mas, correlacionando-se tais dados com a eterna pergunta "de onde nós viemos?", pode-se fazer um paralelo com as teorias mais antigas, do dia e noite de Brahma no hinduísmo, ou o faça-se a Luz da Bíblia, ou a explosão do centro do Universo, no Big Bang? As idéias humanas giram ciclicamente em torno das mesmas perguntas, mas as respostas, com o passar das eras, são cada vez mais sutis, análogas e abrangentes.
A partir desse breve entendimento sobre a obra "O Mundo de Sofia", espero ter contribuído para que meus leitores interessem-se em ler a obra em toda a sua íntegra. Vale a pena!

Referência Bibliográfica: 

GAARDEN, Jostein. O Mundo de Sofia. São Paulo, Cia. das Letras, 4 ed., 1995.