sexta-feira, 19 de março de 2010

APRENDENDO A LER A BÍBLIA

INTRODUÇÃO

A interpretação bíblica é essencial para a compreensão e para o ensino correto da Bíblia. Certas pessoas "adulteram a palavra de Deus" intencionalmente, conforme cita II Coríntios 4.2. Por isso é necessário observar e entender o significado, compreender o sentido para a época, depois entender o que a mensagem bíblica quer dizer para os dias de hoje e aplicá-la.

Na Bíblia existem alguns textos que têm várias interpretações. Entre eles pode-se citar:
1- João 10.28 - pode significar segurança eterna;

2- Colossense 1.15 - pode significar que Cristo é o primogênito de toda criação;

3- Naum 2.4 - pode significar o trânsito de hoje ou as carruagens de guerra da época;

4- Lucas 10.30-37 - pode significar que a hospedaria é a igreja e as duas moedas são a ceia e o batismo.

Algumas denominações evangélicas defendem o livre exame e interpretação das Escrituras, porque cada indivíduo criado por Deus tem o direito de examinar a Bíblia e chegar às suas próprias conclusões sobre a mensagem. Entretanto, esta forma é perigosa, pois se esta interpretação for feita de qualquer forma ou sem as técnicas devidas, pode-se chegar às mais incríveis e absurdas conclusões.

Apesar de ser uma das escolas mais freqüentadas do mundo inteiro, a EBD—Escola Bíblica Dominical, pode trazer sérias conseqüências na vida dos seus alunos. Se todos derem a sua opinião sobre determinado assunto sem estudá-lo corretamente, não chegarão a uma conclusão plausível, porque cada um terá uma opinião.

A Bíblia relata um fato entre Filipe e o eunuco (oficial da corte da rainha de Candace, Etiópia), que se encontra no livro de Atos 8.25-40. Há um diálogo pequeno a princípio, mas que é suficiente para que o livro de Isaías, que estava sendo lido, fosse compreendido.

“E correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes, porventura, o que estás lendo?

Ele respondeu: pois como poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se sentasse”.

Este relato mostra que há necessidade de que a Bíblia seja interpretada, de uma forma correta e esta deve ser feita por uma pessoa capacitada. Saber interpretar a Bíblia não é um ato de orgulho e nem de vergonha, mas de obediência aos ensinamentos da Palavra de Deus. No Antigo Testamento encontra-se um relato referente ao estudo e a explicação da Bíblia, conforme consta no livro de Neemias 8.1-12. Através deste e de outros relatos nota-se a necessidade de interpretar a Bíblia.

A etapa essencial da interpretação é a observação. Observar algo é sondar, meditar, refletir, etc. O ato de observar atentamente algo leva ao descobrimento de algo também. Quem observa, explora e descreve; enquanto que quem interpreta, explica e determina o sentido. Por isso, um necessita do outro.

No texto de Salmo 1, pode-se entender a importância da interpretação em conjunto com a observação. O versículo 2 diz:

“Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita dia e noite”.

Ao observar o texto, pode-se ver uma necessidade de meditar na Lei de Deus (Torah) o dia inteiro, mas, ao interpretar o texto descobre-se que a palavra meditar, do hebraico ieheggeh significa estudar em meia voz, murmurar. Então, é necessário ter um forte desejo pela Lei de Deus e estudar continuamente nela, em meia voz, murmurando.

O versículo 3 diz:

“Pois será como a árvore plantada junto às correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não cai; e tudo quanto fizer prosperará”.

Ao analisar a Bíblia Hebraica nota-se que o verbo utilizado pelo salmista é o shatol, que significa mudar uma planta, isto é transplantar. Então, o justo não é como uma árvore plantada, mas sim, transplantada. Só nestes dois versículos encontra-se uma enorme diferença e importância para o estudo bíblico.

Por isso que é importante saber a diferença entre observar um texto e interpretá-lo. Observar, interpretar e aplicar faz parte de um processo para chegar a uma boa interpretação bíblica. A interpretação bíblica é um meio que visa um fim, diz o Dr. Roy B. Zuck. Mas estudar a Bíblia não é apenas ver o que ela diz e conhecer o seu significado. É preciso aplicá-la à vida, tornando assim, um processo completo.

Ao começar a ler a Bíblia, o estudante amplia o seu vocabulário com várias palavras, até então, desconhecidas ou insignificantes. Entre elas pode-se citar: graça, misericórdia, perdão, concupiscência, fornicação, etc. E estas passam a fazer parte da vida do estudante, por isso há a necessidade de fazer uma interpretação para que haja uma boa aplicação.

Aprender a interpretar a Bíblia é muito importante, porque a interpretação afeta no modo de agir e de viver de quem a faz e a ouve.

Estudar a Bíblia, por estudar, não é o suficiente, é preciso utilizar a hermenêutica. Esta é essencial para a interpretação.

DEFINIÇÃO DE HERMENÊUTICA

A palavra hermenêutica tem a sua origem no nome de Hermes, um Deus da mitologia grega, que servia de mensageiro dos deuses transmitindo e interpretando suas comunicações aos afortunados ou desafortunados destinatários.

Entretanto a palavra hermenêutica é derivada do termo grego hermeneuo, ermneuw (que significa interpreto, traduzo). Platão foi o primeiro a empregar a palavra hermenêutica como termo técnico.

Hermenêutica é a arte de hermeneia, ermneia (interpretação), ou melhor, designa a teoria dessa arte.

Berkhof define a hermenêutica como a ciência que ensina os princípios, as leis e os métodos de interpretação; enquanto Virkler, a define tecnicamente, como a ciência e a arte da interpretação bíblica. Ela é considerada ciência porque tem normas, regras e estas podem ser classificadas num sistema ordenado. Também é considerada como arte porque a comunicação é flexível e, portanto, uma aplicação mecânica e rígida apenas, pode distorcer o verdadeiro sentido de uma comunicação. Por isso há necessidade de aprender as regras da hermenêutica, assim como, à arte de aplicá-las.

O estudo da hermenêutica tem o propósito de interpretar as produções literárias do passado. Sua tarefa especial é indicar o meio pelo qual possam ser removidas as diferenças entre o autor e os seus leitores, em qualquer época.

Ao utilizar a hermenêutica na interpretação da Bíblia, é preciso conhecer alguns problemas que serão enfrentados. Isso ocorre porque ela se relaciona diretamente com outras áreas do estudo bíblico, entre esses estão: o cânon, as críticas textual e histórica, a exegese, as teologias sistemática e bíblica.

Estudo do Cânon – Visa a determinar quais livros trazem o selo da inspiração divina e quais não o trazem.


Cítica Textual – Procura averiguar o fraseado primitivo de um texto.

Crítica Histórica – Estuda as circunstâncias contemporâneas que cercam a composição de determinado livro.

Exegese – É uma aplicação dos princípios da hermenêutica à compreensão do significado que o autor pretendia dar.

Teologia Bíblica – Organiza os significados de uma forma histórica.


Teologia Sistemática – Dispõe esses significados em forma lógica em temas.

PROBLEMAS PARA A INTERPRETAÇÃO:

a) Cronológico: está relacionado ao fato da Bíblia ter sido escrita há muito tempo atrás. O primeiro livro foi escrito aproximadamente há 3.400 anos e o último em torno de 1.900 anos;

b) Geográfico: influencia pelo fato que a maioria dos leitores está longe demais de onde os fatos ocorreram. Sem contar que quase tudo mudou ou tudo realmente mudou;

c) Cultural: a maior parte da cultura mudou. Além de ser muito diferente a forma de pensar e agir hoje em dia;

d) Lingüístico: como já se sabe, a Bíblia foi escrita nas línguas: hebraica, aramaica e grega. Estas contêm muitos detalhes importantes e ricos para um conhecimento mais detalhado em relação à Bíblia. Entretanto, foi por causa dessas línguas e das mudanças naturais, que surgiram os problemas em relação às interpretações textuais, conforme consta nos melhores manuscritos encontrados;

e) Literário: as diferenças contidas nos estilos de escritos utilizados nos tempos bíblicos com os de hoje são enormes. Um bom exemplo é o fato de o N.T. utilizar muitas parábolas, enquanto que no A.T. utiliza muitos provérbios e salmos, entre outros estilos.

O importante é que o estudante da Bíblia saiba que para estudá-la é preciso ter bom senso, paciência, disposição e dedicação ao analisar os textos.

Antes de começar a estudar a hermenêutica e suas técnicas é preciso lembrar que o livro a ser estudado é a Bíblia.

HERMENÊUTICA GERAL E ESPECIAL

Cada conjunto de regras é inigualável, mas não mutuamente exclusivo (os dois conjuntos podem ser usados para estudar um só trecho). Qualquer trecho das Escrituras pode ser estudado por meio das regras gerais da hermenêutica, mas alguns deles não podem ser completamente entendidos sem a ajuda adicional das regras de hermenêuticas especiais que se relacionam com aquele tipo de literatura de modo específico.

Hermenêutica Geral – É o estudo das regras que regem a interpretação do texto bíblico inteiro.

Hermenêutica Especial – É o estudo das normas literárias específicas, como parábolas, tipos e profecia.

POR EXEMPLO: Sabendo que o Salmo 23 é uma forma poética de literatura escrita na linguagem figurada, o estudante é capacitado a determinar com bastante facilidade que Deus não está ordenando que os crentes fiquem deitados no capim das pastagens verdes. Pelo contrário, o Senhor os está encorajando a confiar nele para todas as necessidades físicas.

EXEGESE E A EISEGESE

O termo exegese deriva-se de uma palavra grega que significa “conduzir para fora” e eisegese de um vocábulo que significa “conduzir para dentro”. Assim, a exegese é o processo de ir até o texto a fim de determinar o seu sentido e “trazer para fora” a interpretação correta. Por outro lado, a eisegese ocorre quando a pessoa aborda o texto com preconceitos e torce a mensagem da Bíblia, extraindo dela um sentido que o estudante deseja de antemão.

Resumindo: a exegese ocorre se a aplicação provém genuinamente do texto e a eisegese a aplicação é artificialmente imposta sobre o texto.

AS PRINCIPAIS LEIS DA HERMENÊUTICA

As principais leis da hermenêutica bíblica que auxiliam na interpretação das Escrituras são:

• Lei do contexto – Contexto é a parte que vem antes ou depois do texto. Diz-se que não se deve interpretar um texto sem o auxílio do contexto, para não se fazer um pretexto. Para entender a aplicação desta lei, recomendamos a leitura dos seguintes textos: (Sl 23.1; Fl 4.13).

• Lei do texto paralelo – Um texto deve ser auxiliado na sua interpretação utilizando o mesmo assunto que ocorre em outras partes das Escrituras Sagradas. Para entender a aplicação desta lei, recomendamos a leitura dos seguintes textos: (Mt 27.38; Mc 15.27; Lc 23.39-43); (Mt 7.7-12; Lc 11.9-13).

• Lei da autoria do texto – Os diferentes autores da Bíblia viveram em tempos, culturas, situações sociais e regiões diferentes. Portanto, a forma de apresentação de um determinado texto para um povo, que viva situações diferentes, deve ser comparado com outros em tempo ou forma remota. Para entender a aplicação desta lei, recomendamos a leitura dos seguintes textos: (Ef 5.22-27; Dt 22.5).

• Lei da interpretação do texto – A interpretação do texto é aquilo que a passagem quer dizer no tempo, no espaço e nas circunstâncias em que foram escritas. O literalismo busca o que o texto quer dizer (Jo 21.6) e o simbolismo busca o que a figura quer dizer (Ap 3.20).

• Lei da aplicação do texto – Um mesmo texto pode ser aplicado a pessoas ou clãs vivendo em épocas ou situações geográficas diferentes (cf. Mt 13.24-30).

• Lei da implicação do texto – Num sentido filosófico, pode-se dizer que uma pessoa geme porque está doente. Nesta ilustração, encontramos a lei da implicação – a manifestação patente (explícita) do latente (implícito). (2Sm 12.10)

A BÍBLIA E SEU INTÉRPRETE

A Unidade e diversidade na bíblia

De uma forma inquestionável, a Bíblia é uma. Ela mantém a sua unidade e, ao mesmo tempo, a sua diversidade, que não é contraditória, antes, é uma diversidade com multiplicidade de riquezas literárias, metodológicas, doutrinais e propósitos de Deus. Eis alguns pontos:
A Unidade orgânica da Bíblia

Os livros da Bíblia constituem uma “unidade orgânica”. “A Bíblia não é comparada a uma catedral de acordo com os planos de um arquiteto, porém, se compara a uma árvore majestosa”. Trata-se do resultado de um crescimento progressivo desde Gênesis até Apocalipse. Como exemplos, temos:

• As passagens citadas para provar a inspiração da Bíblia mostram o fato de que ela tem um autor principal: o Espírito Santo;

• Sem ignorar sua variedade, vemos que o conteúdo bíblico apresenta uma unidade admirável. O centro de todos os livros da Bíblia é Jesus Cristo;

• A revelação progressiva de Deus também prova a unidade bíblica. Esse desenvolvimento gradual marca os períodos e as épocas em que a escritura foi sendo completada;

• As citações coletivas da Escritura também indicam sua unidade. Os escritores do Novo Testamento, com freqüência, fazem referências ao Antigo Testamento;

• A unidade da Escritura é provada quando observamos que os autores do Novo Testamento, ao citar o Antigo Testamento, aplicam algumas das passagens citadas num sentido que não está evidente no Antigo Testamento sem, com isso, alterar a sua verdade;

A Diversidade orgânica da Bíblia

Podemos enxergar a distinção entre o Antigo e o Novo Testamento nos seguintes aspectos:

• Quanto ao conteúdo – O Antigo Testamento contém a promessa; o Novo Testamento, o cumprimento. O primeiro aponta para a vinda de Cristo e nos conduz a Ele, o segundo tem Cristo e o seu ponto de partida e contempla a sua expiação para perdoar o pecado do mundo;

• Quanto à forma – O Antigo Testamento é profético; o Novo Testamento é apostólico. O elemento simbólico, bastante salientado no primeiro, é pouco enfático no segundo. O fator divino é muito mais destacado no Antigo Testamento do que no Novo. No primeiro, o Espírito Santo age sobre os escritores externamente; no segundo, o Espírito Santo habita na Igreja e opera sobre os apóstolos internamente;

• Quanto à linguagem – O Antigo Testamento foi escrito em hebraico, com exceção de algumas partes dos livros de Daniel, poucos versículos em Jeremias e Esdras, que foram escritos em aramaico; o Novo Testamento foi escrito em grego koiné.

A Distinção entre formas fundamentais de revelação de Deus

• Deus deu sua revelação em partes, em forma de naturalidades históricas;

• Deus demonstrou a sua vontade por meio de escritos didáticos ou discursos, como contemplamos no Pentateuco, mediante os discursos de Moisés, e no Novo Testamento por meio das parábolas e discursos de Jesus;

• Deus nos fez conhecer os mistérios de seu reino por intermédio das profecias, que interpretam os caminhos divinos no passado, revela sua vontade no presente e nos dá uma visão gloriosa para o futuro;

• Deus também se revelou por meio de poesia, na qual é possível ouvir os sons ritmados da poderosa orquestra celestial, saciando os gritos ansiosos da alma humana;

• Por último, ainda temos de considerar a distinção entre os vários livros da Bíblia. O Espírito Santo usou profetas e apóstolos, com suas características pessoais, seus conhecimentos e talentos naturais, e, de modo orgânico, suscitou naturalmente uma grande diversidade;

Necessidades básicas do intérprete

• Ser convertido a Jesus Cristo (cf. Is 55.7; Jr 18.11; Ez 33.11; Mt 18.3; 1Pe 2.25). Uma boa interpretação da Bíblia resultará de:

- Uma consciência pura: “E por isso procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens” (At 24.16);

- Uma mente santificada: “Porque quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo” (1Co 2.16);

• Alcançar uma maturidade progressiva no desempenho dos trabalhos do Senhor. Na vida cristã, mensuramos a maturidade pelo grau de perfeição, integridade e experiência pessoal com Cristo (Gn 17.1; Dt 18.13; Mt 5.48; Ef 4.13; 2Tm 3.17; Tg 1.4);

• Ter o Espírito Santo como mestre por excelência na busca de poder e conhecimento da Palavra de Deus. Devemos lembrar que o Espírito Santo somente ajuda, guia e completa a promessa da Palavra de Deus quando o indivíduo é sincero, estudioso e obediente (Jo 14.17, 26; Gl 5.16);

• Estudar com diligência a Palavra de Deus, com a finalidade de descobrir a verdade eterna e conhecer a vontade de Deus, a ponto de aceita-la e praticá-la como servos fiéis do Senhor (Dt 6.17; Pv 13.4; 1Tm 4.14, 15);

• Manter-se sempre humilde para estudar a Palavra de Deus (Jó 22.29; Sl 25.9; Pv 1.7; 11.2; Mt 5.3; 11.29; Tg 4.6). Quando o orgulho e a carnalidade tomam conta do cristão, não existe a possibilidade de se entender a Bíblia. É necessário despojar-se de todo e qualquer comportamento pré-conceituoso para se alcançar a sabedoria de Deus;

• Ser uma pessoa de oração, e não apenas um teórico. Realmente, a oração é a porta aberta para a luz que vem do Senhor. Se até aqui a divulgação das boas novas triunfou, isso, indubitavelmente, se deve às lágrimas derramadas na oração dos escolhidos do Senhor (1Rs 9.3; 2Rs 19.4; Sl 5.3; 65.2; 102.17; 141.2; Is 26.16; Mt 21.22; At 12.5; Rm 12.12; Ap 5.8);

• Ter discernimento espiritual e usar o bom senso. Como filhos de Deus, purificados com o sangue de Cristo, devemos proceder com sabedoria, diferenciando o bem do mal e sempre agindo com imparcialidade. Este fundamento pode ser encontrado na própria palavra de Deus (1Rs 3.9; Mt 16.3; Lc 12.56; 1Co 2.14; Hb 5.24);

AS REGRAS DA HERMENÊUTICA BÍBLICA

REGRA FUNDAMENTAL

Em todo o documento de caráter oficial, há sempre pontos obscuros que são solucionáveis apenas a partir do seu próprio conteúdo. Quanto à Bíblia, é indispensável que seus pontos obscuros sejam resolvidos pela própria Bíblia: Scriture sacre sui ipsius interpres – A Sagrada Escritura se interpreta a si própria.

• Observe em Gênesis 3 que o primeiro intérprete da Bíblia foi satanás, dando a Palavra de Deus um significado diferente, distorcendo a Palavra escrita, omitindo uma parte e citando só o que lhe convém.

“Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse a mulher: é assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais. Então a serpente disse a mulher: certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gn 3.1-5).

• Algumas pessoas têm sido instrumentos do inimigo para enganar a humanidade com falsas interpretações das Escrituras. Ao conhecer essas interpretações particulares, o cristão deve persistir em que a primeira e fundamental regra da correta interpretação bíblica deve ser: a Escritura explicada pela Escritura, a Bíblia se interpreta a si própria.

• Quanto a ignorância (atitude involuntária) ou violação (atitude voluntária e consciente) da regra fundamental, alguns têm encontrado aparente apoio nas Escrituras para cometer erros capitais. Ao fixar-se em versículos e palavras tiradas de seu contexto e não deixando a Escritura explicar-se a si mesma, os judeus encontram aparente apoio no Antigo Testamento para rejeitar a Jesus Cristo, o Messias e Salvador. A mesma atitude pode ser vislumbrada sem dificuldades entre as inúmeras religiões e seitas existentes em nosso mundo contemporâneo.

• Algumas pessoas, por falta de esclarecimento, chegaram à conclusão de que, com a Bíblia, podem provar o que quiserem. A indiferença, a incredulidade, a preguiça de estudar a Bíblia, a aceitação de idéias falsas e mundanas e a ignorância de toda a regra de interpretação norteiam este comportamento.

• Ao contrário disso, o discípulo humilde e douto na Palavra sabe que a “a lei do Senhor é perfeita” e que não há erro na Palavra de Deus.

• “Nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação”, afirma Pedro; e Jesus nos exorta a examinar as Escrituras para encontrarmos nela a verdade, e não interpreta-la para estabelecermos a verdade segundo a vontade do homem.

• Os eminentes escritores da Antiguidade já afirmavam que as Escrituras constituem-se em seu melhor intérprete. Compreende-se a Palavra de Deus melhor comparando o espiritual com o espiritual, isto é, a Escritura pela Escritura: “As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais” (1Co 2.13).

• Portanto, é indispensável observar a referida regra das regras. A saber: A Bíblia interpreta-se a si mesma. Esta regra fundamental é que abrirá o campo para outras regras específicas e bíblicas.

OUTRAS REGRAS DA HERMENÊUTICA BÍBLICA

PRIMEIRA REGRA

Os cristãos devem ter consciência de que os escritores das Escrituras Sagradas escreveram com a finalidade de deixar uma mensagem clara ao povo de Deus e ao mundo. Para isso, eles usaram palavras conhecidas e entendíveis pelo povo em geral. A garantia de ser uma mensagem clara está no fato de que a Bíblia tem muitos recursos internos, a ponto de explicar as passagens tidas como obscuras. Daí nasce à primeira regra:

É indispensável, o quanto seja possível, tomar as palavras em seu sentido usual e ordinário.

Farei três considerações sobre esta regra:

• Como se pode notar trata-se de uma norma suficientemente clara e simples, mas de grande importância. Ignorar este princípio, ou violar o estabelecido, só conduzirá a interpretações cegas e orgulhosas. Veja um exemplo de deslize causado pela violação desta regra:

“Todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, as aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares” (Sl 8.7,8). As menções de “ovelhas” e “bois” (v.7), para alguns curiosos, são interpretadas como sendo os crentes, e os “peixes do mar” (v.8) são tidos como sendo os incrédulos. Este é um exemplo de erro corriqueiro que poderia ser evitado simplesmente considerando-se o sentido usual e comum das palavras referidas.

• Deve-se, portanto, observar o cuidado e equilíbrio na atribuição dos sentidos das expressões, pois nem sempre se deve levar “ao pé da letra” uma determinada sentença. É obrigação do intérprete lembrar que cada idioma tem seus modos próprios e peculiares de expressão que, ao serem traduzidos literalmente, podem perder seus sentidos reais e verdadeiros. Vejamos um exemplo:

“Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno” (Mt 5.29). como poderíamos entender esta declaração? Se fôssemos interpretar esta declaração de modo literal (ao pé da letra) não haveria no mundo homem com olho direito. O que Jesus queria ensinar com esta declaração é que é vantajoso sacrificar algo com o objetivo de obedecer à vontade de Deus.

• Como todo idioma tem seus próprios modismos, com significações específicas, assim o povo hebreu se caracterizou por seus abundantes modismos que influenciaram fortemente a literatura e a teologia do mundo ocidental. Por esses motivos, o tratamento dos hebraísmos mereceria um tema à parte, porém, aqui, farei menção de apenas alguns exemplos.

- Em Gênesis 6.12, segundo a versão revista e corrigida da Bíblia, está escrito: “Porque toda carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra”. No seu sentido literal, as palavras “carne” e “caminho” fazem perder completamente o significado do texto. Entretanto, tendo em conta o seu sentido usual como figura, carne passa a significar pessoa e caminho, costume, modo de proceder ou religião, devolvendo, assim, a possibilidade de interpretação.

- Em Lucas 14.6, Jesus disse: “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo”. Uma interpretação literal deste versículo violenta o princípio e a prática do amor ao próximo e ao inimigo pregados pelo próprio Jesus no sermão da montanha. Mas aplicando o usual hebraísmo, chega-se à conclusão de que aqui se trata de dar preferência a Deus em detrimento da família.


SEGUNDA REGRA


Tanto na literatura secular quanto na linguagem bíblica existem palavras que variam muito em seu significado, dependendo do sentido da frase ou do argumento de que se trata. Assim, é importante indagar qual é o pensamento específico do escritor para determinar o sentido viável da palavra que deve ser interpretada. Logo, a segunda regra diz:

É fundamental tomar as palavras no sentido que indica o conjunto da frase, isto é, o versículo bíblico.

• Ao analisarmos esta regra, comprovaremos a variação de palavras muito importantes numa frase, texto ou versículo da Bíblia. Vejamos:

- O termo salvação e seus derivados são empregados, com freqüência, no sentido de salvação do pecado com suas conseqüências. Todavia, em Atos 7.25 se lê que “E ele (Moisés) cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes havia de dar a salvação pela sua mão; mas eles não entenderam”. Pelo conjunto do versículo, compreende-se que, salvar significa uma libertação temporal.

- “Porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (Rm 13.11). Nesta declaração, salvação significa o retorno de Cristo.

- “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação” (Hb 2.3). Pelo conjunto do texto, salvação aqui significa toda revelação do evangelho.

• Atente para o fato de que esta ocorrência é comum com outras palavras também. O termo sangue, por exemplo, igualmente vai depender do conjunto de frases escritas pelo autor. Ao falar da crucificação de Cristo, os judeus disseram:

- “Caia sobre nós o seu sangue, e sobre nossos filhos” (Mt 27.25). Direcionados pelo conjunto da frase, concluímos que sangue aqui significa a culpa e suas conseqüências por matar um homem justo.

- “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Ef 1.7) e “Sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm 5.9). Pelo conjunto das frases, a palavra sangue aqui refere-se à morte expiatória de Cristo na cruz.


TERCEIRA REGRA


Nem sempre é suficiente estudar apenas o conjunto de uma frase para determinar o verdadeiro sentido de certas palavras. Neste caso, é necessário observar um versículo ou vários versículos que antecedem e sucedem o texto para encontrar a expressão obscura e os elementos esclarecedores que há no contexto. Resumindo, a terceira regra diz:

É essencial tomar as palavras no sentido indicado no contexto, isto é, os versículos que antecedem e seguem o texto que se investiga.

• No contexto, achamos expressões, versículos ou exemplos que nos esclarecem e definem o significado da palavra obscura.

- Paulo disse: “Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo” (Ef 3.4). Verificando os versículos anteriores e posteriores, conclui-se que o termo “mistério” refere-se à participação dos gentios (outros povos - não judeus) nos benefícios do evangelho. Em outros versículos, a mesma palavra pode ter sentido diferente.

- “Quando éramos menores, estávamos servilmente sujeitos aos rudimentos do mundo” (Gl 4.3,9-11). Os versículos posteriores a este nos explicam que rudimentos são as práticas dos costumes judaicos.

• Em algumas circunstâncias, é possível encontrar no contexto o esclarecimento de uma palavra obscura por meio do sinônimo ou ainda pelo seu antônimo. Por exemplo, o termo “aliança”, empregado em Gálatas 3.17, se explica pelo vocábulo promessa, que aparece no final do mesmo versículo. Veja: “Mas digo isto: que tendo sido a aliança anteriormente confirmada por Deus em Cristo, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não invalida, de forma a abolir a promessa”.

Os termos “arraigados” e “edificados” mencionados em Colossenses 2.7 são explicados pela expressão confirmados na fé, que vem em seguida: “Arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças”.

• Ás vezes, uma palavra que expressa uma idéia geral e absoluta deve ser tomada num sentido restrito, segundo determine alguma circunstância especial do contexto, ou melhor, o conjunto das declarações em assuntos de doutrina. Observe isto tendo como parâmetro a declaração de Davi: “Julga-me, Senhor, segundo a minha retidão, e segundo a integridade que há em mim” (Sl 7.8). Pelo contexto, entende-se que Davi só proclama sua retidão e integridade em oposição às calúnias que Cuxe, o benjamita, levantara contra ele.

• Ainda é necessário esclarecer que a regra do contexto não se limita apenas a uma frase. De fato, o tratamento do contexto pode tanto ser muito pequeno como pode ser muito abrangente. O contexto, neste sentido, é gradativo. Veja:

Palavra – Frase – Capítulo – Livro – Bíblia

O importante é conseguir demarcar os limites necessários para a descoberta do significado no texto a ser interpretado.


QUARTA REGRA


No caso da ausência de outros recursos elucidativos, acrescenta-se esta regra para facilitar o domínio interpretativo da Palavra de Deus. A quarta regra expressa o seguinte:

É importante considerar o objetivo ou desígnio do livro ou passagem em que ocorrem as palavras ou expressões obscuras.

• O objetivo ou desígnio de um livro ou passagem se adquire lendo-o e estudando-o com seriedade, repetidamente, sempre tendo em consideração em que ocasião, para qual pessoa e em que língua foi originalmente escrito. Em alguns casos, o objetivo do livro encontra-se registrado em suas próprias páginas. Por exemplo:

- Um dos objetivos de toda a Bíblia encontra-se expresso assim: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança” (Rm 15.4; V. tb. 1Tm 3.16,17).

- O objetivo dos evangelhos pode ser explicado pelo seguinte texto: “Estes, porém, foram escritos para que creias que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31).

- O objetivo da carta de Pedro encontra-se em 1Pedro 3.2, o de Provérbios em Provérbios 1.1-4 e etc.

• Um estudo diligente nos fará alcançar o desígnio de um livro ou passagem, esclarecendo e explicando pontos obscuros e contraditórios. Por exemplo, as epístolas dirigidas aos Gálatas e aos Colossenses foram escritas na ocasião em que os judaizantes ou “falsos mestres” procuravam implantar seus erros doutrinários nas igrejas apostólicas. Portanto, estas cartas têm por desígnio expor, com extrema clareza, a salvação pela morte expiatória de Cristo e não pelas obras (observância de dias e cerimônias judaicas), a disciplina do corpo e a filosofia que mascarava a falsidade.

• Tendo um objetivo determinado, desaparecem as aparentes contradições. A contradição superficial entre a declaração de Paulo, que diz que o “o homem é justificado pela fé sem as obras”, e a declaração de Tiago, que diz que “o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé”, desaparece quando levamos em conta o desígnio diferente que trazem as respectivas cartas (Rm 3.28; Tg 2.24). Paulo combate e rejeita o erro dos que confiavam nas obras da lei mosaica como meio de justificação, refutando a fé em Cristo, enquanto que Tiago combate o erro de alguns indisciplinados que se satisfazem com uma fé imaginária, descuidando e rejeitando as boas obras. Paulo trata da justificação pessoal diante de Deus, enquanto Tiago se ocupa da justificação pelas obras diante dos homens. Os dois escritores harmonizam a fé e as obras diante de Deus e dos homens.


QUINTA REGRA


Outra regra importante que enriquece o trabalho de interpretação bíblica diz respeito às passagens paralelas. Isto é, as passagens que fazem referências umas as outras, que possuem entre si alguma relação ou, de alguma forma, tratam de um mesmo assunto. A quinta regra diz assim:

É necessário consultar as passagens paralelas explicando as coisas espirituais pelas espirituais (1Co 2.13).

Observaremos agora três classes de paralelos: de palavras; de idéias e de ensinos gerais.

• Paralelo de palavras – Quando o conjunto de frases ou regras do contexto não esclarece uma palavra duvidosa, procura-se, em alguns casos, o verdadeiro sentido consultando outros textos em que ela ocorre.

- Em Atos 13.22 está registrado que Davi foi um “homem segundo o coração de Deus”. Significa isto que Davi foi perfeito? No texto paralelo, em 1Samuel 2.35, Deus disse: “Suscitarei para mim um sacerdote fiel, procederá segundo o que tenha no coração”. Considerando toda a passagem, conclui-se que Davi, especialmente em sua qualidade de sacerdote-rei, procederia segundo o coração ou a vontade de Deus. Esta interpretação é confirmada na passagem paralela do capítulo 1Samuel 13.14, na qual se comprova que, em vista da rebeldia e má conduta de Saul como rei, Davi seria homem segundo coração de Deus.

• Paralelo de idéias – Se quisermos alcançar uma informação completa e exata do que ensina a Sagrada Escritura em determinado texto obscuro ou discutível, é importante consultarmos os ensinos, as narrativas e os fatos contidos em passagens que esclarecem o texto tido como obscuro ou discutível. Vejamos alguns casos:

- Quando Jesus disse: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mt 16.18), será que Jesus quis dizer que Pedro era o fundamento da igreja? Será que Pedro de fato é o primeiro papa?

Veja que Cristo não disse: “Sobre ti, Pedro, e sim, “sobre esta pedra edificarei a minha igreja”. Neste caso, as próprias palavras de Cristo e de Pedro, os melhores intérpretes, esclarecem o problema. Em Mateus 21.42,44 verifica-se que Jesus é a “pedra angular”, profetizada e tipificada no Antigo Testamento. O próprio Pedro (1Pe 2.4-8) declara que Cristo é a pedra que vive, mas que foi rejeitada pelos judeus. O apóstolo Paulo reforça esta idéia ao falar que os irmãos de Éfeso estão “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular, no qual todo edifício, bem ajustado, cresce para o santuário dedicado ao Senhor” (Ef 2.20,21). Esta mesma idéia paralelamente se encontra na admoestação de Paulo aos Coríntios: “Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo (1Co 3.10,11).

- Em 1Coríntios 11.22-29, encontramos o “comer pão e beber do vinho” como partes inseparáveis na ceia, pondo à disposição os elementos a todos os membros da igreja, sem distinção. Ocorre que há certos comportamentos antibíblicos que desconhecem os paralelos de idéias que, inclusive, estão na mesma passagem. Ao quebrar este princípio, uns participam apenas do pão e outros apenas do vinho, na comunhão.

• Paralelos de ensinos gerais – Felizmente, a Bíblia é um tesouro incomparável de coisas espirituais e práticas. Entretanto, precisamos saber manusear este tesouro. Por isso, se os paralelos de palavras e idéias não são suficientes para esclarecer um ponto doutrinário, é mister recorrer aos ensinos gerais das Escrituras (1Co 15.3,14; At 3.18; Rm 12.6).

- Segundo teor geral das Escrituras, Deus é espírito (Jo 4.4) onipotente, onisciente, puríssimo, santíssimo etc. estes atributos estão confirmados em muitas passagens da Bíblia. Da mesma forma, há muitas passagens que apresentam Deus com características de ser humano, limitando-o ao tempo, lugar, espaço e etc. estas passagens devem ser interpretadas à luz dos “ensinos gerais”. Os textos de aparente contradição se harmonizam à luz dos ensinos gerais exarados nas Escrituras.

- Nos paralelos aplicados à linguagem figurada é necessário determinar se uma passagem deve ser tomada literalmente ou em sentido figurado. O fato de alguém interpretar figuradamente não significa obrigatoriamente fazer que o objeto apontado adquira todas as características da figura, mas apenas envolvem as qualidades de destaque entre duas coisas, animais ou pessoas. Por exemplo, quando João Batista testemunhou de Cristo: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), não quis afirmar com isso que Cristo tinha todas as características de um cordeiro, antes, referiu-se tão-somente ao seu caráter manso e ao seu destino de ser sacrificado, como ocorria frequentemente com o cordeiro sem defeito no contexto judaico. Outro exemplo, quando João, desta vez o apóstolo amado, disse: “Eis que o leão da tribo de Judá, a raiz de Davi...” (Ap 5.5), não quis representar aqui Cristo como um leão feroz e carnívoro, mas tão-somente aludiu à sua qualidade de rei poderoso, mais forte entre os homens, vitoriosos, simbolizando a tribo de Judá.


RECAPITULAÇÃO DAS REGRAS


Regra Fundamental – A Sagrada Escritura se interpreta a si própria

1ª Regra – É indispensável, o quanto seja possível, tomar as palavras em seu sentido usual e ordinário;

2ª Regra – É fundamental tomar as palavras no sentido que indica o conjunto da frase, isto é, o versículo bíblico;

3ª Regra – É essencial tomar as palavras no sentido indicado no contexto, isto é, os versículos que antecedem e seguem o texto que se investiga;

4ª Regra – É importante considerar o objetivo ou desígnio do livro ou passagem em que ocorrem as palavras ou expressões obscuras.

5ª Regra – É necessário consultar as passagens paralelas explicando as coisas espirituais pelas espirituais (1Co 2.13);


BIBLIOGRAFIA

ZABATIERO, Júlio. Manual de Exegese. São Paulo: Hagnos, 2007.
STUART, Douglas & D.FEE, Gordon. Manual de Exegese Bíblica. São Paulo: Vida Nova, 2008.
VIRKLER, Henry A. Hermenêutica Avançada. São Paulo: Vida, 2001.
LUND, E. Hermenêutica. São Paulo: Vida, 1968.
SILVA, Moisés e KAISER, Walter. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.
BRUGGEN, Jakob Van. Para Ler a Bíblia. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.
LOPES, Augustus Nicodemos. A Bíblia e seus Intérpretes. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
_______ Curso Interdenominacional de Teologia, Módulo III e XII. São Paulo: ICP, 2007.
DANA, H. E. O mundo do Novo Testamento. 4 ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1990.
GUNDRY, R. H. Panorama do Novo Testamento. 4 ed. reimp. São Paulo: Vida Nova, 1991.
HALE, B. D. Introdução ao estudo do Novo Testamento. 3 ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1989.
LOHSE, E. Introdução ao Novo Testamento. 4 ed. São Leopoldo: Sinodal, 1985.
REICKE, B. I. História do tempo do Novo Testamento: o mundo bíblico de 500 a.C.até 100 d.C. São Paulo: Paulus, 1996.
STERN, David H. Comentário Judaico do Novo Testamento. São Paulo: Templus, 2008.
FILION. Louis Claude. Enciclopédia da Vida de Jesus. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2008.
























































Um comentário:

  1. “Articulação diplomática para o Oriente Médio, que inclui EUA, Rússia, União Europeia (UE) e as Nações Unidas (ONU)”

    Para você que é cristão e já ta sabendo de tudo, mas está pagando para ver. Diz a divindade: Você não só vai ver como vai ser vítima do dilúvio de fogo que virá a partir de 2012.

    E porque você vai ser vítima? Porque você não fez nada para impedir esta fatalidade. Ainda que a divindade tenha gritado durante dois mil anos o fato. Você simplesmente ficou ai, pagando pra ver.

    Pois após esses vinte quatro meses que o quarteto acima concedeu a Israel, a RUSSIA tomará a liderança de todos, em nome da paz, da ordem e virá moralizar essa arca do Dragão chamado Israel.

    E isso é exatamente o que disse a divindade em Ezequiel 38 e 39, que tem olhos veja e quem tem ouvido ouça a palavra da divindade. Porque essa divindade vai vir contra você também. Que ficou assistindo sem dizer nada aos teus irmãos. Você religioso entorpecido na bonança da filosofia da prosperidade. Você não só vai perder tudo, mas também corre o risco de ir para o inferno após o juízo com esta divindade. E por quê?

    (EZEQUIEL [33]) 1 Ainda veio a mim a palavra de Javé, dizendo:2 Filho do homem, fala aos filhos do teu povo, e dize-lhes: Quando eu fizer vir a espada sobre a terra, e o povo da terra tomar um dos seus, e o constituir por seu atalaia;3 se, quando ele vir que a espada vem sobre a terra, tocar a trombeta e avisar o povo;4 então todo aquele que ouvir o som da trombeta, e não se der por avisado, e vier a espada, e o levar, o seu sangue será sobre a sua cabeça.5 Ele ouviu o som da trombeta, e não se deu por avisado; o seu sangue será sobre ele. Se, porém, se desse por avisado, salvaria a sua vida.6 Mas se, quando o atalaia vir que vem a espada, não tocar a trombeta, e não for avisado o povo, e vier a espada e levar alguma pessoa dentre eles, este tal foi levado na sua iniqüidade, mas o seu sangue eu o requererei da mão do atalaia.7[...]
    A MENSAGEM EM QUESTÃO ESTÁ EM EZEQUIEL CAP. 38 E 39
    VOCÊ TEM 24 MESES PARA IMPEDIR QUE GOGUE ATAQUE ISRAEL. E VOCE TEM 84 MESES PARA IMPEDIR O DILÚVIO DE FOGO SOBRE TODA A HUMANIDADE.
    E O AVISO QUE A DIVINDADE TE FAZ NESSE MOMENTO ATALAIA É:
    AMÓS 5, 16 Portanto, assim diz o Senhor Deus dos exércitos, o Senhor: Em todas as praças haverá pranto, e em todas as ruas dirão: Ai! ai! E ao lavrador chamarão para choro, e para pranto os que souberem prantear. 17 E em todas as vinhas haverá pranto; porque passarei pelo meio de ti, diz o Senhor. 18 Ai de vós que desejais o dia do Senhor! Para que quereis vós este dia do Senhor? Ele é trevas e não luz. 19 E como se um homem fugisse de diante do leão, e se encontrasse com ele o urso; ou como se, entrando em casa, encostasse a mão à parede, e o mordesse uma cobra. 20 Não será, pois, o dia do Senhor trevas e não luz? Não será completa escuridade, sem nenhum resplendor?
    SE VOCÊ QUER O FIM DO MUNDO, É BOM SABER, SE VOCÊ JÁ SE TRANSFORMOU EM JESUS CRISTO. CASO CONTRÁRIO, VOCÊ VAI A JULGAMENTO COM ESSA DIVINDADE MALÉFICA. E ELA JURA QUE VAI NOS LEVAR PARA O INFERNO. NÃO É A TOA QUE JESUS SUOU SANGUE. PENSE NISSO.
    Veja a mensagem por completo em:
    http://joaorevela.blogspot.com/

    ResponderExcluir