quinta-feira, 18 de março de 2010

CRONOGRAMA HISTÓRICO DO CRISTIANISMO NO BRASIL

INTRODUÇÃO

Para compreendermos melhor este cronograma histórico sobre o cristianismo, precisamos entender a razão do nascimento de Cristo na época dos césares e a difusão do cristianismo apostólico, buscando o contexto histórico, sociocultural, político e religioso no período do primeiro século da era cristã.

Muitas foram às contribuições do antigo mundo para a chegada de Cristo e sua doutrina. Ao estudarmos os períodos anteriores à vinda do messias, percebemos a providência divina ao preparar o cenário para a chegada de seu plano de salvação. O ambiente histórico em que Cristo surgiu cooperou, de modo colossal, para disseminação do evangelho. Nesse período, três povos, por sua rica contribuição, merecem destaque: os judeus, os romanos e os gregos.


OS JUDEUS – A mentalidade religiosa quanto á espera iminente de um Messias facilitou a aceitação da mensagem de Jesus como Messias prometido. Outro fator importante de contribuição foi o monoteísmo rígido, herdado da religião mosaica, com sua ética moralista baseada na lei de Moisés. Assim, o mundo religioso de então estava preparado psicologicamente para a chegada de um messias.


OS ROMANOS – O império romano dominava o mundo na época em que Cristo nasceu. A extensão do império, que concorreu para a unificação dos povos, facilitou a difusão da mensagem cristã. Outra contribuição foi proporcionada pela infra-estrutura das estradas e das cidades romanas. Com o anexo de novas terras, pelo desbravamento do exército romano, foi fácil a disseminação do evangelho em regiões estrangeiras. O latim e o grego eram línguas universais e facilitavam a transmissão das boas novas


OS GREGOS – Sem dúvida, uma das inestimáveis riquezas legadas pelos gregos foi sua língua. Tanto é que todo o Novo Testamento foi escrito em grego. Além disso, as idéias de seus famosos filósofos levaram o povo a inquirir sobre os mistérios da vida, sobre o ser e sobre Deus, razão e propósito de nossa existência. O evangelho oferecia respostas sensatas para todas essas questões intrigantes.

Enfim, todas essas contribuições, juntas, forneceram o ambiente propício para a chegada do Filho de Deus. Foi uma época ímpar, predestinada, como não houve em toda história.


O FUNDADOR

Seu nome era Yeoshua (Jesus). Sua mãe chamava-se Miriam (Maria), casada com Yussef (José), que era carpinteiro. Logo na infância, fora morar em Nazaré, cidade isolada nas montanhas da Galiléia, próxima da movimentada estrada que ligava Mesopotâmia ao Egito. Ali ele viveu e cresceu. Um judeu entre os judeus. Aparentemente, um homem entre os outros homens. Em Roma, reinava Tibério; na Galiléia, Herodes. Com seus “dentes de ferro”, Roma continuava conquistando terras, sem imaginar que ali estava uma força, muito superior à sua, que conquistaria mais vidas do que as sete colinas jamais sonharam. Um poder contra o qual o Império Romano empenharia toda a sua força para destruir, para depois cair vencidos de joelhos. Ali estava um homem que, de forma estranha e espantosa, colocaria seu nome acima de todo nome. Um homem que se apoderaria das vidas, dos corações e das mentes, como Roma se apoderava dos corpos. Um homem que era muito mais do que um homem. Alguém de quem sempre falaram as profecias e os profetas – Jesus de Nazaré, o Messias.

Ele chegou. Talvez, não como muitos esperavam, mas Ele chegou. E cada situação de sua vida era cumprimento das milenares palavras dos profetas. Multidões o seguiam porque experimentavam o poder de seus atos e a verdade de suas palavras. Foram apenas três anos e meio, preenchidos com curas, libertações e ensinos de sabedoria, ao fim dos quais, como um criminoso, foi levado a julgamento e, como o mais hediondo dos homens, foi colocado na cruz.

Mas sua morte não seria o fim. Seria apenas o começo de uma nova era. Pois segundo seus seguidores, Ele ressuscitou e dois mil anos de história são uma prova extremamente sólida de que ele veio ao mundo não por coincidência ou por acaso. Antes, Ele veio sim, de acordo com suas próprias palavras, “cumprir o que estava escrito” (no Antigo Testamento).

Desde então, homens passariam a contar os tempos como antes e depois dele. Tornou-se o marco divisor da História e o marco divisor das almas e da humanidade. Sua vida, suas palavras e seus feitos não puderam, de forma nenhuma, ser ignorados. A História encontrou seu centro, sua razão, seu núcleo, um eixo sobre o qual girar.


OS FUNDAMENTOS DO CRISTIANISMO

O pequeno grupo de Jerusalém iniciado pelos discípulos escolhidos por Jesus Cristo (12 Apóstolos) e por outros após sua morte e ressurreição, a princípio amarrado ao exclusivismo judaico, vai, pouco a pouco, se desprendendo de suas raízes étnicas. Com Paulo, a mensagem do evangelho ganha projeção mundial, não apenas geograficamente, pelo seu trabalho missionário, como também culturalmente, pela sua exposição da mensagem cristã dentro dos conceitos gregos. Seu vigoroso pensamento, formado por elementos tanto judeus quanto não-judeus, possibilitou ao Espírito Santo fazer de suas cartas uma boa nova para toda a humanidade: “... pela palavra da verdade do evangelho, que já chegou a vós, como também está em todo mundo; e já vai frutificando...” (Cl 1.5b).

Próximo ao ano 100 d.C. morria João, o último dos doze apóstolos. Mas o alicerce já estava lançado. Roma, o mundo e a história jamais seriam os mesmos. A pequena semente de mostarda começava a brotar e a crescer, para dar alívio e cura a um mundo mergulhado na idolatria, na violência, na homossexualidade, no infanticídio, na vazia especulação filosófica e na obscuridade do ocultismo. Enquanto o grande corpo (do Império Romano) foi invadido pela violência aberta, ou solapado pela lenta decadência, uma religião humilde e pura gentilmente insinuou-se dentro da mente dos homens, cresceu em silêncio e obscuridade, recebeu novo vigor da oposição e, finalmente, ergueu a triunfante bandeira da cruz sobre as ruínas do Império.


PRINCIPAIS DIVISÕES DO CRISTIANISMO

Da era apostólica até meados da Idade Média, a igreja tinha conseguido se manter una, mesmo com suas divergências políticas e teológicas, até que ficou insustentável o poder político (imperialista) que a igreja exercia no mundo. Vejamos os motivos das duas divisões que causaram as três igrejas.

Igreja Católica Apostólica Romana

Tudo vinha muito bem até a igreja se tornar em Império. Fazendo com que durante toda era Medieval, a Igreja Católica Romana tivesse o monopólio religioso de todo o Ocidente europeu. Pertencer à Igreja era conseqüência automática do nascimento de qualquer pessoa ocidental, e não havia lei ou costume que permitisse a ninguém renunciá-la. A dominação espiritual da Igreja se estendia por toda a Europa. É impossível compreender o papel e a influência da Igreja Católica Romana na era Medieval sem a compreensão de suas doutrinas religiosas básicas. Do século IV ao século XIII, várias doutrinas extra-bíblicas foram adotadas pelo catolicismo. Vejamos algumas delas:

- 431 a igreja começa a cultuar Maria como mãe de Deus.

- 503 decretam a existência do purgatório.

- 783 iniciam a veneração de imagens (idolatria).

- 933 a igreja instituiu a “canonização” de santos.

- 1074 é instituído o celibato.

- 1190 começam a conceder perdão e favores espirituais por dinheiro. A igreja inicia os negócios com as indulgências.

- 1208 começaram na missa, a “levantar” a hóstia, para que fosse adorada.

- 1215 o papa Inocêncio III, por decreto, instituiu a transubstanciação (presença literal de Cristo na hóstia), “valorizando” sobremaneira a missa.

Igreja Ortodoxa

As causas da separação da Igreja Oriental da Ocidental não foram repentinas, mas uma longa sucessão de fatores que culminaram no chamado “Grande cisma”. Inconscientemente, o passo da separação havia sido dado quando Constantino transferiu a sede do Império de Roma para Constantinopla, em 330. Depois, veio Teodósio, em 395, com a separação do Império em duas partes com líderes eclesiásticos distintos. Uniram-se a isto algumas diferenças de caráter litúrgico e doutrinário, que há anos vinham incomodando as duas igrejas, como, por exemplo, o incidente no século II sobre a questão da páscoa e, depois, a eleição do patriarca Fócio e sua defesa quanto à questão do filioque, a qual o papa questionou severamente. Também não menos importante é a oposição política entre a Constantinopla e o “Império” de Carlos Magno.

Finalmente, a tão abalada comunhão entre as duas igrejas recebeu o selo do cisma em 1054, quando o papa e o patriarca do oriente se excomungaram mutuamente por causa de uma disputa sobre a eucaristia. Desde então, surgiram duas igrejas: Ortodoxa Grega (Oriental) e a Católica Romana (Ocidental).

O cristianismo oriental possui uma cosmovisão diferente do cristianismo ocidental. Enquanto a igreja do ocidente experimentou várias transformações, a igreja do oriente permaneceu estática, tanto na doutrina como na liturgia. A teologia ocidental era mais inclinada a assuntos práticos, já a teologia oriental tendia para soluções de assuntos teológicos em termos filosóficos. Haja vista que a maioria das controvérsias religiosas entre 325 e 451 surgiram do oriente.

Enquanto a igreja no ocidente ficou livre do jugo do império, a do oriente ficou subordinada a este. Em 726, surge à controvérsia iconoclasta (uso de ícones na igreja), levantada por Leão III, uma verdadeira cruzada contra o uso de imagens. A igreja ortodoxa se engajou também na obra missionária, levando o evangelho aos búlgaros e aos russos. Produziu vários teólogos capacitados, como, por exemplo, João Damasceno, apontado pelos estudiosos como Tomás de Aquino do Oriente.

O choque com o islamismo, no século VII, e a perda de gente e de terras para os mulçumanos, junto com dois séculos de desavenças quanto ao uso de imagens, estagnaram o cristianismo no oriente.

Protestantismo

Mesmo após o grande “Cisma do Oriente”, a crise interna na Igreja Ocidental ainda era caracterizada pelo comportamento imoral da parte do clero, situação que se desenvolvera por séculos, desde a Idade Média. A simonia era uma prática comum secular, caracterizada pela venda de objetos considerados sagrados ou a venda de cargos religiosos. Os grandes senhores feudais compravam cargos eclesiásticos como forma de aumentar seu poder ou de garantir uma fonte de renda para seus filhos, originando um processo conhecido como “investidura leiga”, principalmente no sacro império. A preocupação com as questões materiais (poder e riqueza) levou principalmente o alto clero a um maior distanciamento das preocupações religiosas ou mesmo de caráter moral.

O nicolaísmo retrata um outro aspecto do desregramento moral do clero, a partir do qual o casamento de membros do clero levava-os a uma preocupação maior com os bens materiais, que seriam deixados em herança para os filhos e a partir daí determinavam o comportamento “mundano” dessa parcela do clero. Fatores econômicos (ascensão da burguesia), o aparecimento do renascentismo, a consolidação do absolutismo e etc. contribuíram para a Reforma Protestante.

Assim, em oposição ao abuso de venda de indulgências e as demais coisas citadas, promovida pela Igreja Católica Romana, surge no cenário eclesiástico, Martinho Lutero – monge agostiniano – que em 31 de outubro de 1517, afixou na porta da igreja do castelo de Wittenberg suas 95 teses contra as práticas absurdas da igreja, o que causou repercussão mundial. Em 1520, foi excomungado pelo papa e, no mesmo ano, queimou a bula de excomunhão em praça pública, rompendo, assim, definitivamente com a Igreja Católica. A partir daí, surgiu a Igreja Luterana, que foi inspiradora para o surgimento de outras denominações protestantes.

Antes de morrer, Lutero traduziu a Bíblia para o alemão popular (nesta época somente o clero tinha acesso as Escrituras) e escreveu inúmeras obras e tratados teológicos. Toda sua vida e obra basearam-se em três pilares: Sola Scriptura (somente a Escritura – a Bíblia), Sola Gratia (somente a graça de Deus) e Sola Fides (somente a Fé). Estes pilares ainda hoje são à base do pensamento protestante.


O CRISTIANISMO A CAMINHO DO BRASIL

Portugal surgiu como nação independente da Espanha durante a Reconquista (1139-1249), ou seja, a luta contra os muçulmanos que haviam conquistado boa parte da Península Ibérica vários séculos antes. Seu primeiro rei foi D. Afonso Henriques. O novo país tinha fortes ligações com a Inglaterra, com a qual iria firmar posteriormente o Tratado de Windsor, em 1386. O apogeu da história de Portugal foi o período das grandes navegações e dos grandes descobrimentos, com a conseqüente formação do império colonial português na África, Ásia e América Latina.

No final da Idade Média, a forte integração entre a igreja e o estado na Península Ibérica deu origem ao fenômeno conhecido como “padroado” ou patronato real. Pelo padroado, a Igreja de Roma concedia a um governante civil certo grau de controle sobre uma igreja nacional em apreciação por seu zelo cristão e como incentivo para futuras ações em favor da igreja. Entre 1455 e 1515, quatro papas concederam direitos de padroado aos reis portugueses, que assim foram recompensados por seus esforços no sentido de derrotar os mouros, descobrir novas terras e trazer outros povos para a cristandade.

Portanto, a descoberta e colonização do Brasil foi um empreendimento conjunto do Estado português e da Igreja Católica, no qual a coroa desempenhou o papel predominante. O estado forneceu os navios, custeou as despesas, construiu as igrejas e pagou o clero, mas também teve o direito de nomear os bispos, recolher os dízimos, aprovar documentos e interferir em quase todas as áreas da vida da igreja.


O CATOLICISMO NO BRASIL

O cristianismo chega no Brasil já no descobrimento e lança profundas raízes na sociedade a partir do período da colonização. Ordens e congregações religiosas assumem serviços nas paróquias e dioceses, a educação nos colégios, a evangelização do indígena e inserem-se na vida do país.

Frades franciscanos apareceram nas capitanias com precocidade. As missões propriamente ditas se instalaram mais tarde: em 1549 seis jesuítas (padres da Companhia de Jesus) acompanharam o governador-geral Tomé de Sousa, chefiados pelo padre Manuel da Nóbrega; ficaram famosos o padre José de Anchieta e o Padre João de Azpilcueta Navarro. Os carmelitas descalços chegaram em 1580, as missões dos beneditinos tiveram início em 1581, as dos franciscanos em 1584, as dos oratorianos em 1611, as dos mercedários em 1640, as dos capuchinhos em 1642. Durante o século XVI e o século XVII, a legislação buscou certo equilíbrio entre Governo central e Igreja, tentando administrar os conflitos entre missionários, colonos e índios.

Até meados do século XVIII, o Estado controlou a atividade eclesiástica na colônia por meio do padroado. Arcava com o sustento da Igreja e impedia a entrada no Brasil de outros cultos, em troca de reconhecimento e obediência. O Estado nomeia e remunera párocos e bispos e concede licença para construir igrejas. Confirma as condenações dos tribunais da Inquisição e escolhe as formas de punição; em contrapartida, controla o comportamento do clero, pela Mesa da Consciência e Ordens, órgão auxiliar do Conselho Ultramarino.

Em 1707, com as Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia, elaboradas por bispos em uma reunião em Salvador, a hierarquia da Igreja conquista mais autonomia. As constituições uniformizam o culto, a educação, a formação do clero e a atividade missionária. Não impedem, porém, o agravamento dos conflitos entre colonos e padres, em torno da escravização dos índios, que desembocam no fechamento da Companhia de Jesus pelo Marquês de Pombal em 1759. Nas décadas de 1860 e 1870, a Santa Sé, em Roma, decreta regras mais rígidas de doutrina e culto. Bispos brasileiros, como Dom Antônio de Macedo Costa, Bispo de Belém do Pará e Dom Vital de Oliveira, Bispo de Olinda, acatam as novas diretrizes e expulsam os maçons das irmandades. Isso não é aceito pelo governo, muito ligado à maçonaria, dando início à chamada Questão religiosa, culminando com o encarceramento e trabalhos forçados destes bispos em 1875.

Em 7 de janeiro de 1890, logo após a proclamação da República, é decretada a separação entre Igreja e Estado. A República acaba com o padroado, reconhece o caráter leigo do Estado e garante a liberdade religiosa. Em regime de pluralismo religioso e sem a tutela do Estado, as associações e paróquias passam a editar jornais e revistas para combater a circulação de idéias anarquistas, comunistas ou protestantes.

A partir da década de 30, o projeto desenvolvimentista e nacionalista de Getúlio Vargas influencia a Igreja no sentido de valorização da identidade cultural brasileira. Assim, a Igreja expande sua base social para além das elites, abrindo-se para as camadas médias e populares. A Constituição de 1934 prevê uma colaboração entre Igreja e Estado. São atendidas as reivindicações católicas, como o ensino religioso facultativo na escola pública e a presença do nome de Deus na Constituição. Nessa época, o instrumento de ação política da Igreja é a Liga Eleitoral Católica (LEC), que recomenda os candidatos que se comprometem a defender os interesses do catolicismo.

Contra a ascensão da esquerda, a Igreja apóia a ditadura do Estado Novo em 1937. São do período os círculos operários católicos, favorecidos pelo governo para conter a influência da esquerda.

Em 1952 é criada a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que coordena a ação da Igreja no país. No final dos anos 50, a Igreja preocupa-se com questões sociais geradas pelo modelo de capitalismo no país, como a fome e o desemprego. Em 1960, a Juventude Universitária Católica (JUC), influenciada pela Revolução Cubana, declara sua opção pelo socialismo. Pressões de setores conservadores da Igreja levam os militantes da JUC a criar um movimento de esquerda, a Ação Popular (AP). Na época, a Igreja está dividida quanto às propostas de reformas de base do presidente João Goulart.

Com o Regime Militar de 1964 crescem os conflitos entre Igreja e Estado. A partir de 1968, com o Ato Institucional nº 5 (AI-5), há uma ruptura total diante da violenta repressão - prisões, torturas e assassinatos de estudantes, operários e padres e perseguições aos bispos. Na época, a Igreja atua em setores populares, com as comunidades eclesiais de base. Inspiradas na Teologia da Libertação, elas vinculam o compromisso cristão e a luta por justiça social. Os abusos contra a ordem jurídica e os direitos humanos levam a Igreja a se engajar fortemente na luta pela redemocratização, ao lado de instituições da sociedade civil.

Ao longo dos anos 80 e 90, com a redemocratização da sociedade brasileira e com alguns de seus ensinamentos fortemente criticados pela Santa Sé, a Teologia da Libertação perde parte de sua influência. Nesse período cresce o vigor da Renovação Carismática Católica, surgida nos EUA. Em oposição à politização da Teologia da Libertação, o movimento busca uma renovação em práticas tradicionais do catolicismo pela ênfase numa experiência mais pessoal com Deus.

No transcorrer do século XX foi percebida uma diminuição no interesse em formas tradicionais de religiosidade. Um reflexo disso é a grande massa de católicos não-praticantes hoje presente no país. No censo IBGE de 2000, 40% dos que responderam ser católicos diziam ser "não-praticantes".

Na hierarquia católica brasileira estão hoje presentes três vertentes principais: o clero tradicionalista, mais conservador e defensor da ortodoxia; os remanescentes da Teologia da Libertação, que desde os anos 70 tem formado uma espécie de "esquerda" eclesiástica; e os adéptos da Renovação Carismática ou de Comunidades Carismáticas, movimentos mais recentes e vigorosos.

Algumas tradições populares do catolicismo no Brasil incluem as peregrinações à Nossa Senhora Aparecida, no lugar onde a santa fez sua aparição na cidade de Aparecida, localizada a 168 km da capital de São Paulo, e acabou por tornar-se a Padroeira do Brasil. Outros festivais importantes incluem Círio de Nazaré em Belém do Pará e a Festa do Divino Pai Eterno no Estado de Goiás(Brasil central).

A Renovação Carismática tem forte presença leiga e já responde sozinha por grande parte dos católicos praticantes no país. O movimento tende a ter uma moral conservadora e assemelha-se em certos aspectos às Igrejas Pentecostais, como no uso dos dons do Espírito Santo e na adoção de posturas que poderiam ser rotuladas como fundamentalistas.

Uma das Comunidades Carismáticas mais conhecidas é a Canção Nova que é presidida pelo Padre Jonas Abib, um dos precursores da Renovação Carismática Católica no Brasil, e possui um canal de televisão mantido por doações; a sua sede fica na cidade de Cachoeira Paulista. Outro ícone da RCC no Brasil é o Padre Marcelo Rossi, fenômeno de mídia e cultura de massas que surgiu no final da década de 90. Cantando e fazendo coreografias em programas de televisão e missas lotadas, ele se propõe a pregar a mensagem de Cristo conforme ensinada pela Igreja Católica.

É preciso citar também a significativa presença de outros grupos conservadores como a Opus Dei, o Caminho Neocatecumenal e o Regnum Christi dos quais participam milhares de pessoas no Brasil, suscitam um grande empenho e aprofundamento na fé dos leigos e têm apoio do clero.

O catolicismo apostólico romano ainda é a maior religião do Brasil desde o período colonial, quando foi introduzida por missionários que acompanhavam os colonizadores portugueses. A Igreja Católica exerce grande influência nos aspectos social, político e cultural dos brasileiros. O Brasil ainda hoje é considerado o maior país católico no mundo, pois aproximadamente 74% (ou quase 150 milhões) dos habitantes se declaram católicos.


PROTESTANTISMO NO BRASIL

Os primeiros protestantes chegaram ao Brasil ainda no período colonial. Dois grupos são particularmente relevantes:

Os franceses na Guanabara (1555-1567): no final de 1555, chegou à Baía da Guanabara uma expedição francesa comandada pelo vice-almirante Nicolas Durand de Villegaignon, para fundar a "França Antártica." Esse empreendimento teve o apoio do almirante huguenote Gaspard de Coligny, que seria morto no massacre do dia de São Bartolomeu (24-08-1572).

Em resposta a uma carta de Villegaignon, Calvino e a igreja de Genebra enviaram um grupo de crentes reformados, sob a liderança dos pastores Pierre Richier e Guillaume Chartier (1557). Fazia parte do grupo o sapateiro Jean de Léry, que mais tarde estudou na Academia de Genebra e tornou-se pastor (†1611). Ele escreveria um relato da expedição, História de uma Viagem à Terra do Brasil, publicado em Paris em 1578.

Em 10 de março de 1557, esses reformados celebraram o primeiro culto evangélico do Brasil e talvez das Américas. Todavia, pouco tempo depois Villegaignon entrou em conflito com as calvinistas acerca dos sacramentos e os expulsou da pequena ilha em que se encontravam.

Alguns meses depois, os colonos reformados embarcaram para a França. Quando o navio ameaçou naufragar, cinco deles voltaram e foram presos: Jean du Bordel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon, André Lafon e Jacques le Balleur. Pressionados por Villegaignon, escreveram uma bela declaração de suas convicções, a "Confissão de Fé da Guanabara" (1558). Em seguida, os três primeiros foram mortos e Lafon, o único alfaiate da colônia, teve a vida poupada. Balleur fugiu para São Vicente, foi preso e levado para Salvador (1559-67), sendo mais tarde enforcado no Rio de Janeiro, quando os últimos franceses foram expulsos. A França Antártica é considerada como a primeira tentativa de estabelecer tanto uma igreja quanto um trabalho missionário protestante na América Latina.

Os holandeses no Nordeste (1630-54): depois de uma árdua guerra contra a Espanha, à Holanda calvinista conquistou a sua independência em 1568 e começou a tornar-se uma das nações mais prósperas da Europa. Pouco tempo depois, Portugal caiu sob o controle da Espanha por sessenta anos – a chamada "União Ibérica" (1580-1640).

Em 1621, os holandeses criaram a Companhia das Índias Ocidentais com o objetivo de conquistar e colonizar territórios da Espanha nas Américas, especialmente uma rica região açucareira: o nordeste do Brasil. Em 1624, os holandeses tomaram Salvador, a capital do Brasil, mas foram expulsos no ano seguinte. Finalmente, em 1630 eles tomaram Recife e Olinda e depois boa parte do Nordeste.

O maior líder do Brasil holandês foi o príncipe João Maurício de Nassau-Siegen, que governou o nordeste de 1637 a 1644. Nassau foi um notável administrador, promoveu a cultura, as artes e as ciências, e concedeu uma boa medida de liberdade religiosa aos residentes católicos e judeus.

Sob os holandeses, a Igreja Reformada era oficial. Foram criadas vinte e duas igrejas locais e congregações, dois presbitérios (Pernambuco e Paraíba) e até mesmo um sínodo, o Sínodo do Brasil (1642-1646). Mais de cinquenta pastores ou "predicantes" serviram essas comunidades.

A Igreja Reformada realizou uma admirável obra missionária junto aos indígenas. Além de pregação, ensino e beneficência foram preparados um catecismo na língua nativa. Outros projetos incluíam a tradução da Bíblia e a futura ordenação de pastores indígenas.

Em 1654, após quase dez anos de luta, os holandeses foram expulsos, transferindo-se para o Caribe. Os judeus que os acompanhavam foram para Nova Amsterdã, a futura Nova York.

Já o século XIX testemunhou a implantação definitiva do protestantismo no Brasil.

Primeiras manifestações:

Após a expulsão dos holandeses, o Brasil fechou as suas portas aos protestantes por mais de 150 anos. Foi só no início do século XIX, com a vinda da família real portuguesa, que essa situação começou a se alterar. Em 1810, Portugal e Inglaterra firmaram um Tratado de Comércio e Navegação, cujo artigo XII concedeu tolerância religiosa aos imigrantes protestantes. Logo, muitos começaram a chegar, entre eles um bom número de reformados.

Depois da independência, a Constituição Imperial (1824) reafirmou esses direitos, com algumas restrições. Em 1827 foi fundada no Rio de Janeiro a Comunidade Protestante Alemão-Francesa, que veio a congregar, ao lado de luteranos, reformados alemães, franceses e suíços.

Um dos primeiros pastores presbiterianos a visitar o Brasil foi o Rev. James Cooley Fletcher (1823-1901), que aqui chegou em 1851. Fletcher foi capelão dos marinheiros que aportavam no Rio de Janeiro e deu assistência religiosa a imigrantes europeus. Ele manteve contatos com D. Pedro II e outros membros destacados da sociedade; lutou em favor da liberdade religiosa, da emancipação dos escravos e da imigração protestante. Ele escreveu o livro O Brasil e os Brasileiros (1857), que foi muito apreciado nos Estados Unidos.

Fletcher não fez nenhum trabalho missionário junto aos brasileiros, mas contribuiu para que isso acontecesse. Foi ele quem influenciou o Rev. Robert Reid Kalley e sua esposa Sarah P. Kalley a virem para o Brasil, o que ocorreu em 1855. Kalley fundou a Igreja Evangélica Fluminense em 1858. No ano seguinte, chegou ao Rio de Janeiro o fundador da Igreja Presbiteriana do Brasil, o Rev. Ashbel G. Simonton.

Protestantismo de Imigração

"Ao iniciar-se o século XIX, não havia no Brasil vestígio de protestantismo" (B. Ribeiro, Protestantismo no Brasil Monárquico, 15).

Em janeiro de 1808, com a chegada da família real, o príncipe-regente João decretou a abertura dos portos do Brasil às nações amigas. Em novembro, novo decreto concedeu amplos privilégios a imigrantes de qualquer nacionalidade ou religião.

Em fevereiro de 1810, Portugal assinou com a Inglaterra tratados de Aliança e Amizade e de Comércio e Navegação. Este, em seu artigo XII, concedeu aos estrangeiros "perfeita liberdade de consciência" para praticarem sua fé. Tolerância limitada: proibição de fazer prosélitos e falar contra a religião oficial; capelas sem forma exterior de templo e sem uso de sinos.

O primeiro capelão anglicano, Robert C. Crane, chegou em 1816. A primeira capela foi inaugurada no Rio de Janeiro em 26-05-1822; seguiram-se outras nas principais cidades costeiras. Outros estrangeiros protestantes: americanos, suecos, dinamarqueses, escoceses, franceses e especialmente alemães e suíços de tradição luterana e reformada.

"Quando se proclamou a Independência, contudo, ainda não havia igreja protestante no país. Não havia culto protestante em língua portuguesa. E não há notícia de existir, então, sequer um brasileiro protestante" (B. Ribeiro, ibid., 18).

Com a independência, houve grande interesse na vida de imigrantes, inclusive protestantes. Constituição Imperial de 1824, art. 5º: "A religião católica apostólica romana continuará a ser a religião do Império. Todas as outras religiões serão permitidas com seu culto doméstico ou particular, em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de templo."

1820 – suíços católicos iniciaram a colônia de Nova Friburgo; logo a área foi abandonada e oferecida a alemães luteranos que chegaram em maio de 1824: um grupo de 324 imigrantes acompanhados do seu pastor, Friedrich Oswald Sauerbronn (1784-1864).

A maior parte dos imigrantes alemães foram para o sul: cerca de 4.800 entre 1824 e 1830 (60% protestantes). Primeiros pastores: Johann Georg Ehlers, Karl Leopold Voges e Friedrich Christian Klingelhöffer.

Junho 1827: fundação da Comunidade Protestante Alemã-Francesa do Rio de Janeiro, por iniciativa do cônsul da Prússia Wilhelm von Theremin. Luteranos e calvinistas. Primeiro pastor: Ludwig Neumann. Primeiro santuário em 1837 (alugado); o edifício próprio foi inaugurado em 1845.

Por falta de ministros ordenados, os primeiros luteranos organizaram sua própria vida religiosa. Elegeram leigos para serem pastores e professores, os "pregadores-colonos." Na década de 1850, a Prússia e a Suíça "descobriram" os alemães do sul do Brasil e começaram a enviar-lhes missionários e ministros. Isso criou uma igreja mais institucional e européia.

Em 1868, o Rev. Hermann Borchard (chegou em 1864) e outros colegas fundaram o Sínodo Evangélico Alemão da Província do Rio Grande do Sul, que foi extinto em 1875. Em 1886, o Rev. Wilhelm Rotermund (chegou em 1874), organizou o Sínodo Rio-Grandense, que tornou-se modelo para outras organizações similares. Até o final da Segunda Guerra Mundial as igrejas luteranas permaneceram culturalmente isoladas da sociedade brasileira.

Uma conseqüência importante da imigração protestante é o fato de que ela ajudou a criar as condições que facilitaram a introdução do protestantismo missionário no Brasil. Erasmo Braga observou que, à medida que os imigrantes alemães exigiam garantias legais de liberdade religiosa, estadistas liberais criaram "a legislação avançada que, durante o longo reinado de D. Pedro II, protegeu as missões evangélicas da perseguição aberta e até mesmo colocou as comunidades não-católicas sob a proteção das autoridades imperiais" (The Republic of Brazil, 49).

Em 1930, de uma comunidade protestante de 700 mil pessoas no país, as igrejas imigrantes tinham aproximadamente 300 mil filiados. A maior parte estava ligada à Igreja Evangélica Alemã do Brasil (215 mil) e vivia no Rio Grande do Sul.

Protestantismo Missionário

As primeiras organizações protestantes que atuaram junto aos brasileiros foram às sociedades bíblicas: Britânica e Estrangeira (1804) e Americana (1816). Traduções da Bíblia: protestante – Rev. João Ferreira de Almeida (1628-1691); católica – Pe. Antonio Pereira de Figueiredo (1725-1797). Primeiros agentes oficiais: SBA – James C. Fletcher (1855); SBBE – Richard Corfield (1856) e o trabalho dos colportores.

A Igreja Metodista Episcopal foi a primeira denominação a iniciar atividades missionárias junto aos brasileiros (1835-41). Obreiros: Fountain E. Pitts, Justin Spaulding e Daniel Parish Kidder. Fundaram no Rio de Janeiro a primeira escola dominical do Brasil. Também atuaram como capelães da Sociedade Americana dos Amigos dos Marinheiros, fundada em 1828.

Daniel P. Kidder: figura importante dos primórdios do protestantismo brasileiro. Viajou por todo o país, vendeu Bíblias, contactou intelectuais e políticos destacados, como o Pe. Feijó, regente do império (1835-37). Escreveu Anotações de Residência e Viagens no Brasil, publicado em 1845, clássico que despertou grande interesse pelo nosso país.

James Cooley Fletcher (1823-1901): pastor presbiteriano, estudou em Princeton e na Europa, casou-se com uma filha de César Malan, teólogo calvinista de Genebra. Chegou ao Brasil em 1851 como novo capelão da Sociedade dos Amigos dos Marinheiros e como missionário da União Cristã Americana e Estrangeira. Atuou como secretário interino da legação americana no Rio e foi o primeiro agente oficial da Sociedade Bíblica Americana. Promotor entusiasta do protestantismo e do "progresso." Escreveu O Brasil e os Brasileiros, publicado em 1857.

Robert Reid Kalley (1809-1888): nascido na Escócia, estudou medicina e em 1838 foi trabalhar como missionário na Ilha da Madeira. Oito anos depois, escapou de violenta perseguição e foi com seus paroquianos para os Estados Unidos. Fletcher sugeriu que fosse para o Brasil, onde Kalley e sua esposa Sarah Poulton Kalley (1825-1907) chegaram em maio de 1855. No mesmo ano, fundaram em Petrópolis a primeira escola dominical permanente do país (19-08-1855). Em 11 de julho de 1858, Kalley fundou a Igreja Evangélica, depois Igreja Evangélica Fluminense (1863), cujo primeiro membro brasileiro foi Pedro Nolasco de Andrade. Kalley teve importante atuação na defesa da liberdade religiosa. Sua esposa foi autora do famoso hinário Salmos e Hinos (1861).

Igreja Presbiteriana: missionários pioneiros – Ashbel Green Simonton (1859), Alexander L. Blackford (1860), Francis J.C. Schneider (1861). Primeiras igrejas: Rio de Janeiro (12-01-1862), São Paulo e Brotas (1865). Imprensa Evangélica (1864), seminário (1867). Primeiro pastor brasileiro: José Manoel da Conceição (17-12-1865). A Escola Americana foi criada em 1870 e o Sínodo do Brasil surgiu em 1888.

Imigrantes americanos: estabeleceram-se no interior de São Paulo após a Guerra Civil americana (1861-65). Foram seguidos por missionários presbiterianos, metodistas e batistas. Pioneiros presbiterianos da Igreja do sul dos Estados Unidos (PCUS): George N. Morton e Edward Lane (1869). Fundaram o Colégio Internacional (1873).

Igreja Metodista Episcopal (sul dos EUA): enviou Junius E. Newman para trabalhar junto aos imigrantes (1876). O primeiro missionário aos brasileiros foi John James Ransom, que chegou em 1876 e dois anos depois organizou a primeira igreja no Rio de Janeiro. Martha Hite Watts iniciou uma escola para moças em Piracicaba (1881). A partir de 1880, a I.M.E. do norte dos EUA enviou obreiros ao norte do Brasil (William Taylor, Justus H. Nelson) e ao Rio Grande do Sul. A Conferência Anual Metodista foi organizada em 1886 pelo bispo John C. Granbery, com a presença de apenas três missionários.

Igreja Batista: os primeiros missionários, Thomas Jefferson Bowen e sua esposa (1859-61) não foram bem sucedidos. Em 1871, os imigrantes de Santa Bárbara organizaram duas igrejas. Os primeiros missionários junto aos brasileiros foram William B. Bagby, Zachary C. Taylor e suas esposas (chegados em 1881-82). O primeiro membro e pastor batista brasileiro foi o ex-padre Antonio Teixeira de Albuquerque, que já estivera ligado aos metodistas. Em 1882 o grupo fundou a primeira igreja em Salvador, Bahia. A Convenção Batista Brasileira foi criada em 1907.

Igreja Protestante Episcopal: última das denominações históricas a iniciar trabalho missionário no Brasil. Um importante e controvertido precursor havia sido Richard Holden (1828-1886), que durante três anos (1861-64) atuou com poucos resultados no Pará e na Bahia. O trabalho permanente teve início em 1890 com James Watson Morris e Lucien Lee Kinsolving. Inspirados pela obra de Simonton e por um folheto sobre o Brasil, fixaram-se em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, estado até então pouco ocupado por outras missões. Em 1899, Kinsolving tornou-se o primeiro bispo residente da Igreja Episcopal do Brasil.

Igrejas Pentecostais e Neo-Pentecostais

As três ondas do pentecostalismo brasileiro: (a) Décadas 1910-1940: chegada simultânea da Congregação Cristã no Brasil e da Assembléia de Deus, que dominam o campo por 40 anos; (b) Décadas 1950-1960: campo pentecostal se fragmenta, surgem novos grupos – Evangelho Quadrangular, Brasil Para Cristo, Deus é Amor e muitos outros (contexto paulista); (c) Anos 70 e 80: neopentecostalismo – Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus e outras (contexto carioca).

Congregação Cristã no Brasil: fundada pelo italiano Luigi Francescon (1866-1964). Radicado em Chicago, foi membro da Igreja Presbiteriana Italiana e aderiu ao pentecostalismo em 1907. Em 1910 (março-setembro) visitou o Brasil e iniciou as primeiras igrejas em Santo Antonio da Platina (PR) e São Paulo, entre imigrantes italianos. Veio 11 vezes ao Brasil até 1948. Em 1940, o movimento tinha 305 "casas de oração" e dez anos mais tarde 815.

Assembléia de Deus: fundadores: suecos Daniel Berg (1885-1963) e Gunnar Vingren (1879-1933). Batistas de origem, abraçaram o pentecostalismo em 1909. Conheceram-se numa conferência pentecostal em Chicago. Assim como Luigi Francescon, Berg foi influenciado pelo pastor batista W.H. Durham, que participou do avivamento de Los Angeles (1906). Sentindo-se chamados para trabalhar no Brasil, chegaram a Belém em novembro de 1910. Seus primeiros adeptos foram membros de uma igreja batista com a qual colaboraram.

Igreja do Evangelho Quadrangular: fundada nos Estados Unidos pela evangelista Aimee Semple McPherson (1890-1944). O missionário Harold Williams fundou a primeira IEQ do Brasil em novembro de 1951 (São João da Boa Vista). Em 1953 teve início a Cruzada Nacional de Evangelização, sendo Raymond Boatright o principal evangelista. A igreja enfatiza quatro aspectos do ministério de Cristo: aquele que salva, batiza com o Espírito Santo, cura e virá outra vez. As mulheres podem exercer o ministério pastoral.

Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil Para Cristo: fundada por Manoel de Mello, um evangelista da Assembléia de Deus que depois tornou-se pastor da IEQ. Separou-se da Cruzada Nacional de Evangelização em 1956, organizando a campanha "O Brasil para Cristo," da qual surgiu à igreja. Filiou-se ao CMI em 1969 (desligou-se em 1986). Em 1979 inaugurou seu grande templo em São Paulo, sendo orador oficial Philip Potter, secretário-geral do CMI. Esteve presente o cardeal arcebispo de São Paulo, Paulo Evaristo Arns. Manoel de Mello morreu em 1990.

Igreja Deus é Amor: fundada por David Miranda (nascido em 1936), filho de um agricultor do Paraná. Vindo para São Paulo, converteu-se numa pequena igreja pentecostal e em 1962 fundou sua igreja em Vila Maria. Logo se transferiu para o centro da cidade (Praça João Mendes). Em 1979, foi adquirida a "sede mundial" na Baixada do Glicério, o maior templo evangélico do Brasil (dez mil pessoas). Em 1991 a igreja afirmava ter 5.458 templos, 15.755 obreiros e 581 horas diárias em rádios, bem como estar presente em 17 países (principalmente Paraguai, Uruguai e Argentina).

Igreja Universal do Reino de Deus: fundada por Edir Macedo (nascido em 1944), filho de um comerciante fluminense. Trabalhou por 16 anos na Loteria do Estado (subiu de contínuo para um posto administrativo). De origem católica, ingressou na Igreja de Nova Vida na adolescência. Deixou essa igreja para fundar a sua própria, inicialmente denominada Igreja da Bênção. Em 1977 deixou o emprego público para dedicar-se ao trabalho religioso. Nesse mesmo ano surgiu o nome IURD e o primeiro programa de rádio. Macedo viveu nos EUA de 1986 a 1989, quando voltou ao Brasil, transferiu a sede da igreja para São Paulo e adquiriu a Rede Record. Em 1990 a IURD elegeu três deputados federais. Macedo esteve preso por doze dias em 1992, sob a acusação de estelionato, charlatanismo e curandeirismo.

Recentemente cresceram as chamadas igrejas neopentecostais com foco nas classes média e alta, com um discurso mais liberado quanto aos costumes e menos ênfase nas manifestações pentecostais. Entre elas as igrejas podemos citar a Igreja Apostólica Renascer em Cristo, fundada por Estevam e Sonia Hernandez, a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, fundada por Robson Rodovalho e a Igreja Evangélica Cristo Vive, fundada por Miguel Ângelo. Seus fiéis costumam se identificar como "evangélicos", em referência aos reformados do século XVI.

Além das igrejas evangélicas, existem outros grupos, a saber: Os Neo-Cristãos. São grupos religiosos que usam a Bíblia para sua doutrina, mas não somente Ela, ou seja, se valem ainda de outras fontes de “revelação” ou “verdade”. Não são considerados evangélicos e sim como uma nova “categoria” do cristianismo (são grupos independentes, ou seja, não há comunhão entre eles).

Compõem esses grupos as Testemunhas de Jeová, a Igreja de Jesus Cristo do Santos dos Últimos Dias (Mórmons), Legião da Boa Vontade (LBV) ou Religião de Deus; Igreja Adventista do Sétimo Dia e outros.


CONCLUSÃO

Neste contato com a este cronograma histórico, pudemos ampliar a gama de conhecimentos acerca das variadas formas de cristianismo que se acham inserido na cultura religiosa apresentada neste trabalho, ou seja, no Brasil.

Não devemos, porém, considerar o assunto esgotado. A coleção de dados colecionados neste trabalho, visa proporcionar um domínio significativo, quanto a essas vertentes religiosas do cristianismo panoramicamente estudadas e muito pouco exploradas por pesquisadores brasileiros.


BIBLIOGRAFIA


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CHALLAYE, Félicen. Pequena história das grandes religiões. São Paulo: IBRASA – Instituição Brasileira de Difusão Cultural S.A., 1962.

LEITE, Tácito da Gama. História das religiões. Rio de Janeiro: Editora Juerp, volume II.; 1965.

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WILGES, Irineu. As religiões no mundo. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 4ª Edição, 1983.

RELIGIÕES. As grandes religiões. São Paulo: Editora Mundo e Missão, Volume II, 1999.

BROWKER, John. Para entender as religiões. São Paulo: Editora Ática.

CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia. São Paulo: Hagnus, 2007.

MARKUS, Cledes. Cadernos do COMIM. Novembro, 2002

FTW. Curso Interdenominacional de Teologia: Módulos XII e VI. Jundiaí: ICP, 2004.

Site pesquisado: http://www.espiritualidades.com.br/Artigos_D_L/incontri_Do

7 comentários:

  1. Parabéns! Este artigo me ajudou muito, pois, estou fazendo um trabalho sobre história da igreja e este artigo me deu um ótimo direcionamento. Que Deus continue a iluminar a sua mente, MESTRE!!!

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  2. meu caro professor, é muito bom poder entender o cristianismo de maneira clara e objetiva como voce descreveu acima,parabéns...

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  3. Professor o blog está muito bom!
    Parabens pelo desempenho!

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  4. Prof. seu blog está muito bom!!! por favor entre em contato para trocarmos informações.
    Sem mais,
    Prof. Ricardo Oliveira.
    P.S. meu e-mail: rick_feuc@ig.com.br

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  5. obrigado por ter me ajudado a fazer um trabalho espetacular....parabéns..

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  6. muito obrigado ajudou bastante no meu trabalho

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  7. respostas muito complexas as vezes difícil de entender mais fora isso está bom

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