segunda-feira, 12 de abril de 2010

PREGANDO O PLANO DE SALVAÇÃO


Disse Jesus: “Vão pelo mundo todo e preguem o Evangelho a todas as pessoas” (Marcos 16.15).

PORQUE PREGAR O PLANO DE SALVAÇÃO?

A mensagem do evangelho parece ser um grande quebra cabeças faltando peças de encaixe, principalmente quando ela é anunciada de uma forma sem muito sentido. Histórias como a do cego Bartimeu, a do cobrador de impostos Zaqueu, de Lázaro e etc., quando contadas isoladamente, acabam ficando sem muito significado e sem nenhuma conexão para o incrédulo. Podemos observar que parece faltar alguma peça nesse quebra cabeças. Essas peças são fornecidas, quando apresentamos o plano de salvação. Que é a forma sistematizada de se pregar o evangelho, possibilitando que todas as demais peças se encaixem no lugar certo, facilitando o entendimento do incrédulo. 

COMPREENDENDO O PROPÓSITO DA BÍBLIA PARA POSSUIR A VIDA ETERNA

O propósito principal para a Bíblia ter sido escrita foi para que nós soubéssemos como receber a Vida Eterna “Escrevi-lhes estas coisas, a vocês que crêem no nome do Filho de Deus, para que vocês saibam que têm a Vida Eterna” (1 João 5.13), somente nela podemos entender a verdadeira natureza de Deus e seus propósitos de salvação para o homem, somente nela entendemos o que é o homem e qual o seu propósito. Ela é o instrumento para que cada pessoa cresça na graça e no conhecimento de Deus. Nenhuma pessoa que tem se aproximado de Deus por meio de sua palavra (Bíblia), tem ficado sem direção para sua vida, pelo contrário, milhares de pessoas têm transformado suas vidas pela leitura diária da Palavra de Deus.

PARA REFLEXÃO: Se a Bíblia foi escrita por homens, porque eu devo confiar nEla como a Palavra de Deus? “Antes de mais nada, saibam que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal, pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1.20, 21); “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para repreensão, para a correção e para instrução na justiça” (2 Timóteo 3.16).

COMPREENDENDO A GRAÇA DE DEUS

SALVOS PELA GRAÇA

A vida eterna é um dom (presente) de Deus “... O dom gratuito de Deus é a vida eterna...” (Romanos 6.23).

Um verdadeiro dom não pode ser conquistado nem merecido por nenhum esforço pessoal, nem por qualquer tipo de atitude e obras que nos proporcione honras e méritos “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8). A palavra graça significa “favor imerecido”, ou seja, nós não podemos fazer nada para merecermos o favor de Deus, mas Ele nos concede mediante a sua graça. Podemos ilustrar o dom da vida eterna com o ar que respiramos, pois da mesma forma que não fazemos nada para merecê-lo, o recebemos como um favor-imerecido, concedido por Deus.


NÃO PODEMOS PAGAR OU MERECER A GRAÇA

 Em contraste a declaração acima, todas as religiões do mundo ensinam que para o homem ganhar o favor de Deus, para receber a vida eterna (salvação), deve fazer alguma coisa para se tornar merecedor de recebê-la. Infelizmente muitas pessoas estão presas entre muralhas formadas em suas mentes, por ensinamentos culturais e religiosos do tipo: “Deus ajuda quem cedo madruga”, “Faça por onde que eu te ajudarei” ou “É dando que se recebe”. Muitas pessoas têm acreditado que estes ensinamentos são válidos também para se receber a vida eterna. Essa idéia para alguns, pode ser bastante louvável, em algumas áreas de suas vidas, mas uma vez que influencie na compreensão da graça de Deus, pode ser fatal. Paulo deixa isso bem claro em Romanos 11.6 “E, se é pela graça, já não é pelas obras; se fosse, a graça já não seria graça”, e em Tito 2.4-5 “... da parte de Deus, nosso Salvador, se manifestaram a bondade e o amor pelos os homens, não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, Ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo”. Deus se revela, como o único Salvador de toda a humanidade “Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos”. (Atos 4.12), e não como um ajudante da mesma. Na verdade, nós não podemos construir um caminho para entrar no céu “A caminhos que parece certo ao homem, mas no final conduz a morte” (Provérbios 14.12), pois os nossos caminhos, diferem completamente dos caminhos de Deus “Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos...” (Isaías 55.8). Na verdade, temos que nos conscientizarmos que o pecado nos incapacitou de tal maneira que não conseguimos fazer nada de meritório à vista de Deus.

Suponhamos que o seu melhor amigo (ou esposa, esposo, mãe, etc.), pretendesse surpreender você com um lindo presente, e vamos supor que sua reação imediata fosse de procurar em sua carteira algum dinheiro para ajudar a pagar a despesa. Que insulto seria! Digamos que o presente tenha sido um relógio caríssimo, e que você retribuísse com alguns trocados. O resultado disso será ferir os sentimentos da pessoa que lhe está oferecendo o presente. Bem, e se você oferecesse menos dinheiro, talvez uns centavos, ou mesmo só um centavo, deixa de ser presente. É assim com a salvação. Até mesmo uma pequena tentativa de pagar pela nossa salvação faz com que percamos o direito de recebê-la. Jamais poderemos dizer um dia no céu: “Veja o que Cristo e eu fizemos!”.



PARA REFLEXÃO: Quem sempre seguiu os mandamentos de Deus, já é justificado por Ele para entrar no céu? “É evidente que diante de Deus ninguém é justificado pela Lei, pois o justo viverá pela fé” (Gálatas 2.11). 

COMPREENDENDO A CONDIÇÃO DO HOMEM

TODOS SÃO PECADORES

 A Bíblia declara que a vida eterna é um dom de Deus, porque todos os homens são pecadores “Não há nenhum justo, nem um sequer... Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nenhum sequer... Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Romanos 3.10, 12, 23). O pecado é o que tem nos separado de Deus. Infelizmente existem muitas pessoas achando que o pecado é algo relativo. Isso tem acontecido somente, porque ele tem sido analisado em relação a leis e normas de uma determinada sociedade ou cultura de um povo. Esse tipo de pensamento é muito perigoso, pois afirma que compete a nós, e não a Deus definir o que é o pecado. Um pensamento completamente equivocado, pois temos as nossas diferenças sócio-culturais. Por exemplo, fazer sacrifícios de humanos entre os aborígines na Austrália, não é pecado. Na África do Sul, é comum, que as mulheres se cumprimentem beijando na boca, no entanto no Brasil, isso causaria um escândalo. Beber cerveja na Alemanha não é proibido, mas, no entanto, aqui no Brasil é algo abominável (p/crentes). Na verdade o pecado é, e sempre será algo absoluto, pois deve ser sempre analisado á luz das Escrituras Sagradas. Em qualquer época e em qualquer lugar do mundo que você estiver, o pecado sempre será pecado, quando for contra ao que a Palavra de Deus orienta. Devemos lembrar que no juízo final seremos julgados pelos nossos atos com base nas Escrituras, e não por um conjunto de códigos e regras criados por um determinado grupo, povo ou nação (ver Apocalipse 20.11-15). Existem outras pessoas que acham que pecado é somente matar, prostituir ou roubar (atos), chegando à conclusão de que seus pecados não são tão graves assim, pois acham, que só é pecado, o que conseguem lembrar de errado. Inventaram uma divisão, falam que existem pecados voluntários e não voluntários, e que somente os pecados voluntários são levados em consideração. Quando na realidade pecado é uma coisa só, e que todos nós praticamos. A verdade é que essas pessoas não querem admitir que são tão pecadoras como qualquer outra pessoa “Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós” (1João 1.10).

Se pegarmos um porquinho e o tirarmos do chiqueiro e o levarmos para casa e lhe dermos um banho de água de rosas e colocarmos nele talco e um laço de fita vermelha, pensaremos que ele não é mais um porquinho, de tão cheiroso que está! Então nós o levamos para passear, e depois de algum tempo o porquinho vê uma poça de água suja, e ele escapa de nossas mãos. Você já sabe que o porquinho vai direto para a poça de água suja, não é mesmo? Apesar de estar limpinho, ele se joga na água suja e se sente feliz lá. Porque lá é o seu ambiente. Assim também é espiritualmente. Você pode falar e se vestir como um crente. Você pode entrar para organizações cristãs e cantar hinos cristãos, e em tudo se comportar como um crente. No entanto, nenhuma dessas coisas faria de você um crente. Você nasceu pecador e você tem a natureza de uma raça pecaminosa. Nada que você faça exteriormente pode mudar esse fato. Só através de um novo nascimento você pode passar a ter uma nova natureza. Porém, para Deus todas as coisas são possíveis.


PECAMOS DE TODAS AS FORMAS

Pecamos por ações: É qualquer tipo de ação que vá de encontro contrário ao que a Palavra de Deus orienta, exemplo: “Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: “Não matarás”, e quem matar estará sujeito a julgamento” (Mateus 5.21). Pecamos por palavras: É qualquer tipo de palavras que maldizem a Deus e/ou ao seu próximo, exemplo: “Mas Eu lhes digo que qualquer que disser a seu irmão: “Raca”[tolo], será levado ao tribunal. E qualquer que disser: “Louco”, corre o risco de ir para o fogo do inferno” (Mateus 5.22), pois isso, também é contra o que a Palavra de Deus orienta. Pecamos por pensamentos: É qualquer tipo de mau pensamento que nos venha á mente, exemplo: “... Qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração” (Mateus 5.28). Os psicólogos dizem que passam aproximadamente pela mente humana, dez mil pensamentos em um período de vinte e quatro horas. Você já parou para imaginar quantos desses pensamentos são pecados? Ou quantas vezes você já disse: “Estou com a consciência tranqüila”. Saiba que ter a consciência tranqüila na maioria das vezes é resultado de uma memória fraca, pois os psicólogos dizem que esquecemos 99% das coisas que pensamos de errado. Pecamos por Omissão: É qualquer tipo de omissão que vá contra ao que a Bíblia nos manda fazer de correto, exemplo: “... Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer, tive sede, e nada me deram para beber...” (Mateus 25.42); “Pensem nisto, pois: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tiago 4.17). Sendo assim, todos os homens são pecadores, pois todos, sem exceções cometem tais transgressões (atos, palavras, pensamentos e omissões).

NÃO PODEMOS NOS SALVAR

Como conseqüência de tudo isso, o homem não pode se salvar mediante os seus próprios esforços (boas obras). Por mais que nós vivêssemos continuamente na prática das boas obras e vivêssemos uma vida totalmente consagrada e em santidade a Deus, nós nunca chegaríamos a alcançar o padrão que Ele instituiu. Pois, para que nós recebêssemos a vida eterna mediante os nossos méritos, nós teríamos que ser perfeitos. Jesus disse: “Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês” (Mateus 5.48). Esse não é um texto isolado, que se possa interpretar de alguma outra maneira, mas é algo que é ensinado através de toda a Bíblia. Paulo em Gálatas diz: “Já os que se apóiam na prática da Lei estão debaixo da maldição, pois está escrito: Maldito todo aquele que não persiste em praticar todas as coisas escritas no livro da Lei” (Gálatas 3.10). Se não fizermos continuamente o que nos foi ensinado, estamos sob a maldição de Deus. Tiago mostra isso de outra maneira, “Pois quem obedece a toda Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente” (Tiago 2.10), ou seja, se nós cometermos apenas um pecado, já estamos fora da Lei e nos tornamos culpados de toda ela. Adão e Eva precisaram apenas de um único pecado, para serem expulsos do paraíso “... por isso o Senhor Deus o mandou embora do jardim do Éden para cultivar o solo do qual fora tirado” (Gênesis 3.23). De acordo com tudo o que já vimos, podemos afirmar que é impossível ao homem se salvar por suas obras e méritos, pois o nosso padrão de justiça, passa distante do padrão de justiça de Deus “Somos como o impuro - todos nós! Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo” (Isaías 64.6).

PARA REFLEXÃO: Então, nunca poderemos ser salvos? Jesus disse: “... Para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis” (Mateus 19.26).

COMPREENDENDO A NATUREZA DE DEUS

O AMOR E A MISERICÓRDIA

Apesar de todos os nossos pecados, a Bíblia diz que Deus é amor e também misericordioso “Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis” (Lamentações 3.22), e Ele não nos ama pelo o que nós somos ou fazemos, mas sim pelo o que Ele é, porque a sua essência é amor, “... Deus é amor” (1João 4.8), e por Ele nos amar incondicionalmente não quer nos punir. Mas, infelizmente muitas pessoas sustentam o conceito, que Deus é somente amor, pois, se isto fosse verdade não precisaríamos nos arrepender dos nossos pecados, afinal de contas Deus é amor, e sendo somente amor todas as pessoas entrariam no céu, mesmo, com seus pecados, com suas religiões, credos, filosofias e etc.

A SANTIDADE E A JUSTIÇA

A mesma Bíblia que fala que Deus é misericordioso e nos ama, também diz que Deus é Santo “... Sejam santos, porque Eu sou santo” (1Pedro 1.16) e por ser santo, Ele não pode se aproximar do pecado. E também é Justo, e por ser Justo, não pode compactuar com os nossos pecados “A tua justiça é eterna, e a tua lei é a verdade” (Salmos 119.142), e sua santidade e justiça, foram á razão pela qual, Ele puniu Adão e Eva os expulsando do paraíso, pois Ele não pode deixar de punir os culpados “... Deus compassivo e misericordioso, paciente, cheio de amor e fidelidade, que mantém o seu amor a milhares e perdoa a maldade, a rebelião e o pecado. Contudo, não deixa de punir o culpado...” (Êxodo 34.6, 7), pois sua Santidade e Justiça são tão perfeitas e eternas que Ele tem que punir os culpados. Por outro lado se Deus fosse somente justo, todos nós estaríamos perdidos, pois todos nós somos culpados, ou seja, todos nós falhamos em guardar os mandamentos de Deus (ser perfeitos). “... Não agirá com justiça o Juiz de toda terra?” (Gênesis 18.25). Reconhecemos então nosso problema, Deus é misericordioso e nos ama por isso não quer nos punir, mas por ser também, Santo e Justo, tem que punir os culpados.

Suponhamos que eu tivesse roubado um banco. Uma câmera escondida filma o roubo, e o caixa e outras testemunhas oculares identificam-me como sendo o culpado. As provas contra mim são inquestionáveis. Quando me trazem à presença do juiz, ele pergunta: “você é culpado ou inocente?” Eu respondo: “Sou culpado meritíssimo”. O juiz pronuncia a sentença, condenando-me a cinco anos de prisão por assalto à mão armada. Suponha que eu fale para o juiz: “Meritíssimo, estou muito arrependido por ter roubado o banco. O dinheiro foi devolvido, e ninguém se feriu. Se o senhor apenas me deixar ir livre, prometo que nunca mais voltarei a roubar”. O juiz seria justo, caso me deixasse ir embora? Ele tem uma norma de justiça, a qual tem que ser satisfeita. Se os juízes deixarem assaltantes de bancos livres simplesmente porque eles disseram que estão arrependidos e prometeram nunca mais assaltar bancos, não haverá um só banco no país que esteja seguro. Deus é muito mais justo que qualquer juiz humano. Ele não pode pura e simplesmente, ignorar nossos pecados.


PARA REFLEXÃO: Como pode ser resolvido, este aparente dilema? “Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus” (2Coríntios 5.21).

COMPREENDENDO A PESSOA DE JESUS CRISTO

 A SOLUÇÃO DE DEUS

O que era impossível ao homem, Deus tornou possível, enviando Jesus Cristo. Ele é a única solução ao problema do homem (pecado). Grande parte das pessoas conhece muitos fatos sobre a vida e obra de Jesus Cristo, mas poucos sabem que Ele é o próprio Deus que se fez Homem “No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus; Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1.1-14), o próprio Deus veio a este mundo na pessoa de Jesus Cristo para resolver o problema de todos os homens, ou seja, para pagar a pena que merecemos receber por nossos pecados. O pecado entrou no mundo através da transgressão de Adão, que foi um homem criado santo e perfeito. Por isso, somente através de um homem santo e perfeito (Jesus), a pena dos nossos pecados poderia ser paga “Conseqüentemente, assim como uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens, assim também um só ato de justiça resultou na justificação que traz vida a todos os homens. Logo, assim como por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio da obediência de um único homem muitos serão feitos justos” (Romanos 5.18,19).

RECONCILIADOS COM DEUS

Quando Jesus morreu na cruz e ressuscitou fisicamente da morte, pagou a pena que iríamos receber pelos nossos pecados “Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça...” (1Pedro 2.24); “Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o Senhor fez cair sobre Ele a iniqüidade de todos nós” (Isaías 53.6), nos reconciliando novamente com Deus. Quando Jesus estava na cruz, Ele disse: “... Está consumado” (João 19.30), essa palavra no texto original grego é Tetélestai, que significa também: Está pago, ou seja, nós nunca teríamos condições de pagar a pena, por isso Jesus Cristo a pagou por nós, através da sua própria morte “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” (Romanos 5.8). Ele morreu, mas ressuscitou fisicamente dentre os mortos, e é o Senhor da vida. Sua vitória sobre o pecado e a morte, foi o que nos deu a certeza de que podemos receber a vida eterna, não por nossos méritos, mas pelos méritos de Cristo. A vida eterna é de graça porque foi comprada e paga por Cristo “Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6.23). A mensagem do evangelho de Jesus Cristo não é “Faça”, mas sim, “está feito”.

Nós podemos analisar a condição humana e fazer uma equação a partir dela. A pecaminosidade do homem mais a justiça de Deus só pode ser igual a uma coisa: o inferno eterno para o homem. Isso é o que merecemos. Porém há um outro fator nessa equação. Se nós somarmos a pecaminosidade do homem e à justiça de Deus o fator do amor de Deus, de novo temos uma única resposta possível: o sacrifício de Cristo. Foi necessário que Deus providenciasse a redenção por meio de Cristo com seu próprio sangue derramado na cruz.


PARA REFLEXÃO: Mas, quem recebe a vida eterna? Todo mundo? “Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram” (Mateus 7.14).

COMPREENDENDO O QUE É A FÉ

 A FÉ NATURAL (CONHECIMENTO)

Algumas pessoas acham que possui a fé salvadora, pelo simples fato de terem um mero conhecimento das Escrituras, da existência de Deus e da pessoa de Jesus Cristo. A Bíblia diz que o diabo também crê em tudo isso, porém, o fato de estar de acordo com essa verdade, não lhe dá entrada no céu “Você Crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem - e tremem!” (Tiago 2.19). Por isso crer que Deus existe não é o que a Bíblia chama de fé salvadora. Os demônios que estavam no endemoninhado geraseno (ou gadareno) disseram a Jesus: “... Que queres comigo, Jesus, Filho do Deus altíssimo? Rogo-te que não me atormentes!” (Lucas 8.28). Como pode se notar, até os demônios sabem que Cristo é o Filho de Deus, mas nem por isso, eles estão salvos.

A FÉ NATURAL (MOMENTO)

 Outras pessoas confundem a fé salvadora com uma fé momentânea, ou seja, quando elas se colocam numa condição passageira de confiarem em Deus a fim de suprir as suas necessidades essenciais da vida, como por exemplo: saúde, problemas econômicos, etc. Gostaria de lembrar que a fé é uma lei espiritual, ou seja, não importa no que você está crendo, desde que tenha fé para conseguir o desejado. Não é pelo fato das pessoas conseguirem determinadas coisas que Deus está inserido no contexto “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então Eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de Mim vocês, que praticam o mal!” (Mateus 7.21-23). Com base nesse texto podemos ver que, muitas pessoas conseguem alcançar seus objetivos pela fé. Mais nem por isso, elas estão ou serão salvas. Os tipos de fé que foram citados acima, infelizmente não podem ser utilizados para salvar o homem pecador.

A FÉ SOBRENATURAL (SALVADORA)

Nós recebemos de Deus o dom da vida eterna pela fé salvadora. Esta fé que chamamos salvadora é dada pelo próprio Deus “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vós é DOM de Deus ...” (Efésios 2.8). Isso não quer dizer que Deus escolha as pessoas para a vida eterna, pois Deus não faz acepção de pessoas, mas Ele libera o dom da fé salvadora para todos aqueles que escolherem (livre arbítrio) se arrepender de seus pecados, e desejarem de coração colocar sua confiança em Jesus Cristo para salvação.

Há três elementos necessários na fé salvadora:

- Conhecimento, conhecer os fatos relatados sobre Cristo.

- Consentimento, estar de acordo com os fatos relatados sobre Cristo.

- Confiança, ter a confiança de que somente Cristo poderá lhe salvar.

Muitas pessoas conhecem e consentem quando o assunto é Jesus Cristo, mais infelizmente isso não é o bastante para se receber a vida eterna.

A fé salvadora consiste em confiar unicamente em Jesus Cristo para receber a vida eterna. Isto é, depender de Cristo e do que Ele fez por nós. A palavra de Deus deixa isso ainda mais claro, “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dEle. Quem nEle crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus” (João 3.16, 17, 18). A palavra crer, significa o mesmo que ter confiança, ou seja, nós precisamos confiar que somente através do sacrifício de Cristo podemos ser salvos “Asseguro-lhes que aquele que crê tem a vida eterna” (João 6.47); “Creia no Senhor Jesus, e serão salvos você, e os de sua casa” (Atos 16.31).

Certo dia, uma grande multidão estava observando o famoso acrobata Blodin atravessar as cataratas do Niágara, a grande cachoeira na fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos, andando em cima de uma corda. Blodin, fez a travessia várias vezes, um percurso de trezentos metros, a cinqüenta metros de altura das violentas águas. Conta-se que ele falou a multidão, perguntando se acreditavam que ele era capaz de levar alguém dentre eles até o outro lado. É claro que todos eles responderam que sim. Então ele se aproximou de um homem e pediu-lhe que montasse nas suas costas e fosse com ele. O homem que foi convidado recusou ir. É assim com Jesus Cristo. Há uma aceitação intelectual (conhecimento), ou mesmo há aceitação verbal, mas isso ainda é insuficiente. O que deve haver é a confiança, somente em Jesus cristo para receber o dom (presente) da vida eterna.


PARA REFLEXÃO: Se a salvação é somente pela graça de Deus mediante a fé, posso continuar no pecado? “De maneira nenhuma! Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo ainda nele? Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? Portanto, fomos sepultados com Ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova” (Romanos 6.2-4).

COMPREENDENDO AS BOAS OBRAS

 Desde a infância, fomos ensinados a fazer as coisas certas, para que não praticássemos coisas que são consideradas erradas, ou seja, ninguém precisa ensinar uma criança a fazer coisas erradas, pois ela já o faz naturalmente, mas é necessário que se ensine a fazer as coisas certas, e essa tarefa por muitas vezes é muito trabalhosa. De que maneira então, poderíamos vencer essa nossa característica natural? Só existe uma, e essa consiste em termos que praticar um único preceito bíblico: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gálatas 5.14). Se, realmente, amarmos o nosso próximo como a nós mesmos, facilmente deixaremos de ter certas atitudes, que não só são prejudiciais às pessoas que estão a nossa volta, como também prejudiciais a nós mesmos. Por exemplo, costumamos sempre reclamar que o mundo onde nós vivemos está terrível, um verdadeiro caos, mas eu lhe pergunto: O que você tem feito para mudar esse quadro? No seu bairro tem mendigos? Quantos deles já saíram das ruas através da sua ajuda? Você nunca fez nada por eles, pois acha que isso é problema do governo? Você votou consciente de que aquela pessoa que você elegeu vai realmente fazer algo pelo seu bairro? A sua resposta pode ter sido:

“Eu até queria votar em alguém assim, mas essa pessoa não existe”.

É verdade, cada vez está mais difícil encontrar pessoas, na política, que realmente se preocupem, mas eu te pergunto:

O que você tem feito para mudar isso?

Afinal essas pessoas que estão hoje no poder, foram educadas para serem assim. Por acaso você está educando seus filhos para serem honestos e se preocuparem com as pessoas a sua volta? Um dia eles é que podem estar no poder e virem até mesmo a ser o presidente da República. Você acha isso impossível? A mãe do presidente Lula, provavelmente, também achava. Enfim, o fato é que todos os nossos atos bons recaem sobre nós mesmos, assim como, todos os nossos atos maus. Sem dúvida alguma, a sociedade e o meio em que nós vivemos é reflexo do que nós somos, e a chave ou a solução para tudo isso é o amor, o problema é que para a maioria das pessoas tem sido impossível amar o seu próximo, essa é uma realidade tão distante para elas, que parece que mesmo que elas vivam mil anos, seria impossível alcançá-la. Na verdade, isso é impossível para o homem, através de seus próprios esforços seria impossível para ele amar alguém como ama a si mesmo, imagine então, termos que amar a todos que nos cercam? Principalmente porque o ser humano não lida muito bem com a questão da decepção, então por mais que se ame alguém, quando essa pessoa começa, digamos, a “pisar na bola”, a tendência é ela ser colocada de lado. Isso acontece, porque o amor (ágape) que necessitamos ter, só pode ser colocado dentro de nós através de Deus, somente Ele pode fazer o milagre de transformar a nossa natureza egoísta em uma natureza conduzida pelo amor ao próximo. Por meio do Espírito Santo, que habita em nós, é possível vermos, a cada dia, nossas más intenções serem transformadas em atitudes boas e o nosso coração se encher de compaixão e amor pelas pessoas que nos cercam. Esse amor, que vem de Deus, é aquele que deve ser buscado pelo verdadeiro convertido. Nós devemos e precisamos ter esse amor, para que assim, através de nossos atos, possamos refletir a grandeza do Deus que nós seguimos e servimos. Leia o que a Bíblia diz sobre a vida em sociedade praticada pelos primeiros cristãos. “Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos” (Atos 2.44-47). Pelo amor, os discípulos de Jesus são conhecidos. Esta tem que ser a marca que define o cristão. Muito mais do que manifestações espirituais, como por exemplo, as curas divinas, revelações e profecias, dom da palavra ou conhecimento teológico. Os discípulos devem ser reconhecidos pelo amor. Assim como, Jesus Cristo, manifesta o seu amor por todos. Nós convertidos devemos também manifestar o mesmo amor pelo nosso próximo, não para conquistar um lugar no céu, mas como agradecimento a Deus pelo o que fez por nós. Jesus Cristo disse: “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros” (João 13.34).

Na verdade, se a sua fé em Jesus Cristo é realmente legítima, e se o Espírito Santo habita dentro de você, é impossível que você não pratique as boas obras, seguindo os mandamentos de Deus de uma forma natural, reconhecendo que por mais que você as pratique, terá sempre dentro de si a dependência de Deus para todas as áreas da sua vida. “Mostre a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras” (Tiago 2.18b).

(Texto: Fernanda Bahia Mariano)

COMPREENDENDO A DECISÃO POR CRISTO

Após ter explicado todo o plano de salvação para a pessoa, este é o ponto decisivo e que requer do evangelista um cuidado todo especial. Devemos mostrar a pessoa que ela está diante da decisão mais importante que uma pessoa pode tomar.

Quando a pessoa se decidir em receber a vida eterna (salvação), é necessário esclarecer o que isso implicará em sua vida. Pois com isso a pessoa confirmará a decisão com plena consciência do que precisa ser feito.

O ARREPENDIMENTO

Receber a salvação implica arrependimento, significa deixar de confiar em nossa capacidade para nos salvar, crendo que Cristo é o único que pode perdoar os nossos pecados “ ‘O tempo é chegado’, dizia Ele [Jesus]. ‘O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas!’ ” (Marcos 1.15). A pessoa precisa entender que o arrependimento envolve um desejo de entrega de vida, seguindo e servindo a Cristo com gratidão.

A CONFIANÇA (FÉ)

Como já falamos, a pessoa precisa crer que somente através do sacrifício de Cristo ela irá para o céu, independente das suas boas obras, pois estas são conseqüência do novo nascimento (ver: fé).

A ORAÇÃO DE DECISÃO

A pessoa recebe a Cristo pela fé e não por meio da oração. A oração, entretanto, é um meio objetivo e consciente de expressar a fé salvadora em Jesus Cristo “Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Pois com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa para salvação; Por que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Romanos 10.9, 10, 13).

EXEMPLO DE ORAÇÃO

“Senhor Jesus, eu preciso de ti. Eu te agradeço por ter morrido na cruz pelos meus pecados. Abro a porta do meu coração e te recebo como meu Salvador e Senhor. Obrigado por perdoar os meus pecados e me dar à vida eterna. Toma conta da minha vida e me torne no tipo de pessoa que desejas que eu seja. Amém”.

O ACOMPANHAMENTO IMEDIATO

Após a pessoa ter se decidido por Cristo é necessário mostrarmos os primeiros passos a serem seguidos por ela “Como crianças recém-nascidas, desejem de coração o leite espiritual puro, para que por meio dele cresçam para a salvação, agora que provaram que o Senhor é bom” (1 Pedro 2.2, 3).

O BATISMO

Mostre o significado de ser batizado “Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo...” (Atos 2.38). Explique que o batismo simboliza a morte da vida carnal e a ressurreição para a vida espiritual (a nova vida em Cristo). O batismo é também um testemunho público da transformação que ocorreu na vida do pecador.

O TESTEMUNHO

Testemunhar é falar do que Jesus fez em sua vida “O homem de quem haviam saído os demônios suplicava-lhe que o deixasse ir com Ele [Jesus]; mas Jesus o mandou embora, dizendo: ‘Volte para casa e conte o quanto Deus lhe fez’. Assim, o homem se foi e anunciou na cidade inteira o quanto Jesus tinha feito por ele” (Lucas 8.38, 39). Devemos incentivar o novo convertido para que fale o mais breve possível do que aconteceu em sua vida para outras pessoas.

A BÍBLIA

 É fundamental que o novo convertido tenha como costume, ler a Bíblia “A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho” (Salmos 119.105). Pois a Bíblia é a Palavra do próprio Deus. E nós como servos dEle precisamos seguir os seus conselhos. Entregue um Novo Testamento (Bíblia), e peça a pessoa para ler um capítulo por dia, começando pelo evangelho de João. Quando for possível marque uma futura visita para verificar, se a pessoa tem dúvidas em relação à leitura.

A ORAÇÃO

Mostre a pessoa á importância da oração, e que ela passe um tempo por dia conversando com Deus “Orem continuamente” (1Tessalonicenses 5.17). Pois as orações fazem parte do relacionamento com Deus. Como Deus fala conosco através de sua Palavra escrita (Bíblia), nós falamos com Ele através das orações.

A IGREJA

Ensine a pessoa que ela deve fazer parte de uma igreja que tenha um compromisso verdadeiro com a Bíblia “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o dia” (Hebreus 10.25). Explique que na igreja, a comunhão há ajudará a crescer na fé no Senhor Jesus Cristo “Eles [os novos convertidos] se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações; Os que criam mantinham tudo em comum” (Atos 2.42-44). Peça o novo convertido que procure uma igreja verdadeira mais próxima de sua casa.

A BATALHA ESPIRITUAL BÍBLICA


“Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo, pois a nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Efésios 6.11-12).

CONSIDERAÇÕES

Atualmente, temos nos deparado com uma série de divergências de idéias equivocadas em relação à “batalha espiritual”, principalmente quando relacionada à área de evangelismo. Isso tem acontecido principalmente, devido às influências de literaturas sobre este assunto. Também o pouco conhecimento que as pessoas tem no meio secular e a falta de uma maturidade espiritual cristã, são a causa dessas idéias. Podemos destacar duas idéias equivocadas que as pessoas costumam ter. Por exemplo, algumas pessoas acham que pelo fato de começar uma tempestade na hora em que elas estão indo evangelizar, estão em uma “batalha espiritual”, quando na verdade isso não passa de uma provisão Divina. Outros acham que pelo fato do telefone tocar ou o cachorro latir na hora em que estiver evangelizando uma pessoa, é uma “ação do inimigo”, quando na realidade são coisas circunstanciais do dia a dia.

Essas divergências de opiniões na maioria das vezes tem feito com que o evangelista se confunda em saber o que é realmente uma “batalha espiritual”. Ao final deste artigo você terá uma visão bíblica sobre este assunto.

A ATUAÇÃO DO “DIABO” NA EVANGELIZAÇÃO

CONTRA O EVANGELISTA

O “diabo” não é o homenzinho de roupa vermelha, com cascos, chifres e tridente. Ele é um anjo caído, que possui muitos poderes. Perverso no íntimo e absolutamente contrário a Deus, ele, muitas vezes nos engana por meio de uma falsa aparência “... O próprio satanás se disfarça de anjo de luz” (2 Coríntios 11.14). O diabo atua numa frente de “batalha sobrenatural”, em que nós resistimos a satanás e outros seres sobrenaturais malignos, os quais a Bíblia identifica como a fonte do mal. Satanás e seus aliados utilizam o “mundo” e a “carne” para nos fazer mergulhar na vida pecaminosa, tentando nos impedir de fazer a vontade de Deus. Quando examinamos essa grande guerra invisível em que o diabo e seus exércitos lutam contra nós, devemos nos concentrar em duas realidades. Primeira: temos de ficar alertas a suas intenções malignas, sua estratégia de nos enganar e destruir “Estejam alertas e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar” (1 Pedro 5.8). Segunda: temos de reconhecer que somente Deus pode nos tornar vitoriosos nessa grande batalha invisível. Seus recursos, sua força, seu ministério a nosso favor são o que permite que não sejamos destruídos no combate, pois a ordem divina é para que nós venhamos a resistir. “Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês” (Tiago 4.7). Temos de desenvolver a convicção e o hábito de nos voltar para Deus, depender dEle, obedecer a Ele, para que vença a batalha por nós “Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo” (1 João 4.4). Pois se você for realmente servo de Deus, o diabo não terá poder sobre sua vida “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado, aquele que nasceu de Deus o protege, e o maligno não o atinge” (1 João 5.18).

CONTRA O INCRÉDULO

A estratégia do diabo na evangelização com os não crentes começa com o recebimento da própria mensagem do evangelho, impedindo que os incrédulos entendam a mesma e não sejam salvos “O Deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2 Coríntios 4.4).

Na parábola do semeador podemos reforçar esse argumento, que deixa bem claro que o próprio diabo impede que a pessoa receba a salvação “As que caíram à beira do caminho são os que ouvem, então vem o diabo e tira a palavra do seu coração, para que não creiam e não sejam salvas” (Lucas 8.12). Devemos também como evangelistas ter muito cuidado ao pregarmos o evangelho, pois a mesma passagem citada, aparece no evangelho de Mateus deixando bem claro que o diabo arrebata a mensagem do coração do incrédulo, porque ele (o incrédulo) não conseguiu entender o que foi dito “Quando alguém ouve a mensagem do Reino e não a entende, o maligno vem e lhe arranca o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho” (Mateus 13.19). Por isso é muito importante que venhamos a deixar a mensagem a mais clara possível, sendo guiados pelo Espírito e intercedendo pela pessoa a qual estivermos evangelizando.

A ATUAÇÃO DA “CARNE” NA EVANGELIZAÇÃO

CONTRA O EVANGELISTA

A palavra “carne” aqui não significa a nossa pele, carne e ossos, nem se refere a nossos desejos sexuais. Esses fazem parte da boa criação de Deus. Antes, “carne” refere-se a uma inclinação inerente para o pecado que todo ser humano herdou de Adão “Portanto, da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos 5.12). Refere-se não apenas aos desejos, mas também às atitudes “Ora as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem, idolatria e feitiçaria, ódio, discórdia, ciúme, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja, embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti: Aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus” (Gálatas 5.19-21). A carne é, à frente de “batalha pessoal”, em que o evangelista luta contra o pecado e contra o mal “dentro de si mesmo”, um campo de batalha de poderes, valores, influências e tentações internas.

O apóstolo Paulo escreveu sobre a luta contra a carne em Romanos 7, veja:

“Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum. Com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já não o faço eu, mas o pecado que habita em mim”.

Essa passagem diz respeito a uma batalha civil espiritual que se alastra dentro do coração de cada servo de Deus, por causa do novo nascimento em Cristo. O cristão deseja fazer o que é certo, mas a carne não está remida e continua nos puxando para baixo até o dia em que o Senhor Jesus volte ou até o dia que venhamos a morrer “... Nós mesmos, que temos os primeiros frutos do espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo” (Romanos 8.23). Por isso temos de batalhar contra essa tendência, um tipo de força, de atração doentia dentro de nós que nos puxa contra a vontade de Deus. Vejamos o que o Livro de Tiago diz sobre a “carne”:

“Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: ‘Estou sendo tentado por Deus’. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. Então esse desejo, tendo concebido, dá a luz o pecado, e o pecado, após ter se consumado, gera a morte” (Tiago 1.13-15).

Nessa batalha, a Bíblia nos adverte a não deixarmos que o pecado governe nosso corpo físico. Em vez disso, devemos nos apresentar ativamente a Deus como instrumentos para ser utilizados por sua justiça “Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus. Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos. Não ofereçam os membros do corpo de vocês ao pecado, como instrumentos de injustiça; antes ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam os membros do corpo de vocês a Ele, como instrumentos de justiça. Pois o pecado não os dominará, porque vocês não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Romanos 6.11-14).

CONTRA O INCRÉDULO

Nesta luta contra a “carne”, o incrédulo está numa situação mais complicada do que o evangelista, pois o evangelista tem o Espírito Santo para combater os desejos e as tentações, e o incrédulo infelizmente não tem. Na verdade o incrédulo geralmente não esta muito preocupado com suas atitudes carnais, pois no seu pensamento dominado pelo pecado, suas atitudes não são tão repugnantes a ponto de afastá-lo de Deus. A verdade é que acontece justamente o contrário “A mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à Lei de Deus, nem pode fazê-lo. Quem é dominado pela carne não pode agradar a Deus” (Romanos 8.7, 8). Nesta condição a “carne” domina completamente os desejos da pessoa, impedindo até mesmo que a pessoa se converta para fazer a vontade de Deus.

A ATUAÇÃO DO “MUNDO” NA EVANGELIZAÇÃO

CONTRA O EVANGELISTA

A palavra “mundo” aqui não significa o planeta. Este mundo físico foi criado por Deus, e Ele o declarou muito bom “E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom...” (Gênesis 1.31). Apesar de ter sido corrompido pelo pecado, um dia será redimido e renovado “Então vi novos céus e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham passado; e o mar já não existia” (Apocalipse 21.1), voltando a ser totalmente bom. Mas o “mundo” no sentido negativo é o sistema de valores do mundo. É a atual ordem maligna e o estado das coisas que se iniciaram, não com a criação, mas com o estrago que o pecado causou na boa criação de Deus (ver: Gênesis 3). O “mundo” é uma frente de batalha social onde o evangelista luta contra o pecado e contra o mal, “enfrentando-os de fora”. A parábola do semeador mostra-nos que é um campo de batalha de poderes, valores, influências e tentações externas “As [sementes] que caíram entre espinhos são os que ouvem, mas, ao seguirem seu caminho, são sufocados pelas preocupações, pelas riquezas e pelos prazeres desta vida, e não amadurecem” (Lucas 8.14). Infelizmente muitos “crentes” têm se rendido a essas coisas dentro da própria igreja (teologia da prosperidade, da confissão positiva e etc.), impedindo que seus frutos amadureçam na obra de Deus. Pois estão mais preocupados com eles mesmos do que com os que estão perdidos.

Nessa batalha, a Bíblia adverte-nos que, ainda que vivamos no mundo, não somos dele, e devemos resistir às pressões da sociedade não-remida que tenta nos forçar em seus moldes “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12.1-2). A Bíblia mostra o nosso conflito com o mundo em 2 Coríntios 10.4-5, em que diz o seguinte: “As armas com as quais lutamos não são humanas, ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo”, apresentando as convicções do mundo, os hábitos, os pensamentos e os afetos defendidos pela sociedade, pela cultura, pela humanidade como um todo. São do mundo porque se opõem a Deus, negam a Ele, ou tentam existir a parte dEle “Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo – a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens – não provém do Pai, mas do mundo. o mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 João 2.15-17). Vencer essas forças em nossa vida, como também ajudar os outros a vencê-las, faz parte da batalha que enfrentamos contra o mundo caído em que vivemos “Sabemos que somos de Deus e que o mundo todo está sob o poder do maligno” (1 João 5.19). Sabemos que até mesmo, companheiros de Paulo, abandonaram tudo para irem atrás dos prazeres deste mundo “Pois, Demas, amando este mundo, abandonou-me e foi para Tessalônica” (2 Timóteo 4.10). Por isso, temos de nos desvencilhar dos elementos ímpios do sistema de valores do mundo, e ao mesmo tempo influenciá-lo a favor da causa de Cristo. Leia as palavras de Jesus:

“Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Ao contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (Mateus 5.14-16).

Ser discípulo de Cristo implica renuncia, portanto, se você é um discípulo, viva no mundo e não para o “mundo”, e sim para Cristo e sua causa, leia suas Palavras:

“Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará. Pois, o que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma? Pois o Filho do homem virá na glória de seu Pai com os anjos, e então recompensará a cada um de acordo com o que tenha feito” (Mateus 16.24-27).

CONTRA O INCRÉDULO

As preocupações com as coisas deste mundo, não só tem preocupado o crente, mas principalmente os incrédulos. Como os valores estão trocados, torna-se cada vez mais claro, que o ser humano cada vez mais esta em busca de atingir os padrões da sociedade. Estamos numa época em que a família, a moral, a decência, a religião, e até mesmo a própria igreja, não são tão importantes para a vida do homem. Como conseqüência disso, o homem se fechou nos seus próprios valores, dando as costas para Deus e sua vontade “Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus” (Tiago 4.4). A verdade é que enquanto essas pessoas forem amigas do “mundo”, será impossível serem amigas de Deus.

COMO VENCER ESSES COMBATES?

A Bíblia deixa bem claro que para vencermos esses combates, é necessário nos submetermos a Deus e resistir (ou ficar firmes) as investidas do diabo nos revestindo da “armadura” de Deus “Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo”; “Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis depois de terem feito tudo” (Efésios 6.11, 13); “Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês” (Tiago 4.7) .

Vejamos cada passo desse revestimento, usando a passagem analógica de Efésios 6.10-19.

TENDO UM COMPROMISSO COM A VERDADE DE DEUS

A primeira peça da armadura espiritual é o cinto da verdade “Assim, mantenham-se firmes, cingindo-se com o cinto da verdade...” (Efésios 6.14). O “cinto”, ou “cinturão”, aqui citados, provavelmente se referia ao avental de couro embaixo da armadura ou ao cinto de metal que protegia o baixo ventre do soldado romano. Pois era à parte a qual a couraça não protegia, podendo se tornar em um ponto vulnerável para ser atingido.

De modo semelhante, o evangelista (o verdadeiro cristão) deve ter um compromisso total com a verdade das Escrituras e tendo em mente que deve seguir essa verdade, pois somente ela poderá nos proteger de cedermos a mentira “... Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” (João 8.31, 32).

Muitas vezes o evangelista será tentado a falsificar a mensagem do evangelho ou até mesmo inventar um padrão de vida moral, para atrair ou impressionar o incrédulo. Em hipótese alguma, o evangelista deve fazer isso, pois o seu compromisso com a verdade deve ser total, pois a mensagem do evangelho não precisa da nossa ajuda. Lembre-se, que o diabo sempre lhe instigará a mentir, pois isso lhe é próprio, e todas as vezes que você não for fiel à verdade, estará servindo aos propósitos dele “Vocês pertencem ao pai de vocês, o diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua’pois é mentiroso e pai da mentira” (João 8.44). O cristão deve preparar-se para a batalha assumindo um compromisso total com a verdade das Escrituras e sendo determinado a seguir essa verdade em atos e em palavras, caso contrário, a credibilidade do evangelho, a sua vida e a reputação do próprio Deus ficarão comprometidas.

TENDO COMO ESTILO DE VIDA A JUSTIÇA DE DEUS

A segunda peça da armadura espiritual é a “couraça da justiça” “Assim, mantenham-se firmes [...], vestindo a couraça da justiça” (Efésios 6.14). Normalmente confeccionada de couro sobreposto com metal, a “couraça” protegia o peito, pois, ela era usada somente em batalhas, não era vestimenta comum. Os soldados romanos deveriam estar na frente de batalha, lado a lado, então a armadura precisava proteger somente à frente do corpo deles. De acordo com Isaías 59.17 “Usou a justiça como couraça, pôs na cabeça o capacete da salvação...”, essa “couraça de justiça” é verdadeiramente a armadura de Deus relatada em Efésios.

Semelhantemente o evangelista precisa, se revestir de um estilo de vida, baseado somente na justiça de Deus.

Muitos “crentes” hoje em dia têm seguido seus próprios padrões de justiça se baseando em suas boas obras e em seu padrão de vida moral condizente para sociedade, até mesmo para se justificarem diante de Deus como justos (perfeitos).

A Bíblia nos incentiva a fazer justamente ao contrário “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça...” (Mateus 6.33), mesmo porque, somente Deus olha o mundo e tudo o que nele há, com uma visão geral. A Bíblia fala que a nossa justiça é semelhante a um absorvente sujo “Somos como impuro – todos nós! Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo" (absorvente sujo) (Isaías 64.6). Leia as palavras de Jesus, a respeito dos conceitos errados que nós temos:

“Quando Ele [o Espírito Santo] vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Do pecado, porque os homens não crêem em Mim; da justiça, porque vou para o Pai, e vocês não me verão mais; e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está condenado” (João 16.8-11).
Jesus nessa passagem (justiça) mostra de onde se obtém a verdadeira justiça e como podemos ser aceitos como justos, de acordo com o critério do próprio Deus. Por isso revistam-se da “couraça da justiça”.

TENDO OUSADIA AO PREGAR O EVANGELHO

 A terceira peça da armadura espiritual, são “os sapatos do evangelho da paz” “E tendo os pés calçados com a prontidão do evangelho da paz” (Efésios 6.15). Os soldados precisavam calçar sandálias ou botas para proteger os pés, de forma que eles pudessem avançar com ousadia em direção ao inimigo sem que precisassem se preocupar com pedras ou outros objetos que pudessem machucá-los durante a sua caminhada. O calçado era essencial para sua “preparação” para a batalha. O apóstolo Paulo toma essa imagem, especialmente, do mensageiro de Isaías 5.7

Essa passagem mostra que o evangelista deve compartilhar a mensagem de Cristo avançando o exército de Deus contra a posição do inimigo.

TENDO UMA FÉ INABALÁVEL

A quarta peça da armadura espiritual, é o “escudo da fé” “Além disso, usem o escudo da fé, com o qual vocês poderão apagar todas as setas inflamadas do maligno” (Efésios 6.16). Os soldados romanos eram equipados com um escudo grande e retangular, de quatro pés de altura, os quais tinham a parte dianteira feita de couro. Antes das batalhas, nas quais arcos em chamas poderiam ser arremessados, o couro poderia ser molhado para deter qualquer dardo inflamado lançado contra eles.

Semelhantemente o evangelista deve estar encoberto com uma fé inabalável, pois somente com este tipo de fé terá forças para enfrentar a oposição do inimigo. Podemos tirar como exemplo o próprio Estevão, que mesmo sabendo que poderia morrer, não teve medo, não duvidou de sua fé, pelo contrário, se revestiu do escudo da fé e pregou o evangelho com ousadia para todos os que estavam naquele local (ver: At 7.1-53).

Devemos ter muito cuidado com as “setas inflamadas” da “dúvida” e do “medo”, pois o diabo por diversos meios tentará enfraquecer a sua fé. Por isso iremos enfatizar essas verdades biblicamente para você. Veja o que a Bíblia diz sobre a dúvida:

“Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do maligno” (Mateus 5.37); “... pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento” (Tiago 1.6).

Caso você não saiba, o “medo” e a “fé”, não são muito diferentes, sendo que o “medo” é a quase certeza de algo negativo e a “fé” é a certeza de algo positivo. Podemos tirar como exemplo o apóstolo Pedro, quando negou Jesus três vezes. Nesta ocasião ele provou que estava com medo de assumir publicamente seu compromisso com Jesus (ver: Lucas 22.54-62). E depois quando foi revestido de poder no dia de pentecostes, pregou um sermão em praça pública, assumindo um compromisso público com Jesus. Nesta ocasião ele provou que estava com uma fé inabalável (ver: Atos 2.1-40). Veja o que a Bíblia diz sobre o medo:

Disse Jesus: “Mas aquele que me negar diante dos homens, Eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus” (Mateus 10.33),

TENDO ESPERANÇA DO GOZO DA SALVAÇÃO

A quinta peça da armadura espiritual, é o “capacete da salvação” “Usem o capacete da salvação...” (Efésios 6.17). O capacete usado pelo soldado romano era de bronze, equipado com faceiras, era necessário para proteger a cabeça. Embora fosse um traje essencial para a batalha, ele não era normalmente usado fora delas.

Semelhantemente, o evangelista deve ter em mente a salvação futura que será revelada, pois isso lhe dará forças para enfrentar as batalhas do dia a dia.

Muitas pessoas pensam que satanás tem causado doenças, fome, guerras, desigualdades sociais e etc., enquanto Deus finge que nada está acontecendo, a fim de agir após ouvir as orações de seus servos. A verdade que nada é feito sem a permissão de Deus “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Romanos 8.28); “Não sobreveio a vocês tentação que não fosse comum aos homens. E Deus é fiel; Ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, Ele mesmo lhes providenciará um escape, para que possam suportar” (1 Coríntios 10.13).

Em hipótese alguma, devemos olhar para as circunstâncias presentes, em vez disso devemos nos agarrar à esperança da salvação eterna e da glória que iremos receber na mesma. Veja o que o apóstolo Paulo escreveu sobre suas provações e sofrimentos:

“Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove açoites. Três vezes fui golpeado com varas, uma vez apedrejado, três vezes sofri naufrágio, passei uma noite e um dia exposto à fúria do mar. Estive continuamente viajando de uma parte a outra, enfrentei perigos nos rios, perigos de assaltantes, perigos dos meus compatriotas, perigo dos gentios, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, e dos falsos irmãos. Trabalhei arduamente; muitas vezes fiquei sem dormir, passei fome e sede, e muitas vezes fiquei em jejum; suportei frio e nudez. Além disso, enfrento diariamente uma pressão interior, a saber, a minha preocupação com todas as igrejas” (2 Coríntios 11.24-28).

Mesmo com todas as tribulações e sofrimentos que passou, o apóstolo Paulo deixa claro que a esperança dele era a eternidade (vida eterna).

“Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno” (2 Coríntios 4.16-18).

Enquanto o evangelista não se revestir do capacete da salvação, nunca terá condições de extrair coisas boas de experiências ruins, como aconteceu com José no Egito, quando perdoou os seus irmãos por tê-lo vendido como escravo “Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos” (Gênesis 50.20). Lembre-se: Deus sempre está no controle de todas as coisas.

TENDO CONHECIMENTO DA PALAVRA DE DEUS

A sexta peça da armadura espiritual, é a “espada do Espírito” “Usem [...] a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Efésios 6.17). A espada era uma arma usada quando a batalha acontecia perto do inimigo, e os piques pesados que os soldados da linha de frente carregavam não eram práticos. Desse modo, Paulo diz que a batalha deve ser feita, especialmente no engajamento daqueles que não conhecem a Palavra de Deus, com sua mensagem, depois da preparação espiritual nas outras listadas aqui.

É fundamental que o evangelista tenha conhecimento e domínio da Bíblia, pois o diabo desde o princípio da criação do homem tem usado a própria palavra de Deus, deturpando-a para alcançar os seus objetivos. Veja a atuação do diabo na queda do homem relatada em Gênesis:

“... Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toque nele; do contrário vocês morrerão’.

Disse a serpente à mulher: ‘Certamente não morrerão! Deus sabe que no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus, serão conhecedores do bem e do mal’” (Gênesis 3.3-5).

Infelizmente, Adão e Eva não obedeceram ao que Deus tinha dito. Ao contrário deles, o Senhor Jesus quando estava no deserto, combateu o diabo se apegando firmemente às Escrituras Sagradas, recitando o texto de Deuteronômio 8.3 e outros, Veja o exemplo:

“O tentador aproximou-se Dele [Jesus] e disse: ‘Se és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães’.

Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’” (Mateus 4.3, 4).

Não podemos também deixar de enfatizar que, para uma pessoa ser salva, ela precisa por sua confiança (crer) em Jesus Cristo para a vida eterna, mas para que a pessoa creia é preciso que a palavra de Deus seja pregada corretamente “Conseqüentemente, a fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo” (Romanos 10.17). Por isso persevere no aprendizado das Escrituras, buscando sempre ter um compromisso com Deus e sua palavra “Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja corretamente a palavra da verdade” (2 Timóteo 2.15).

TENDO UMA UNIDADE ESPIRITUAL EM ORAÇÃO

A unidade espiritual que o evangelista necessita é a “oração no Espírito”. Depois que os legionários romanos fechavam as fileiras, a fileira da frente segurava os escudos à frente e os que estavam atrás destes seguravam os escudos sobre eles; assim eles estariam praticamente invulneráveis a qualquer ataque.

Semelhantemente o evangelista deve ter uma unidade espiritual em oração com outros crentes (igreja) em prol da evangelização “Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos. Orem também por mim, para que quando eu falar, seja-me dada à mensagem a fim de que destemidamente, torne conhecido o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador preso em correntes. Orem para que, permanecendo nEle, eu fale com coragem, como me cumpre fazer”(Efésios 6.18, 19).

O modo como os soldados deveriam permanecer juntos nas suas formações para a batalha, movendo-se como uma unidade sólida, é uma imagem figurativa de como os crentes devem cobrir uns aos outros em oração. Um soldado romano por si só era vulnerável, mas, como um exército unido, uma legião romana era praticamente invencível.

ORANDO PELA EVANGELIZAÇÃO


Disse Jesus: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Portanto, peçam ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita” (Lucas 10.2).

FIÉIS EM ORAÇÃO

A história do cristianismo e seu crescimento em toda a terra passou por momentos bons e momentos ruins. Durante o século passado, a fé caminhava em ritmo lento, com pouco impacto entre os povos da terra. E o vazio criado durante esta época foi preenchido pelo humanismo, marxismo, filosofias e por temores de todos os lados. Mas, nestes últimos anos. Deus tem avivado a sua obra, levantando homens e mulheres, de todas as idades, de todas as camadas sociais e em quase todos os países como pregadores da Palavra de Deus. Essas pessoas se colocaram para serem instrumentos de Deus, obedecendo a sua ordem, para evangelizar e ensinar a outros a fazerem o mesmo. Essas pessoas entenderam que o seu tempo, dinheiro e etc., são exclusivamente para a glória de Deus. Por isso a todos os momentos estão preparados para pregarem o evangelho. Algumas vezes, elas são confrontadas com muito desprezo, às vezes são expostas ao ridículo e aos comentários debochados, mas elas não se deixam abalar, pois, estão firmes no seu propósito, vendo como resultado, pessoas aos milhares, se entregando a Jesus Cristo. Essas pessoas precisam da sua ajuda, assim como você precisa da ajuda delas. A Bíblia nos ensina que para levarmos o Evangelho de Jesus Cristo ao mundo, precisamos de um sustento forte de oração “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Portanto, peçam ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita” (Lucas 10.2). Podemos observar no texto bíblico, que o Senhor Jesus disse que pelo o número insuficiente de obreiros precisaríamos fazer uma oração específica para que Deus enviasse mais obreiros para a sua seara. O Livro de Atos dos Apóstolos mostra os discípulos seguindo essa orientação do Senhor. Podemos observar que o derramamento do Espírito Santo foi precedido de prática de orações “Todos eles se reuniam sempre em oração...” (Atos 1.14). Era em oração que os novos convertidos ficavam se dedicando para poderem ver muitas pessoas se convertendo “Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações” (Atos 2.42).

Todos os avivamentos através dos anos têm sido precedidos e sustentados por homens e mulheres fiéis, que têm orado e intercedido intensa e demoradamente, por um genuíno despertamento da fé no Senhor Jesus Cristo. Em resumo, sem oração nós nunca poderemos sustentar o esforço evangelistico necessário para salvar o mundo.

ORANDO UNS PELOS OS OUTROS

 Em nossos dias na igreja, homens e mulheres como os discípulos de outrora, estão confiando em Deus para usá-los em levar outros para uma fé salvadora em Jesus Cristo, eles fazem parte de um exército poderoso de crentes por todo o mundo, que estão trabalhando para cumprir a grande comissão, compartilhando a sua fé em Cristo, como parte de suas vidas no dia a dia. Como o próprio apóstolo Paulo precisava de orações que o sustentasse na obra de Deus “... Nele [Deus] temos colocado a nossa esperança de que continuará a livrar-nos, enquanto vocês nos ajudam com as suas orações” (2Coríntios 1.11); “Ao mesmo tempo, orem também por nós, para que Deus abra uma porta para nossa mensagem, a fim de que possamos proclamar o mistério de Cristo, pelo qual estou preso” (Colosensses 4.3), estes homens e mulheres também precisam desesperadamente do seu sustento em oração “... perseverem na oração por todos os santos” (Efésios 6.18). Pratique orações todos os dias na sua casa, em cada momento que Deus te fizer lembrar deles, e em grupos reunidos com o propósito de fazer orações “Orem continuamente” (1Tessalonissenses 5.17). Todos nós precisamos fazer parte desse exército de intercessores, cujas súplicas e petições proverão uma base sólida para o esforço evangelístico que está caminhando em qualquer lugar do mundo. Vejamos a oração dos primeiros discípulos:

“Ó Soberano, Tu fizeste os céus, a terra, o mar e tudo o que neles há! Tu falaste pelo Espírito Santo por boca do teu servo, nosso pai Davi: ‘Por que se enfurecem as nações, e os povos conspiram em vão? Os reis da terra se levantam, e os governantes se reúnem contra o Senhor e contra o seu ungido’.
De fato, Herodes e Pôncio Pilatos reuniram-se com os gentios e com o povo de Israel nesta cidade, para conspirar contra o teu santo servo Jesus, a quem ungiste. Fizeram com que o teu poder e a tua vontade haviam decidido de antemão que acontecesse. Agora, Senhor, considera as ameaças deles e capacita os teus servos para anunciarem a tua palavra corajosamente. Estende a tua mão para curar e realizar sinais e maravilhas por meio do nome de teu santo servo Jesus.
Depois de orarem, tremeu o lugar em que estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a palavra de Deus ” (Atos 4.24b-31).

Nós precisamos crer que Deus honrará as orações que fizermos para sustentar os esforços evangelísticos de milhares de pessoas, seja de uma pessoa, de uma igreja ou um grupo missionário.

A PALAVRA DE DEUS

A palavra de Deus nos assegura que nossas orações não serão em vão, veja:

 Jesus ensina que a oração com fé produz resultados “E tudo o que pedirem em oração, vocês receberão” (Mateus 21.22).

 Jesus nos mostra que há grande poder na oração persistente; Ver em Lucas 18.1-7 (A parábola da viúva persistente).

 O apóstolo Paulo ensinou que a oração dará confiança às testemunhas a pregarem o Evangelho “Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos; Orem também por mim, para que quando eu falar, seja me dada á mensagem a fim de que, destemidamente, torne conhecido o mistério do evangelho” (Efésios 6.18-19).

 O Apóstolo Tiago falou do poder que vem através da oração do justo “... A oração de um justo é poderosa e eficaz” (Tiago 5.16).

Há muitas outras promessas que nos asseguram que as nossas orações têm poder para mudar o mundo. Sem oração não há uma evangelização eficaz.

SEU COMPROMISSO DE ORAÇÃO (SUGESTÕES)

 Ore pela conversão de sua família e de sua parentela;
 Ore para que Deus envie obreiros para a colheita espiritual;
 Ore para que se abram portas, para a pregação do Evangelho entre os povos não alcançados;
 Ore pelo seu bairro, cidade, estado e nação;
 Ore por todas as nações, povos e tribos do mundo que ainda não foram alcançadas pelo evangelho;
 Ore pelo avivamento evangelístico e missionário nas igrejas;
 Ore para que Deus lhe dê ousadia para que você possa proclamar o Evangelho.

A PROMESSA DE DEUS
 
 Precisamos crer que Deus ouvirá as nossas orações se nós, nos colocarmos neste propósito. “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e sararei sua terra” (2Crônicas 7.14). Deus deseja fazer coisas grandes e maravilhosas através de seu povo. Ele conta conosco nos chamando para evangelizar e orar, nos prometendo que será feito “Também lhes digo se dois de vocês concordarem na terra em qualquer assunto sobre o qual pedirem, isso lhe será feito por meu Pai que está nos céus. Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali Eu estou no meio deles” (Mateus 18.19, 20).

O CHAMADO DE DEUS À EVANGELIZAÇÃO


Disse Jesus: “Sigam-me, e Eu os farei pescadores de homens” (Mateus 4.19).


O CHAMADO DOS PRIMEIROS DISCÍPULOS

Com base no texto bíblico acima, podemos observar que a primeira coisa que o Senhor Jesus falou ao chamar seus primeiros discípulos foi de que iria fazer daqueles pescadores profissionais em pescadores de homens, ou seja, Jesus quando os chamou se colocou para os ensinar a serem verdadeiros ganhadores de almas. Mas o que Jesus queria dizer com isso? E Como Ele conseguiu?

O TREINAMENTO

Jesus tirou seus discípulos de sua ocupação diária, para uma espécie de aprendizado teórico e prático, pois a preparação para o serviço tinha como objetivo de Jesus escolher doze apóstolos “Escolheu doze, designando-os apóstolos, para que estivessem com Ele, os enviasse a pregar e tivessem autoridade para expulsar demônios” (Marcos 3.14,15). O período que os discípulos passaram com Jesus tinha o propósito específico de enviá-los a proclamar o evangelho. Este objetivo pode ser visto pela promessa que Jesus fez aos discípulos, “... Eu os farei pescadores de homens” (Mateus 4.19). Outra palavra muito usada nos evangelhos para deixar ainda mais claros os propósitos de Jesus, é “discípulo”. Literalmente, essa palavra se refere, a uma pessoa que segue com a intenção de aprender do seu mestre (professor). O seguidor-aprendiz dos evangelhos era mais do que um aluno, pois ele abandonava sua casa e sua profissão, e entregava toda a sua vida ao seu mestre, buscando aprender seus valores e seu estilo de vida. Jesus foi muito claro quando buscou desanimar aqueles seguidores que tinham dúvidas quanto a se dedicarem a Ele. Ele mesmo levou os discípulos a pensarem primeiro antes de se colocarem para o trabalho “... Qual é o rei que, pretendendo sair à guerra contra outro rei, primeiro não se assenta e pensa se com dez mil homens é capaz de enfrentar aquele que vem contra ele com vinte mil? Se não for capaz, enviará uma delegação, enquanto o outro ainda está longe, e pedirá um acordo de paz. Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo” (Lucas 14.31-33). A história do jovem rico (ver: Mateus 19.16-24), deixa ainda mais claro à relutância de Jesus em aceitar um seguidor que não se entregasse a Ele por inteiro. Foi muito melhor o jovem ter se afastado triste naquele momento, pois, evitou com isso, desaparecer mais tarde, depois de um breve período de discipulado. Jesus usou diversos modos e meios para treinar seus seguidores. Foram inúmeras as horas em que os discípulos passaram ouvindo, questionando, discutindo e aprendendo de acordo com a maravilhosa pedagogia (ciência da educação) de Jesus, o que valeu a eles, uma vantagem sem igual em toda a história. Em nossos dias é impossível encontrar um aprendizado semelhante a este, pois nossa principal preocupação atualmente gira em torno dos nossos objetivos pessoais, não priorizando a missão que nos foi confiada. A visão dos apóstolos ao contrário de nós, era totalmente direcionada para o Reino de Deus e para a edificação de sua igreja, para que se dedicassem à missão.

AUTORIDADE ESPIRITUAL

 Jesus também deu a seus discípulos autoridade e responsabilidades. Particularmente importante para seu treinamento foi à missão de pregar (Mateus 10.1-6; Lucas 9.1-6; 10.1-12). Ele não permitiu aos doze, que levassem consigo dinheiro, provisão extra de alimentos ou roupas “Não levem nada pelo caminho: nem bordão, nem saco de viajem, nem pão, nem dinheiro, nem túnica extra” (Lucas 9.3), isso para que fossem totalmente dependentes de Deus e exercitassem a fé. Jesus os revestiu com autoridade divina para expelir demônios e curar os enfermos “Reunindo os Doze, Jesus deu-lhes poder e autoridade para expulsar todos os demônios e curar doenças, e os enviou a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos” (Lucas 9.1,2). Tais demonstrações de poder preparavam o público que haveria de ouvir a mensagem do evangelho de Cristo, além de dar a eles confiança e um sentimento de adoração a Deus.

 AS DOUTRINAS DA FÉ

Os discípulos foram instruídos sobre o Reino de Deus por meio de parábolas, sobre a igreja (ver. Mateus 16.18-20; 18.15-20; João 10.1-18; 14.1; 15.1-16) e sobre a liderança humilde (ver. Lucas 22.24-30; João 13.13-17). Jesus deu-lhes lições sobre a adoração, sobre a oração (ver, João 4.21-24; Mateus 6.5-15) e sobre as doutrinas centrais da fé. Havia necessidade de que fossem orientados, e o foram, com respeito à vida na família de Deus e à lei de Cristo (ver sermão da montanha Mateus capítulos 5 – 7).

A MISSÃO

 A grande comissão deixa bem clara a intenção na proposta de treinamento dos pescadores de homens. Jesus enviou os apóstolos para fazerem “... discípulos de todas as nações, batizando-os no nome do Pai e do Filho e do Espírito santo, ensinando-os a obedecer...” [a tudo o que Jesus lhes havia ordenado] (Mateus 28.19,20). O Senhor Jesus deu uma ordem a seus embaixadores, para que levassem o evangelho a todo o mundo e ensinassem seus convertidos naquilo que tinham ouvido. O objetivo universal da proclamação do evangelho a todos os homens deve ser atingido antes do retorno de Jesus, “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mateus 24.14). A missão que nos foi dada pelo Senhor de fazermos discípulos, isto é, pescadores de homens, por meio da conversão e da obediência, continua a ser a tarefa suprema e universal da igreja. Como os embaixadores são enviados pelo rei para cuidar dos interesses de seu reino em terras estrangeiras, Deus comissionou Paulo e seus colegas e os fez portadores das boas novas de Cristo “... Somos embaixadores de Cristo como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus” (2Coríntios 5.20). É preciso que Deus comissione e capacite os evangelistas porque, sem Ele, é impossível realizarmos algo que seja eficaz “Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em Mim e Eu nele, esse dará muito fruto; pois sem Mim vocês não podem fazer coisa alguma” (João 15.5).

Paulo insistia em dizer que seu apostolado não era escolha sua, e sim de Deus. As frases “... chamado para ser apóstolo...” (Romanos 1.1), significam basicamente o mesmo que “Paulo, apóstolo [...] pela vontade de Deus” (2Coríntios 1.1; Efésios 1.1; Colossenses 1.1). A declaração do apóstolo Paulo em 1Coríntios 3.9, “Porque nós somos cooperadores de Deus...”, significa que sem o poder e a autoridade de Deus, luz nenhuma penetrará nas trevas em que o diabo lançou nas mentes dos incrédulos “O deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2Coríntios 4.4). Na verdade quem inicia e autoriza aos que envia à seara, é o próprio Deus. Essa autorização deve ser acompanhada de um revestimento de poder. Pois, não havia nenhuma expectativa de sucesso para os onze apóstolos, até que do alto fossem revestidos de poder “... fiquem na cidade até serem revestidos do poder do alto” (Lucas 24.49). Jesus prometeu a esses mesmos apóstolos que o Espírito Santo os capacitariam a testemunhar “... em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (Atos 1.8). Com base nessas considerações, parece lógico que, quando Deus envia alguém, Ele se torna seu companheiro mediante sua presença e pelo poder do Espírito Santo, “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que Eu lhes ordenei. E Eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mateus 28.19-20). É claro que não tenho nenhuma intenção de identificar o ganhador de almas dos dias de hoje com um apóstolo do Novo Testamento, porém insisto, que os mesmos fatores básicos ainda são válidos. Deus precisa enviar trabalhadores para sua colheita e para sua igreja, cabendo a nós, nos colocarmos em oração, suplicando a Ele para que nos capacite e nos use.

A OBEDIÊNCIA

Podemos entender do seguinte modo o chamado de Deus para a evangelização: Era preciso que os discípulos se dedicassem para que o caráter de Jesus ganhasse forma em suas vidas e se tornasse parte dela. O Senhor Jesus criou um padrão de caráter que se tem estendido a todas as gerações de discípulos que realmente procuram imitá-lo “Venham a Mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e Eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de Mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11.28-30).

PESCADORES DE HOMENS

 Podemos observar que a profunda influência de Cristo sobre seus discípulos, em Atos 4.13, assombrou os líderes do sinédrio judaico “Vendo a coragem de Pedro e de João, e percebendo que eram homens comuns e sem instrução, ficaram admirados e reconheceram que eles haviam estado com Jesus”. Na verdade, embora fossem comuns e sem instrução, Pedro e João demonstraram uma coragem extraordinária e uma obediência a Deus inabalável. Segundo suas próprias palavras: “... não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos” (Atos 4.20). À semelhança do que se passou com Estevão, o Espírito os encheu, “... e anunciavam corajosamente a palavra de Deus” (Atos 4.31). Jesus cumpriu o que havia declarado quando chamou a seus discípulos. Ele fez deles verdadeiros pescadores de homens.

O CHAMADO CONTEMPORÂNEO (HOJE)

Todos que já receberam a salvação de Deus, sendo discípulos de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, são chamados e comissionados a proclamar o evangelho a todas as pessoas “Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas” (Marcos 16.15). Não tendo distinção entre os apóstolos do Novo Testamento e os discípulos de hoje, pois, ambos foram, e são, capacitados pelo Espírito Santo. Hoje podemos observar que o crescimento da igreja brasileira é um fenômeno. A cada dia se comprometem com a igreja, aproximadamente, cinco mil novos membros, o que tem sido motivo de estudos para missiólogos do mundo inteiro. O que será que está acontecendo? Será que a igreja brasileira está mais comprometida com a evangelização? Na verdade esses números acrescidos à igreja na sua grande maioria são de pessoas que resolveram mudar suas vidas por sua própria conta, indo em busca de bênçãos materiais, curas e etc., mas infelizmente não entregaram suas vidas para que Jesus as transformassem pelo poder regenerador do Espírito Santo. Você sabia que, calcula-se que 95% dos membros de nossas igrejas, nunca levaram qualquer pessoa a uma decisão por Cristo? Inacreditável! Porque será?

O ENGANO DOS MEMBROS

 Infelizmente, satanás tem tido muito êxito com a estratégia de ter enraizado nas mentes dos membros da igreja, de que compete ao pastor e aos líderes a responsabilidade de evangelizar. Na mente dessas pessoas, a evangelização é para pessoas que tem “títulos” e “diplomas”. Suas desculpas são sempre as mesmas: “nunca estudei teologia, sou leigo, sou apenas um pedreiro, uma dona de casa, não tenho dom para evangelizar e etc”. Esse pensamento com certeza, tem sido a maior vitória de satanás sobre a igreja de Jesus Cristo, pois mais de 95% dos membros de nossas igrejas, não tem “formação teológica” ou não tem “títulos”. Porém no tempo dos apóstolos, isso não existia, a Bíblia diz em Atos capítulo oito, que após a morte de Estevão houve uma grande perseguição contra a igreja, e “Os que haviam sido dispersos pregavam a palavra por onde quer que fossem” (Atos 8.4). Os que haviam sido dispersos foram “... todos, exceto os apóstolos...” (Atos 8.1).

O ENGANO DOS MINISTROS

 Com uma estratégia diferente, satanás também tem enganado alguns pastores e líderes quanto ao saberem o que realmente são na obra de Deus (Alguns tem achado que são mais importantes do que as outras pessoas da igreja) e a sua responsabilidade no ministério (Há líderes que querem fazer tudo sozinho na igreja). No capítulo quatro de Efésios, lemos que Cristo designou a igreja “... alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, outros para pastores e mestres, com fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado...” (Efésios 4.11). Como pode se notar, a idéia é que Cristo designou esses dons de capacitação, com o objetivo de que essas pessoas preparem os santos (membros), para que estes realizem a obra do ministério, para que haja a edificação do corpo de Cristo. O que diferencia os pastores e líderes, dos outros membros, é o tipo de serviço e a responsabilidade. Ambos são importantes e fundamentais na obra de Deus. Com a unidade do corpo de Cristo, que a igreja nos três primeiros séculos (d.C.), alcançou seus maiores e melhores resultados na evangelização mundial.

AS QUALIDADES DO EVANGELISTA

Os evangelistas precisam ter um profundo interesse emocional pelos perdidos, especialmente pelos seus próprios irmãos. Paulo escreveu inspirado por Deus: “... tenho grande tristeza e constante angústia em meu coração. Pois eu até desejaria ser amaldiçoado e separado de Cristo por amor de meus irmãos, os de minha raça” (Romanos 9.2,3). Fora do circulo de Israel, Paulo se reconhecia como devedor dos gentios “Sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes” (Romanos 1.14). Paulo sentia a terrível injustiça que era ter conhecimento de fatos bons e não compartilhá-los. Esse profundo sentimento de obrigação tomou conta dele a ponto do apóstolo confessar: “... ai de mim se não pregar o evangelho!” (1Coríntios 9.16). No entender de Paulo, o evangelista possui uma verdade de valor inestimável. Disso resulta um fardo que é uma dívida, ou seja, buscar fazer com que todos ouçam a mensagem gratuita de salvação que Deus lhes oferece. O verdadeiro evangelista não reivindica mérito nenhum para o seu sucesso “Não me atrevo a falar de nada, exceto daquilo que Cristo realizou por meu intermédio em palavra e em ação, a fim de levar os gentios a obedecerem a Deus” (Romanos 15.18).

A RESPONSABILIDADE

Se Deus não tivesse revelado nas Escrituras Sagradas seus propósitos básicos para humanidade, a ordem de Deus para evangelizar soaria tão vacilante e incerta quanto uma árvore arrancada da terra e escorada pelos galhos das árvores em volta da floresta. Se, contudo, o pecado ofende a Deus mil vezes mais intensamente do que um tapa no rosto do presidente do Brasil ou uma cusparada no rosto do presidente dos Estados Unidos da América, os pecadores precisam desesperadamente saber como escapar de sua ira eterna. Mas ainda, eles precisam saber como receber seu perdão misericordioso e alcançar a reconciliação. Isso é o que faz a evangelização bíblica por todos os que desejam com sinceridade escapar do castigo merecido. Se Jesus Cristo não é o único mediador entre Deus e o homem, a igreja pode justificar seu silêncio. Se todas as religiões do mundo dizem basicamente a mesma coisa e conduzem os homens ao mesmo destino, então a evangelização com certeza é sem importância. A Escritura, porém, declara exatamente o oposto. Jesus Cristo é o único caminho “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” (João 14.6), a única porta “Eu sou a porta; quem entrar por mim será salvo” (João 10.9), o único Salvador do mundo “... Sabemos que este é realmente o Salvador do mundo” (João 4.42). Se a igreja fosse impotente e o Espírito Santo não tivesse sido enviado para capacitar as pessoas a testemunhar eficazmente, conforme relatado no livro de Atos dos apóstolos, faríamos bem em esconder a cabeça na areia e negar a responsabilidade por cerca de dois bilhões de pessoas na terra, totalmente ignorantes das boas novas de salvação. Se Deus não tivesse dado a Bíblia ao seu povo, para combater a falsidade, o diabo e as suas hostes infernais, e se nossa ignorância sobre a verdade divina pudesse ser desculpada pelo fato de a Bíblia estar disponível somente nas línguas originais (grego e hebraico), poderíamos, ao menos parcialmente, culpar a Deus pelo grande número de pessoas que morrem sem conhecê-lo. Se Deus não tivesse dito a seus filhos que orassem ao Senhor da seara, para que Ele enviasse trabalhadores para sua seara, e se não tivesse prometido atender às suas súplicas, poderíamos tranqüilamente observar o grão de trigo maduro cair na terra dizer: “Não é culpa minha”. Porém, visto que nada disso é verdade, temos que admitir que somos indesculpáveis. Se a igreja fosse pequena e fraca, perseguida e encarcerada, sem recursos, nem líderes, seria possível argumentar que a tarefa a nós confiada ultrapassa as nossas forças. No entanto, certamente não é esse o caso. O rádio, a televisão, a imprensa, os seminários e as escolas bíblicas, as conferências e os estudos bíblicos, todas essas coisas conspiram contra nossa tentativa de fugir à responsabilidade.

A conclusão a que chegamos resume em pouquíssimas palavras. Jesus disse tudo: “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mateus 24.14). Se o propósito básico de Deus na história depende da execução da ordem de evangelização dada à igreja na grande comissão, “Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas” (Marcos 16.15), todo crente que não estiver envolvido em sua execução precisa arrepender-se e pedir perdão a Deus, para que Ele o capacite a perseverar na evangelização com alegria até o fim.