segunda-feira, 12 de abril de 2010

O CHAMADO DE DEUS À EVANGELIZAÇÃO


Disse Jesus: “Sigam-me, e Eu os farei pescadores de homens” (Mateus 4.19).


O CHAMADO DOS PRIMEIROS DISCÍPULOS

Com base no texto bíblico acima, podemos observar que a primeira coisa que o Senhor Jesus falou ao chamar seus primeiros discípulos foi de que iria fazer daqueles pescadores profissionais em pescadores de homens, ou seja, Jesus quando os chamou se colocou para os ensinar a serem verdadeiros ganhadores de almas. Mas o que Jesus queria dizer com isso? E Como Ele conseguiu?

O TREINAMENTO

Jesus tirou seus discípulos de sua ocupação diária, para uma espécie de aprendizado teórico e prático, pois a preparação para o serviço tinha como objetivo de Jesus escolher doze apóstolos “Escolheu doze, designando-os apóstolos, para que estivessem com Ele, os enviasse a pregar e tivessem autoridade para expulsar demônios” (Marcos 3.14,15). O período que os discípulos passaram com Jesus tinha o propósito específico de enviá-los a proclamar o evangelho. Este objetivo pode ser visto pela promessa que Jesus fez aos discípulos, “... Eu os farei pescadores de homens” (Mateus 4.19). Outra palavra muito usada nos evangelhos para deixar ainda mais claros os propósitos de Jesus, é “discípulo”. Literalmente, essa palavra se refere, a uma pessoa que segue com a intenção de aprender do seu mestre (professor). O seguidor-aprendiz dos evangelhos era mais do que um aluno, pois ele abandonava sua casa e sua profissão, e entregava toda a sua vida ao seu mestre, buscando aprender seus valores e seu estilo de vida. Jesus foi muito claro quando buscou desanimar aqueles seguidores que tinham dúvidas quanto a se dedicarem a Ele. Ele mesmo levou os discípulos a pensarem primeiro antes de se colocarem para o trabalho “... Qual é o rei que, pretendendo sair à guerra contra outro rei, primeiro não se assenta e pensa se com dez mil homens é capaz de enfrentar aquele que vem contra ele com vinte mil? Se não for capaz, enviará uma delegação, enquanto o outro ainda está longe, e pedirá um acordo de paz. Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo” (Lucas 14.31-33). A história do jovem rico (ver: Mateus 19.16-24), deixa ainda mais claro à relutância de Jesus em aceitar um seguidor que não se entregasse a Ele por inteiro. Foi muito melhor o jovem ter se afastado triste naquele momento, pois, evitou com isso, desaparecer mais tarde, depois de um breve período de discipulado. Jesus usou diversos modos e meios para treinar seus seguidores. Foram inúmeras as horas em que os discípulos passaram ouvindo, questionando, discutindo e aprendendo de acordo com a maravilhosa pedagogia (ciência da educação) de Jesus, o que valeu a eles, uma vantagem sem igual em toda a história. Em nossos dias é impossível encontrar um aprendizado semelhante a este, pois nossa principal preocupação atualmente gira em torno dos nossos objetivos pessoais, não priorizando a missão que nos foi confiada. A visão dos apóstolos ao contrário de nós, era totalmente direcionada para o Reino de Deus e para a edificação de sua igreja, para que se dedicassem à missão.

AUTORIDADE ESPIRITUAL

 Jesus também deu a seus discípulos autoridade e responsabilidades. Particularmente importante para seu treinamento foi à missão de pregar (Mateus 10.1-6; Lucas 9.1-6; 10.1-12). Ele não permitiu aos doze, que levassem consigo dinheiro, provisão extra de alimentos ou roupas “Não levem nada pelo caminho: nem bordão, nem saco de viajem, nem pão, nem dinheiro, nem túnica extra” (Lucas 9.3), isso para que fossem totalmente dependentes de Deus e exercitassem a fé. Jesus os revestiu com autoridade divina para expelir demônios e curar os enfermos “Reunindo os Doze, Jesus deu-lhes poder e autoridade para expulsar todos os demônios e curar doenças, e os enviou a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos” (Lucas 9.1,2). Tais demonstrações de poder preparavam o público que haveria de ouvir a mensagem do evangelho de Cristo, além de dar a eles confiança e um sentimento de adoração a Deus.

 AS DOUTRINAS DA FÉ

Os discípulos foram instruídos sobre o Reino de Deus por meio de parábolas, sobre a igreja (ver. Mateus 16.18-20; 18.15-20; João 10.1-18; 14.1; 15.1-16) e sobre a liderança humilde (ver. Lucas 22.24-30; João 13.13-17). Jesus deu-lhes lições sobre a adoração, sobre a oração (ver, João 4.21-24; Mateus 6.5-15) e sobre as doutrinas centrais da fé. Havia necessidade de que fossem orientados, e o foram, com respeito à vida na família de Deus e à lei de Cristo (ver sermão da montanha Mateus capítulos 5 – 7).

A MISSÃO

 A grande comissão deixa bem clara a intenção na proposta de treinamento dos pescadores de homens. Jesus enviou os apóstolos para fazerem “... discípulos de todas as nações, batizando-os no nome do Pai e do Filho e do Espírito santo, ensinando-os a obedecer...” [a tudo o que Jesus lhes havia ordenado] (Mateus 28.19,20). O Senhor Jesus deu uma ordem a seus embaixadores, para que levassem o evangelho a todo o mundo e ensinassem seus convertidos naquilo que tinham ouvido. O objetivo universal da proclamação do evangelho a todos os homens deve ser atingido antes do retorno de Jesus, “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mateus 24.14). A missão que nos foi dada pelo Senhor de fazermos discípulos, isto é, pescadores de homens, por meio da conversão e da obediência, continua a ser a tarefa suprema e universal da igreja. Como os embaixadores são enviados pelo rei para cuidar dos interesses de seu reino em terras estrangeiras, Deus comissionou Paulo e seus colegas e os fez portadores das boas novas de Cristo “... Somos embaixadores de Cristo como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus” (2Coríntios 5.20). É preciso que Deus comissione e capacite os evangelistas porque, sem Ele, é impossível realizarmos algo que seja eficaz “Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em Mim e Eu nele, esse dará muito fruto; pois sem Mim vocês não podem fazer coisa alguma” (João 15.5).

Paulo insistia em dizer que seu apostolado não era escolha sua, e sim de Deus. As frases “... chamado para ser apóstolo...” (Romanos 1.1), significam basicamente o mesmo que “Paulo, apóstolo [...] pela vontade de Deus” (2Coríntios 1.1; Efésios 1.1; Colossenses 1.1). A declaração do apóstolo Paulo em 1Coríntios 3.9, “Porque nós somos cooperadores de Deus...”, significa que sem o poder e a autoridade de Deus, luz nenhuma penetrará nas trevas em que o diabo lançou nas mentes dos incrédulos “O deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2Coríntios 4.4). Na verdade quem inicia e autoriza aos que envia à seara, é o próprio Deus. Essa autorização deve ser acompanhada de um revestimento de poder. Pois, não havia nenhuma expectativa de sucesso para os onze apóstolos, até que do alto fossem revestidos de poder “... fiquem na cidade até serem revestidos do poder do alto” (Lucas 24.49). Jesus prometeu a esses mesmos apóstolos que o Espírito Santo os capacitariam a testemunhar “... em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (Atos 1.8). Com base nessas considerações, parece lógico que, quando Deus envia alguém, Ele se torna seu companheiro mediante sua presença e pelo poder do Espírito Santo, “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que Eu lhes ordenei. E Eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mateus 28.19-20). É claro que não tenho nenhuma intenção de identificar o ganhador de almas dos dias de hoje com um apóstolo do Novo Testamento, porém insisto, que os mesmos fatores básicos ainda são válidos. Deus precisa enviar trabalhadores para sua colheita e para sua igreja, cabendo a nós, nos colocarmos em oração, suplicando a Ele para que nos capacite e nos use.

A OBEDIÊNCIA

Podemos entender do seguinte modo o chamado de Deus para a evangelização: Era preciso que os discípulos se dedicassem para que o caráter de Jesus ganhasse forma em suas vidas e se tornasse parte dela. O Senhor Jesus criou um padrão de caráter que se tem estendido a todas as gerações de discípulos que realmente procuram imitá-lo “Venham a Mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e Eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de Mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11.28-30).

PESCADORES DE HOMENS

 Podemos observar que a profunda influência de Cristo sobre seus discípulos, em Atos 4.13, assombrou os líderes do sinédrio judaico “Vendo a coragem de Pedro e de João, e percebendo que eram homens comuns e sem instrução, ficaram admirados e reconheceram que eles haviam estado com Jesus”. Na verdade, embora fossem comuns e sem instrução, Pedro e João demonstraram uma coragem extraordinária e uma obediência a Deus inabalável. Segundo suas próprias palavras: “... não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos” (Atos 4.20). À semelhança do que se passou com Estevão, o Espírito os encheu, “... e anunciavam corajosamente a palavra de Deus” (Atos 4.31). Jesus cumpriu o que havia declarado quando chamou a seus discípulos. Ele fez deles verdadeiros pescadores de homens.

O CHAMADO CONTEMPORÂNEO (HOJE)

Todos que já receberam a salvação de Deus, sendo discípulos de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, são chamados e comissionados a proclamar o evangelho a todas as pessoas “Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas” (Marcos 16.15). Não tendo distinção entre os apóstolos do Novo Testamento e os discípulos de hoje, pois, ambos foram, e são, capacitados pelo Espírito Santo. Hoje podemos observar que o crescimento da igreja brasileira é um fenômeno. A cada dia se comprometem com a igreja, aproximadamente, cinco mil novos membros, o que tem sido motivo de estudos para missiólogos do mundo inteiro. O que será que está acontecendo? Será que a igreja brasileira está mais comprometida com a evangelização? Na verdade esses números acrescidos à igreja na sua grande maioria são de pessoas que resolveram mudar suas vidas por sua própria conta, indo em busca de bênçãos materiais, curas e etc., mas infelizmente não entregaram suas vidas para que Jesus as transformassem pelo poder regenerador do Espírito Santo. Você sabia que, calcula-se que 95% dos membros de nossas igrejas, nunca levaram qualquer pessoa a uma decisão por Cristo? Inacreditável! Porque será?

O ENGANO DOS MEMBROS

 Infelizmente, satanás tem tido muito êxito com a estratégia de ter enraizado nas mentes dos membros da igreja, de que compete ao pastor e aos líderes a responsabilidade de evangelizar. Na mente dessas pessoas, a evangelização é para pessoas que tem “títulos” e “diplomas”. Suas desculpas são sempre as mesmas: “nunca estudei teologia, sou leigo, sou apenas um pedreiro, uma dona de casa, não tenho dom para evangelizar e etc”. Esse pensamento com certeza, tem sido a maior vitória de satanás sobre a igreja de Jesus Cristo, pois mais de 95% dos membros de nossas igrejas, não tem “formação teológica” ou não tem “títulos”. Porém no tempo dos apóstolos, isso não existia, a Bíblia diz em Atos capítulo oito, que após a morte de Estevão houve uma grande perseguição contra a igreja, e “Os que haviam sido dispersos pregavam a palavra por onde quer que fossem” (Atos 8.4). Os que haviam sido dispersos foram “... todos, exceto os apóstolos...” (Atos 8.1).

O ENGANO DOS MINISTROS

 Com uma estratégia diferente, satanás também tem enganado alguns pastores e líderes quanto ao saberem o que realmente são na obra de Deus (Alguns tem achado que são mais importantes do que as outras pessoas da igreja) e a sua responsabilidade no ministério (Há líderes que querem fazer tudo sozinho na igreja). No capítulo quatro de Efésios, lemos que Cristo designou a igreja “... alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, outros para pastores e mestres, com fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado...” (Efésios 4.11). Como pode se notar, a idéia é que Cristo designou esses dons de capacitação, com o objetivo de que essas pessoas preparem os santos (membros), para que estes realizem a obra do ministério, para que haja a edificação do corpo de Cristo. O que diferencia os pastores e líderes, dos outros membros, é o tipo de serviço e a responsabilidade. Ambos são importantes e fundamentais na obra de Deus. Com a unidade do corpo de Cristo, que a igreja nos três primeiros séculos (d.C.), alcançou seus maiores e melhores resultados na evangelização mundial.

AS QUALIDADES DO EVANGELISTA

Os evangelistas precisam ter um profundo interesse emocional pelos perdidos, especialmente pelos seus próprios irmãos. Paulo escreveu inspirado por Deus: “... tenho grande tristeza e constante angústia em meu coração. Pois eu até desejaria ser amaldiçoado e separado de Cristo por amor de meus irmãos, os de minha raça” (Romanos 9.2,3). Fora do circulo de Israel, Paulo se reconhecia como devedor dos gentios “Sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes” (Romanos 1.14). Paulo sentia a terrível injustiça que era ter conhecimento de fatos bons e não compartilhá-los. Esse profundo sentimento de obrigação tomou conta dele a ponto do apóstolo confessar: “... ai de mim se não pregar o evangelho!” (1Coríntios 9.16). No entender de Paulo, o evangelista possui uma verdade de valor inestimável. Disso resulta um fardo que é uma dívida, ou seja, buscar fazer com que todos ouçam a mensagem gratuita de salvação que Deus lhes oferece. O verdadeiro evangelista não reivindica mérito nenhum para o seu sucesso “Não me atrevo a falar de nada, exceto daquilo que Cristo realizou por meu intermédio em palavra e em ação, a fim de levar os gentios a obedecerem a Deus” (Romanos 15.18).

A RESPONSABILIDADE

Se Deus não tivesse revelado nas Escrituras Sagradas seus propósitos básicos para humanidade, a ordem de Deus para evangelizar soaria tão vacilante e incerta quanto uma árvore arrancada da terra e escorada pelos galhos das árvores em volta da floresta. Se, contudo, o pecado ofende a Deus mil vezes mais intensamente do que um tapa no rosto do presidente do Brasil ou uma cusparada no rosto do presidente dos Estados Unidos da América, os pecadores precisam desesperadamente saber como escapar de sua ira eterna. Mas ainda, eles precisam saber como receber seu perdão misericordioso e alcançar a reconciliação. Isso é o que faz a evangelização bíblica por todos os que desejam com sinceridade escapar do castigo merecido. Se Jesus Cristo não é o único mediador entre Deus e o homem, a igreja pode justificar seu silêncio. Se todas as religiões do mundo dizem basicamente a mesma coisa e conduzem os homens ao mesmo destino, então a evangelização com certeza é sem importância. A Escritura, porém, declara exatamente o oposto. Jesus Cristo é o único caminho “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” (João 14.6), a única porta “Eu sou a porta; quem entrar por mim será salvo” (João 10.9), o único Salvador do mundo “... Sabemos que este é realmente o Salvador do mundo” (João 4.42). Se a igreja fosse impotente e o Espírito Santo não tivesse sido enviado para capacitar as pessoas a testemunhar eficazmente, conforme relatado no livro de Atos dos apóstolos, faríamos bem em esconder a cabeça na areia e negar a responsabilidade por cerca de dois bilhões de pessoas na terra, totalmente ignorantes das boas novas de salvação. Se Deus não tivesse dado a Bíblia ao seu povo, para combater a falsidade, o diabo e as suas hostes infernais, e se nossa ignorância sobre a verdade divina pudesse ser desculpada pelo fato de a Bíblia estar disponível somente nas línguas originais (grego e hebraico), poderíamos, ao menos parcialmente, culpar a Deus pelo grande número de pessoas que morrem sem conhecê-lo. Se Deus não tivesse dito a seus filhos que orassem ao Senhor da seara, para que Ele enviasse trabalhadores para sua seara, e se não tivesse prometido atender às suas súplicas, poderíamos tranqüilamente observar o grão de trigo maduro cair na terra dizer: “Não é culpa minha”. Porém, visto que nada disso é verdade, temos que admitir que somos indesculpáveis. Se a igreja fosse pequena e fraca, perseguida e encarcerada, sem recursos, nem líderes, seria possível argumentar que a tarefa a nós confiada ultrapassa as nossas forças. No entanto, certamente não é esse o caso. O rádio, a televisão, a imprensa, os seminários e as escolas bíblicas, as conferências e os estudos bíblicos, todas essas coisas conspiram contra nossa tentativa de fugir à responsabilidade.

A conclusão a que chegamos resume em pouquíssimas palavras. Jesus disse tudo: “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mateus 24.14). Se o propósito básico de Deus na história depende da execução da ordem de evangelização dada à igreja na grande comissão, “Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas” (Marcos 16.15), todo crente que não estiver envolvido em sua execução precisa arrepender-se e pedir perdão a Deus, para que Ele o capacite a perseverar na evangelização com alegria até o fim.

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