segunda-feira, 12 de abril de 2010

A BATALHA ESPIRITUAL BÍBLICA


“Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo, pois a nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Efésios 6.11-12).

CONSIDERAÇÕES

Atualmente, temos nos deparado com uma série de divergências de idéias equivocadas em relação à “batalha espiritual”, principalmente quando relacionada à área de evangelismo. Isso tem acontecido principalmente, devido às influências de literaturas sobre este assunto. Também o pouco conhecimento que as pessoas tem no meio secular e a falta de uma maturidade espiritual cristã, são a causa dessas idéias. Podemos destacar duas idéias equivocadas que as pessoas costumam ter. Por exemplo, algumas pessoas acham que pelo fato de começar uma tempestade na hora em que elas estão indo evangelizar, estão em uma “batalha espiritual”, quando na verdade isso não passa de uma provisão Divina. Outros acham que pelo fato do telefone tocar ou o cachorro latir na hora em que estiver evangelizando uma pessoa, é uma “ação do inimigo”, quando na realidade são coisas circunstanciais do dia a dia.

Essas divergências de opiniões na maioria das vezes tem feito com que o evangelista se confunda em saber o que é realmente uma “batalha espiritual”. Ao final deste artigo você terá uma visão bíblica sobre este assunto.

A ATUAÇÃO DO “DIABO” NA EVANGELIZAÇÃO

CONTRA O EVANGELISTA

O “diabo” não é o homenzinho de roupa vermelha, com cascos, chifres e tridente. Ele é um anjo caído, que possui muitos poderes. Perverso no íntimo e absolutamente contrário a Deus, ele, muitas vezes nos engana por meio de uma falsa aparência “... O próprio satanás se disfarça de anjo de luz” (2 Coríntios 11.14). O diabo atua numa frente de “batalha sobrenatural”, em que nós resistimos a satanás e outros seres sobrenaturais malignos, os quais a Bíblia identifica como a fonte do mal. Satanás e seus aliados utilizam o “mundo” e a “carne” para nos fazer mergulhar na vida pecaminosa, tentando nos impedir de fazer a vontade de Deus. Quando examinamos essa grande guerra invisível em que o diabo e seus exércitos lutam contra nós, devemos nos concentrar em duas realidades. Primeira: temos de ficar alertas a suas intenções malignas, sua estratégia de nos enganar e destruir “Estejam alertas e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar” (1 Pedro 5.8). Segunda: temos de reconhecer que somente Deus pode nos tornar vitoriosos nessa grande batalha invisível. Seus recursos, sua força, seu ministério a nosso favor são o que permite que não sejamos destruídos no combate, pois a ordem divina é para que nós venhamos a resistir. “Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês” (Tiago 4.7). Temos de desenvolver a convicção e o hábito de nos voltar para Deus, depender dEle, obedecer a Ele, para que vença a batalha por nós “Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo” (1 João 4.4). Pois se você for realmente servo de Deus, o diabo não terá poder sobre sua vida “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado, aquele que nasceu de Deus o protege, e o maligno não o atinge” (1 João 5.18).

CONTRA O INCRÉDULO

A estratégia do diabo na evangelização com os não crentes começa com o recebimento da própria mensagem do evangelho, impedindo que os incrédulos entendam a mesma e não sejam salvos “O Deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2 Coríntios 4.4).

Na parábola do semeador podemos reforçar esse argumento, que deixa bem claro que o próprio diabo impede que a pessoa receba a salvação “As que caíram à beira do caminho são os que ouvem, então vem o diabo e tira a palavra do seu coração, para que não creiam e não sejam salvas” (Lucas 8.12). Devemos também como evangelistas ter muito cuidado ao pregarmos o evangelho, pois a mesma passagem citada, aparece no evangelho de Mateus deixando bem claro que o diabo arrebata a mensagem do coração do incrédulo, porque ele (o incrédulo) não conseguiu entender o que foi dito “Quando alguém ouve a mensagem do Reino e não a entende, o maligno vem e lhe arranca o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho” (Mateus 13.19). Por isso é muito importante que venhamos a deixar a mensagem a mais clara possível, sendo guiados pelo Espírito e intercedendo pela pessoa a qual estivermos evangelizando.

A ATUAÇÃO DA “CARNE” NA EVANGELIZAÇÃO

CONTRA O EVANGELISTA

A palavra “carne” aqui não significa a nossa pele, carne e ossos, nem se refere a nossos desejos sexuais. Esses fazem parte da boa criação de Deus. Antes, “carne” refere-se a uma inclinação inerente para o pecado que todo ser humano herdou de Adão “Portanto, da mesma forma como o pecado entrou no mundo por um homem, pelo pecado a morte, assim também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos 5.12). Refere-se não apenas aos desejos, mas também às atitudes “Ora as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem, idolatria e feitiçaria, ódio, discórdia, ciúme, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja, embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti: Aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus” (Gálatas 5.19-21). A carne é, à frente de “batalha pessoal”, em que o evangelista luta contra o pecado e contra o mal “dentro de si mesmo”, um campo de batalha de poderes, valores, influências e tentações internas.

O apóstolo Paulo escreveu sobre a luta contra a carne em Romanos 7, veja:

“Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum. Com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já não o faço eu, mas o pecado que habita em mim”.

Essa passagem diz respeito a uma batalha civil espiritual que se alastra dentro do coração de cada servo de Deus, por causa do novo nascimento em Cristo. O cristão deseja fazer o que é certo, mas a carne não está remida e continua nos puxando para baixo até o dia em que o Senhor Jesus volte ou até o dia que venhamos a morrer “... Nós mesmos, que temos os primeiros frutos do espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo” (Romanos 8.23). Por isso temos de batalhar contra essa tendência, um tipo de força, de atração doentia dentro de nós que nos puxa contra a vontade de Deus. Vejamos o que o Livro de Tiago diz sobre a “carne”:

“Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: ‘Estou sendo tentado por Deus’. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. Então esse desejo, tendo concebido, dá a luz o pecado, e o pecado, após ter se consumado, gera a morte” (Tiago 1.13-15).

Nessa batalha, a Bíblia nos adverte a não deixarmos que o pecado governe nosso corpo físico. Em vez disso, devemos nos apresentar ativamente a Deus como instrumentos para ser utilizados por sua justiça “Da mesma forma, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus. Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos. Não ofereçam os membros do corpo de vocês ao pecado, como instrumentos de injustiça; antes ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam os membros do corpo de vocês a Ele, como instrumentos de justiça. Pois o pecado não os dominará, porque vocês não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Romanos 6.11-14).

CONTRA O INCRÉDULO

Nesta luta contra a “carne”, o incrédulo está numa situação mais complicada do que o evangelista, pois o evangelista tem o Espírito Santo para combater os desejos e as tentações, e o incrédulo infelizmente não tem. Na verdade o incrédulo geralmente não esta muito preocupado com suas atitudes carnais, pois no seu pensamento dominado pelo pecado, suas atitudes não são tão repugnantes a ponto de afastá-lo de Deus. A verdade é que acontece justamente o contrário “A mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à Lei de Deus, nem pode fazê-lo. Quem é dominado pela carne não pode agradar a Deus” (Romanos 8.7, 8). Nesta condição a “carne” domina completamente os desejos da pessoa, impedindo até mesmo que a pessoa se converta para fazer a vontade de Deus.

A ATUAÇÃO DO “MUNDO” NA EVANGELIZAÇÃO

CONTRA O EVANGELISTA

A palavra “mundo” aqui não significa o planeta. Este mundo físico foi criado por Deus, e Ele o declarou muito bom “E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom...” (Gênesis 1.31). Apesar de ter sido corrompido pelo pecado, um dia será redimido e renovado “Então vi novos céus e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham passado; e o mar já não existia” (Apocalipse 21.1), voltando a ser totalmente bom. Mas o “mundo” no sentido negativo é o sistema de valores do mundo. É a atual ordem maligna e o estado das coisas que se iniciaram, não com a criação, mas com o estrago que o pecado causou na boa criação de Deus (ver: Gênesis 3). O “mundo” é uma frente de batalha social onde o evangelista luta contra o pecado e contra o mal, “enfrentando-os de fora”. A parábola do semeador mostra-nos que é um campo de batalha de poderes, valores, influências e tentações externas “As [sementes] que caíram entre espinhos são os que ouvem, mas, ao seguirem seu caminho, são sufocados pelas preocupações, pelas riquezas e pelos prazeres desta vida, e não amadurecem” (Lucas 8.14). Infelizmente muitos “crentes” têm se rendido a essas coisas dentro da própria igreja (teologia da prosperidade, da confissão positiva e etc.), impedindo que seus frutos amadureçam na obra de Deus. Pois estão mais preocupados com eles mesmos do que com os que estão perdidos.

Nessa batalha, a Bíblia adverte-nos que, ainda que vivamos no mundo, não somos dele, e devemos resistir às pressões da sociedade não-remida que tenta nos forçar em seus moldes “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12.1-2). A Bíblia mostra o nosso conflito com o mundo em 2 Coríntios 10.4-5, em que diz o seguinte: “As armas com as quais lutamos não são humanas, ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo”, apresentando as convicções do mundo, os hábitos, os pensamentos e os afetos defendidos pela sociedade, pela cultura, pela humanidade como um todo. São do mundo porque se opõem a Deus, negam a Ele, ou tentam existir a parte dEle “Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo – a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens – não provém do Pai, mas do mundo. o mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 João 2.15-17). Vencer essas forças em nossa vida, como também ajudar os outros a vencê-las, faz parte da batalha que enfrentamos contra o mundo caído em que vivemos “Sabemos que somos de Deus e que o mundo todo está sob o poder do maligno” (1 João 5.19). Sabemos que até mesmo, companheiros de Paulo, abandonaram tudo para irem atrás dos prazeres deste mundo “Pois, Demas, amando este mundo, abandonou-me e foi para Tessalônica” (2 Timóteo 4.10). Por isso, temos de nos desvencilhar dos elementos ímpios do sistema de valores do mundo, e ao mesmo tempo influenciá-lo a favor da causa de Cristo. Leia as palavras de Jesus:

“Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Ao contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (Mateus 5.14-16).

Ser discípulo de Cristo implica renuncia, portanto, se você é um discípulo, viva no mundo e não para o “mundo”, e sim para Cristo e sua causa, leia suas Palavras:

“Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará. Pois, o que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma? Pois o Filho do homem virá na glória de seu Pai com os anjos, e então recompensará a cada um de acordo com o que tenha feito” (Mateus 16.24-27).

CONTRA O INCRÉDULO

As preocupações com as coisas deste mundo, não só tem preocupado o crente, mas principalmente os incrédulos. Como os valores estão trocados, torna-se cada vez mais claro, que o ser humano cada vez mais esta em busca de atingir os padrões da sociedade. Estamos numa época em que a família, a moral, a decência, a religião, e até mesmo a própria igreja, não são tão importantes para a vida do homem. Como conseqüência disso, o homem se fechou nos seus próprios valores, dando as costas para Deus e sua vontade “Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus” (Tiago 4.4). A verdade é que enquanto essas pessoas forem amigas do “mundo”, será impossível serem amigas de Deus.

COMO VENCER ESSES COMBATES?

A Bíblia deixa bem claro que para vencermos esses combates, é necessário nos submetermos a Deus e resistir (ou ficar firmes) as investidas do diabo nos revestindo da “armadura” de Deus “Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo”; “Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis depois de terem feito tudo” (Efésios 6.11, 13); “Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês” (Tiago 4.7) .

Vejamos cada passo desse revestimento, usando a passagem analógica de Efésios 6.10-19.

TENDO UM COMPROMISSO COM A VERDADE DE DEUS

A primeira peça da armadura espiritual é o cinto da verdade “Assim, mantenham-se firmes, cingindo-se com o cinto da verdade...” (Efésios 6.14). O “cinto”, ou “cinturão”, aqui citados, provavelmente se referia ao avental de couro embaixo da armadura ou ao cinto de metal que protegia o baixo ventre do soldado romano. Pois era à parte a qual a couraça não protegia, podendo se tornar em um ponto vulnerável para ser atingido.

De modo semelhante, o evangelista (o verdadeiro cristão) deve ter um compromisso total com a verdade das Escrituras e tendo em mente que deve seguir essa verdade, pois somente ela poderá nos proteger de cedermos a mentira “... Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” (João 8.31, 32).

Muitas vezes o evangelista será tentado a falsificar a mensagem do evangelho ou até mesmo inventar um padrão de vida moral, para atrair ou impressionar o incrédulo. Em hipótese alguma, o evangelista deve fazer isso, pois o seu compromisso com a verdade deve ser total, pois a mensagem do evangelho não precisa da nossa ajuda. Lembre-se, que o diabo sempre lhe instigará a mentir, pois isso lhe é próprio, e todas as vezes que você não for fiel à verdade, estará servindo aos propósitos dele “Vocês pertencem ao pai de vocês, o diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua’pois é mentiroso e pai da mentira” (João 8.44). O cristão deve preparar-se para a batalha assumindo um compromisso total com a verdade das Escrituras e sendo determinado a seguir essa verdade em atos e em palavras, caso contrário, a credibilidade do evangelho, a sua vida e a reputação do próprio Deus ficarão comprometidas.

TENDO COMO ESTILO DE VIDA A JUSTIÇA DE DEUS

A segunda peça da armadura espiritual é a “couraça da justiça” “Assim, mantenham-se firmes [...], vestindo a couraça da justiça” (Efésios 6.14). Normalmente confeccionada de couro sobreposto com metal, a “couraça” protegia o peito, pois, ela era usada somente em batalhas, não era vestimenta comum. Os soldados romanos deveriam estar na frente de batalha, lado a lado, então a armadura precisava proteger somente à frente do corpo deles. De acordo com Isaías 59.17 “Usou a justiça como couraça, pôs na cabeça o capacete da salvação...”, essa “couraça de justiça” é verdadeiramente a armadura de Deus relatada em Efésios.

Semelhantemente o evangelista precisa, se revestir de um estilo de vida, baseado somente na justiça de Deus.

Muitos “crentes” hoje em dia têm seguido seus próprios padrões de justiça se baseando em suas boas obras e em seu padrão de vida moral condizente para sociedade, até mesmo para se justificarem diante de Deus como justos (perfeitos).

A Bíblia nos incentiva a fazer justamente ao contrário “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça...” (Mateus 6.33), mesmo porque, somente Deus olha o mundo e tudo o que nele há, com uma visão geral. A Bíblia fala que a nossa justiça é semelhante a um absorvente sujo “Somos como impuro – todos nós! Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo" (absorvente sujo) (Isaías 64.6). Leia as palavras de Jesus, a respeito dos conceitos errados que nós temos:

“Quando Ele [o Espírito Santo] vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Do pecado, porque os homens não crêem em Mim; da justiça, porque vou para o Pai, e vocês não me verão mais; e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está condenado” (João 16.8-11).
Jesus nessa passagem (justiça) mostra de onde se obtém a verdadeira justiça e como podemos ser aceitos como justos, de acordo com o critério do próprio Deus. Por isso revistam-se da “couraça da justiça”.

TENDO OUSADIA AO PREGAR O EVANGELHO

 A terceira peça da armadura espiritual, são “os sapatos do evangelho da paz” “E tendo os pés calçados com a prontidão do evangelho da paz” (Efésios 6.15). Os soldados precisavam calçar sandálias ou botas para proteger os pés, de forma que eles pudessem avançar com ousadia em direção ao inimigo sem que precisassem se preocupar com pedras ou outros objetos que pudessem machucá-los durante a sua caminhada. O calçado era essencial para sua “preparação” para a batalha. O apóstolo Paulo toma essa imagem, especialmente, do mensageiro de Isaías 5.7

Essa passagem mostra que o evangelista deve compartilhar a mensagem de Cristo avançando o exército de Deus contra a posição do inimigo.

TENDO UMA FÉ INABALÁVEL

A quarta peça da armadura espiritual, é o “escudo da fé” “Além disso, usem o escudo da fé, com o qual vocês poderão apagar todas as setas inflamadas do maligno” (Efésios 6.16). Os soldados romanos eram equipados com um escudo grande e retangular, de quatro pés de altura, os quais tinham a parte dianteira feita de couro. Antes das batalhas, nas quais arcos em chamas poderiam ser arremessados, o couro poderia ser molhado para deter qualquer dardo inflamado lançado contra eles.

Semelhantemente o evangelista deve estar encoberto com uma fé inabalável, pois somente com este tipo de fé terá forças para enfrentar a oposição do inimigo. Podemos tirar como exemplo o próprio Estevão, que mesmo sabendo que poderia morrer, não teve medo, não duvidou de sua fé, pelo contrário, se revestiu do escudo da fé e pregou o evangelho com ousadia para todos os que estavam naquele local (ver: At 7.1-53).

Devemos ter muito cuidado com as “setas inflamadas” da “dúvida” e do “medo”, pois o diabo por diversos meios tentará enfraquecer a sua fé. Por isso iremos enfatizar essas verdades biblicamente para você. Veja o que a Bíblia diz sobre a dúvida:

“Seja o seu ‘sim’, ‘sim’, e o seu ‘não’, ‘não’; o que passar disso vem do maligno” (Mateus 5.37); “... pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento” (Tiago 1.6).

Caso você não saiba, o “medo” e a “fé”, não são muito diferentes, sendo que o “medo” é a quase certeza de algo negativo e a “fé” é a certeza de algo positivo. Podemos tirar como exemplo o apóstolo Pedro, quando negou Jesus três vezes. Nesta ocasião ele provou que estava com medo de assumir publicamente seu compromisso com Jesus (ver: Lucas 22.54-62). E depois quando foi revestido de poder no dia de pentecostes, pregou um sermão em praça pública, assumindo um compromisso público com Jesus. Nesta ocasião ele provou que estava com uma fé inabalável (ver: Atos 2.1-40). Veja o que a Bíblia diz sobre o medo:

Disse Jesus: “Mas aquele que me negar diante dos homens, Eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus” (Mateus 10.33),

TENDO ESPERANÇA DO GOZO DA SALVAÇÃO

A quinta peça da armadura espiritual, é o “capacete da salvação” “Usem o capacete da salvação...” (Efésios 6.17). O capacete usado pelo soldado romano era de bronze, equipado com faceiras, era necessário para proteger a cabeça. Embora fosse um traje essencial para a batalha, ele não era normalmente usado fora delas.

Semelhantemente, o evangelista deve ter em mente a salvação futura que será revelada, pois isso lhe dará forças para enfrentar as batalhas do dia a dia.

Muitas pessoas pensam que satanás tem causado doenças, fome, guerras, desigualdades sociais e etc., enquanto Deus finge que nada está acontecendo, a fim de agir após ouvir as orações de seus servos. A verdade que nada é feito sem a permissão de Deus “Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Romanos 8.28); “Não sobreveio a vocês tentação que não fosse comum aos homens. E Deus é fiel; Ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, Ele mesmo lhes providenciará um escape, para que possam suportar” (1 Coríntios 10.13).

Em hipótese alguma, devemos olhar para as circunstâncias presentes, em vez disso devemos nos agarrar à esperança da salvação eterna e da glória que iremos receber na mesma. Veja o que o apóstolo Paulo escreveu sobre suas provações e sofrimentos:

“Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove açoites. Três vezes fui golpeado com varas, uma vez apedrejado, três vezes sofri naufrágio, passei uma noite e um dia exposto à fúria do mar. Estive continuamente viajando de uma parte a outra, enfrentei perigos nos rios, perigos de assaltantes, perigos dos meus compatriotas, perigo dos gentios, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, e dos falsos irmãos. Trabalhei arduamente; muitas vezes fiquei sem dormir, passei fome e sede, e muitas vezes fiquei em jejum; suportei frio e nudez. Além disso, enfrento diariamente uma pressão interior, a saber, a minha preocupação com todas as igrejas” (2 Coríntios 11.24-28).

Mesmo com todas as tribulações e sofrimentos que passou, o apóstolo Paulo deixa claro que a esperança dele era a eternidade (vida eterna).

“Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno” (2 Coríntios 4.16-18).

Enquanto o evangelista não se revestir do capacete da salvação, nunca terá condições de extrair coisas boas de experiências ruins, como aconteceu com José no Egito, quando perdoou os seus irmãos por tê-lo vendido como escravo “Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos” (Gênesis 50.20). Lembre-se: Deus sempre está no controle de todas as coisas.

TENDO CONHECIMENTO DA PALAVRA DE DEUS

A sexta peça da armadura espiritual, é a “espada do Espírito” “Usem [...] a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Efésios 6.17). A espada era uma arma usada quando a batalha acontecia perto do inimigo, e os piques pesados que os soldados da linha de frente carregavam não eram práticos. Desse modo, Paulo diz que a batalha deve ser feita, especialmente no engajamento daqueles que não conhecem a Palavra de Deus, com sua mensagem, depois da preparação espiritual nas outras listadas aqui.

É fundamental que o evangelista tenha conhecimento e domínio da Bíblia, pois o diabo desde o princípio da criação do homem tem usado a própria palavra de Deus, deturpando-a para alcançar os seus objetivos. Veja a atuação do diabo na queda do homem relatada em Gênesis:

“... Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toque nele; do contrário vocês morrerão’.

Disse a serpente à mulher: ‘Certamente não morrerão! Deus sabe que no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus, serão conhecedores do bem e do mal’” (Gênesis 3.3-5).

Infelizmente, Adão e Eva não obedeceram ao que Deus tinha dito. Ao contrário deles, o Senhor Jesus quando estava no deserto, combateu o diabo se apegando firmemente às Escrituras Sagradas, recitando o texto de Deuteronômio 8.3 e outros, Veja o exemplo:

“O tentador aproximou-se Dele [Jesus] e disse: ‘Se és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães’.

Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’” (Mateus 4.3, 4).

Não podemos também deixar de enfatizar que, para uma pessoa ser salva, ela precisa por sua confiança (crer) em Jesus Cristo para a vida eterna, mas para que a pessoa creia é preciso que a palavra de Deus seja pregada corretamente “Conseqüentemente, a fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo” (Romanos 10.17). Por isso persevere no aprendizado das Escrituras, buscando sempre ter um compromisso com Deus e sua palavra “Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja corretamente a palavra da verdade” (2 Timóteo 2.15).

TENDO UMA UNIDADE ESPIRITUAL EM ORAÇÃO

A unidade espiritual que o evangelista necessita é a “oração no Espírito”. Depois que os legionários romanos fechavam as fileiras, a fileira da frente segurava os escudos à frente e os que estavam atrás destes seguravam os escudos sobre eles; assim eles estariam praticamente invulneráveis a qualquer ataque.

Semelhantemente o evangelista deve ter uma unidade espiritual em oração com outros crentes (igreja) em prol da evangelização “Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos. Orem também por mim, para que quando eu falar, seja-me dada à mensagem a fim de que destemidamente, torne conhecido o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador preso em correntes. Orem para que, permanecendo nEle, eu fale com coragem, como me cumpre fazer”(Efésios 6.18, 19).

O modo como os soldados deveriam permanecer juntos nas suas formações para a batalha, movendo-se como uma unidade sólida, é uma imagem figurativa de como os crentes devem cobrir uns aos outros em oração. Um soldado romano por si só era vulnerável, mas, como um exército unido, uma legião romana era praticamente invencível.

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