terça-feira, 11 de maio de 2010

PANORÂMA HISTÓRICO DO ANTIGO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO


Segundo o judaísmo e cristianismo, os autores do Antigo Testamento foram inspirados por Deus (2Tm 3.16). Enquanto escreviam o conteúdo do Antigo Testamento, eram inspirados pelo Espírito Santo para que anotassem a revelação que lhes fora dada de diversas maneiras. Logo, seus escritos são inspirados. O Antigo Testamento, como Palavra de Deus escrita, é uma suma da literatura oriental.

Foi redigido em duas línguas semitas antigas, ou seja, o hebraico e o aramaico. Somente Daniel 2.4 – 7.28, Esdras 4.8 – 6.18 e Jeremias 10.11 foram escritos em aramaico e o restante em hebraico, idioma idêntico à língua nativa do antigo oriente, produzida entre 1400 e 200 a.C.

Ao desvendarmos o significado da exposição bíblica para o povo de Israel, sob a ótica cultural e histórica, poderemos sentir, de forma comovente, que a mensagem do Antigo testamento é fundamental e fidedigna para nós.

As mensagens do Antigo Testamento, como as conhecemos hoje, foram transmitidas aos escritores de forma oral. Tomemos como exemplo o livro de Gênesis, que narra a criação do mundo. Como alguém poderia descrevê-la sem estar presente? Moisés gravou primeiramente os dez mandamentos em tábuas de pedra (Ex 31.18), depois o formou em forma de livro, denominado “o livro da Aliança” (Ex 24.4-7).

A crítica literária quer fazer acreditar que o Antigo Testamento é um livro de lendas, mitos e fábulas. Os incautos também se esforçam para desacreditar que Moisés seja o autor do Pentateuco. Mas o próprio Antigo Testamento condena estas idéias (Is 27.1; Sl 74.14,14).


PERÍODO ANTEDILUVIANO


A CRIAÇÃO (Gn 1)


Quando falamos da criação é necessário que tenhamos em mente que o mais importante é sabermos que existe um Deus que criou os céus e a terra e que esse Deus é superior à sua criação.

Em Gênesis 1 podemos observar a ênfase dada a Deus. No hebraico, o termo usado para Deus nesse capítulo é o substantivo Elohim, no plural, expressando suas ações por meio do verbo que vem sempre no singular.

No segundo relato da criação, o homem é o maior objetivo da criação de Deus. O Senhor Deus é apresentado como um ser pessoal, por isso Ele é chamado de Senhor Deus.

Por meio da criação, podemos aprender que o Senhor Deus é um Deus ordeiro e progressivo. A forma como foi produzida a criação demonstra o seu perfeito intento. Em Gênesis, Deus é apresentado como um Deus pessoal, criador, único e transcendente.


O SURGIMENTO DO HOMEM (Gn 2.18-25)


Nada há em definitivo que conteste a existência real e histórica de Adão e Eva. Todas as objeções em aceitar esta verdade se baseiam em conceitos subjetivos de improbabilidades. Para muitos, Adão e Eva não passam de mitos e fábulas. São seres humanos que querem de todas as formas negar a história bíblica por não desejarem saber a verdade, pois esta pode proporcionar-lhes muitos incômodos.

Jesus citou o fato da existência de Adão e Eva como real historicamente sem qualquer nuance de dúvida (Mateus 19.4-6). A raça humana é oriunda de um único ser, Adão (Rm 5.12). Só deveríamos aceitar a não existência histórica de adão se Jesus também não fosse real, fato que a maioria comprova, exceto os céticos. Paulo não poderia ter relatado os fatos importantes de Gênesis 2 e 3 se não fossem reais e se ele (o apóstolo) não acreditasse nisso (1Tm 2.13,14; 2Co 11.3). Somente seres humanos incrédulos e destituídos da graça de Deus conseguem rejeitar este fato como sendo real e histórico.


O DILÚVIO (Gn 6.13-10.32)


A razão para o acontecimento do dilúvio foi, sem dúvida, a corrupção da humanidade. A linhagem piedosa de Sete se misturou com a linhagem ímpia de Caím. A Bíblia relata que os “filhos de Deus” casaram-se com as “filhas dos homens”, resultando desta união homens “gigantes” que promoviam a violência sobre a terra. Os únicos que mantiveram sua fidelidade a Deus nesta época foram à família de Noé. Desta forma, Deus determinou que aquela geração ímpia seria dizimada. Então, depois de constantes avisos, por meio das pregações de Noé, ordenou-o que construísse uma arca cujo propósito seria a salvação para os que nela entrassem.

A estrutura da arca era a seguinte: 135 metros de comprimento, 22 metros de largura e 13 metros de altura. A arca possuía três pisos divididos em vários cômodos. Segundo os estudiosos, a arca comportava cerca de 7.000 espécies de animais. Noé acreditou que a palavra de Deus, de que iria destruir a terra, era verdadeira (Hb 11.7). A pregação de Noé foi ignorada pelos homens perversos de sua época. Sete dias antes do dilúvio, Deus ordenou a Noé que juntamente com sua família entrasse na arca. Dentro da arca haveria de ter um casal de animais de cada espécie (Gênesis 6.19), e sete casais dos animais limpos (Gênesis 7.2). Então chegou o dia que Deus derramou abundante chuva (Gênesis 7.11).

Alguns acreditam que a inundação se deu tanto de forma subterrânea quanto vinda do céu. A violência das águas foi evidente e variada. Há polêmica quanto à extensão do dilúvio. Teria sido local ou universal? Os estudiosos do assunto divergem sobre suas opiniões. Local ou universal, o fato é um só: indiscutivelmente o dilúvio realmente aconteceu.


PERÍODO PATRIARCAL


A TORRE DE BABEL (Gn 11)


O projeto de Deus para o homem era sua expansão e multiplicação pela terra. Para tanto, não poderiam estar limitados a apenas um lugar. A intenção de Deus era que o homem tivesse domínio sobre tudo e desenvolvesse grandes nações. Entretanto, com um ato de rebelião a Deus, os homens se empenharam na construção da torre de babel. Era o homem mais uma vez se opondo ao desejo e à vontade do altíssimo.

O personagem principal da construção da torre foi Ninrode (Gênesis 10.8). Ninrode era contra a idéia de que o povo deveria se espalhar pelo mundo de então, e, desta forma, liderou a grande construção da torre. Vemos então, a ação de Deus de confundir as línguas para que a construção não prosseguisse. Mas o perverso Ninrode continuou na sua empreitada de barrar a expansão do homem.

Ninrode é considerado também o responsável pelo início da construção da Babilônia bem como pelo menos de mais três cidades: Ereque, Acade e Calné. E por fundar a cidade de Nínive. As cidades de Babilônia e Nínive se tornaram cidades de extrema importância e significado no mundo da época.

De certa forma, podemos dizer que todas as falsas religiões do mundo têm sua origem em Ninrode. No período do dilúvio até Abraão (400 anos), Ninrode foi o mais destacado líder.


SURGIMENTO DA IDOLATRIA


O homem perde a origem do conhecimento de um único Deus quando cai em pecado e é banido de sua presença. O ideal de adoração que Deus havia estabelecido no início da criação humana foi o monoteísmo, mas o homem, ao pecar, começou a adorar as forças da natureza, distanciando-se da verdadeira adoração, tornando-se politeísta.

Por ser o meio pelo qual se origina a vida, o sexo era praticado livremente nas religiões babilônicas. As religiões da época acreditavam que os deuses e deusas existentes mantinham relações sexuais. Sendo assim, o sol e a chuva passaram a ser considerados como deuses pelos seus adeptos. Os reis, por serem poderosos, passaram a ser adorados. Cada cidade tinha seu Deus padroeiro. Para os assírios, Assur era o principal Deus. Na Babilônia, Marduque (Ninrode) era adorado. Para que pudessem aceitar a idéia de que seus deuses eram reais, começaram a fabricar imagens. O homem passa do monoteísmo primitivo para o mais infame culto idólatra.

Já no tempo de Abraão, na cidade de Ur dos caldeus, havia muitos deuses e deusas. Ninrode era adorado como sendo o Deus Marduque. Os babilônios também adoravam o sol, a lua, o fogo etc. o Deus-sol era conhecido como chamas e a deusa-lua como sin. A responsável pela “sagrada prostituição” era Nina, ou Istar, a deusa da paixão sexual. Os rituais da “sagrada prostituição” eram cultos realizados com mulheres nas câmaras escondidas. Chamadas de sacerdotisas, essas mulheres mantinham relações com os adoradores no santuário. Era costume na Babilônia que todas as viúvas, ou moças, ou mulheres casadas se prostituíssem no templo pelo menos uma vez na vida.

Os pais de Abraão eram idólatras (Js 24.2), porém Abraão conheceu a Deus por meio de uma revelação direta. Existe a possibilidade também de Abraão ter conhecido a Deus pela tradição oral. Matusalém (Gênesis 5.22,25, 27) teria relatado a Noé a criação de Adão, o dilúvio e outros fatos importantes (Gênesis 5.32; 7.6; 9.29). Noé transmite esses relatos a seu filho Sem que, por sua vez, transmite-os a Abraão.


ABRAÃO


Abraão viveu em Ur dos caldeus. Quando nasceu, seu pai tinha 130 anos, provavelmente. Ao entrar em Canaã, Abraão estava com 75 anos. Ao nascer seu filho Ismael, Abraão tinha 86 anos. Ao nascer Isaque, 100 anos. Quando da morte de Sara, 137 anos. Abraão morreu aos 175 anos.

Deus chama a Abraão ainda em sua terra natal (Gn 12.1-3) e ele sai sem saber para onde iria (Hb 11.8). A primeira parada de Abraão ocorreu em Harã, que distava de sua terra natal cerca de 965 Km. O caminho de Harã era percorrido pelos povos da época com suas caravanas e exércitos. Essas estradas davam acesso para Babilônia, Assíria, Síria, Ásia Menor e Egito. A saída de Abraão da cidade de Ur dos caldeus visava à separação da idolatria dominante nessa cidade. Ao chegar em Siquém, Abraão edificou um altar a Deus. Ao deixar o local, rumou para o lado sul – Betel, localizada nos mais elevados montes de Canaã.

Em Betel, Abraão, novamente, edifica um altar ao Senhor. Esta atitude de Abraão em edificar altares a Deus nos lugares por onde passava denotava sua fé perante o povo, expressando-a publicamente. Abraão ficou em Betel até separar-se de seu sobrinho Ló. Por causa da fome em Canaã, Abraão migrou para o Egito, ficando ali até o fim da fome. No Egito, Abraão teve um grave problema: Faraó interessou-se por Sara, sua mulher. Resultado: Abraão teve de mentir, dizendo que Sara era sua irmã, para não ser morto pelo faraó. Abraão não mentiu totalmente, pois Sara, de fato, era sua meia irmã (Gn 20.12), pois os casamentos entre parentes próximos eram comuns naquela época.

Ao retornar para Canaã, Abraão enfrentou outro problema. Desta feita, com seu sobrinho. Os dois possuíam muitos gados. Eram ricos. Então o que aconteceu? Os pastores de Ló começaram a brigar com os pastores de Abraão por causa do espaço físico. O patriarca, por não querer problema entre família, propôs a Ló que escolhesse uma terra, um espaço conveniente para ele, sua família e seus gados. O resultado disto foi sua separação de Ló, que escolheu as belíssimas planícies de Sodoma. Mas Ló fez uma escolha totalmente equivocada. Abraão, por ser tio de Ló e mais velho que ele, deveria ter a primazia na escolha. Mas Ló, insanamente, aceita a proposta sem ponderar o assunto.

O primeiro incidente na vida de Ló em Sodoma – seu novo lar foi à guerra entre quatro reis, que resultou em seu cativeiro e de sua família. Com 318 homens, Abraão enfrenta aqueles reis, dispersando-os, e salva seu sobrinho do cativeiro. Nisto podemos ver que Abraão tinha conhecimentos em estratégias militares. Abraão ao encontrar-se com Melquisedeque, rei e sacerdote em Salém, dá-lhe o dizimo dos despojos da guerra. A tradição diz que Melquisedeque poderia ser Sem – o filho de Noé – o que não deve ser aceito. Melquisedeque é o tipo do sacerdócio de Jesus (Salmos 110.4; Hb 7.22-28).

Em Gênesis 15, Deus renova sua aliança com Abraão, dizendo-lhe que seria necessário que seus descendentes fossem escravos no Egito por 400 anos. Quando Abraão tinha 100 anos, nasce Isaque, o herdeiro da promessa divina. Nessa época, é instituído o rito da circuncisão (Gn 17.23-27).

As perversidades das cidades de Sodoma e Gomorra atraíram a ira divina. Não obstante a lembrança do dilúvio ainda estar viva na mente daquelas pessoas, elas não hesitaram em cometer pecados e perversidades, atraindo para si o juízo de Deus, evidenciado na destruição das cidades.

Quando Isaque, o filho de Abraão, nasceu, Ismael estava com a idade de quinze anos, provavelmente. Quando Isaque era ainda jovem, seu pai é posto por Deus a prova, ou seja, o Senhor Deus pediu a Abraão o seu filho em sacrifício. É claro que Deus não desejava a morte de Isaque. Antes, queria testar a fidelidade de Abraão. A fé de Abraão era tão sólida em Deus que o patriarca acreditava que mesmo que sacrificasse seu filho, Deus poderia ressuscitá-lo.


ISAQUE


Foi pai de Esaú e Jacó. Sua esposa se chamava rebeca. Como seu pai, também teve de mentir para não perder a rebeca e ser morto. Herdou toda a riqueza de Abraão. Quando tinha 37 anos, sua mãe – Sara – morreu. Casou-se com rebeca aos 40 anos. Os gêmeos – Esaú e Jacó – nascem quando Isaque estava com idade de 60 anos. Isaque morreu com 180 anos.


JACÓ


Era filho mais novo de Isaque com Rebeca. Quando Abraão morreu, tinha cerca de 25 anos. Com 84 anos casou-se. Aos 147 anos morreu. Passou seus primeiros 77 anos em Canaã. Os 20 anos seguintes em Padã-Arã. Seus últimos 17 anos passou no Egito.

Jacó teve de fugir da casa de seus pais devido ao desejo de Esaú de tirar sua vida, pois Jacó tinha enganado seu pai, “roubando” de seu irmão a benção da primogenitura. Na realidade, a proeminência de Jacó sobre Esaú já havia sido prevista por Deus (Gênesis 25.23). Posteriormente, foi residir em Harã, onde sua mãe rebeca fora criada. Seu tio se chamava Labão, e morou com ele cerca de 20 anos. Logo começou a colher os frutos que semeara. Havia combinado com seu tio sete anos de trabalho pela concessão de sua filha Raquel, mas seu tio usa de engano para com ele e dá-lhe por casamento outra de suas filhas – Lia – a qual não usufruía sua preferência.

Jacó teve de trabalhar então mais sete anos por Raquel. Teve duas esposas e duas concubinas. Ao todo, teve doze filhos. A seguir, os filhos de Jacó, relacionados juntamente com suas respectivas mães: Lia: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Isacar e Zebulom; Raquel: José e Benjamin; Zilpa (serva de Lia): Gade e Aser; Bila (serva de Raquel): Dã e Naftali.

Depois de um certo tempo, Jacó retorna para a terra de Canaã, de onde tinha fugido da presença de Esaú vinte anos antes. Agora era um homem muito rico, com muitos gados, ovelhas, rebanhos e manadas. O seu maior medo em voltar para Canaã estava em enfrentar a fúria de Esaú, seu irmão. Ao encontrá-lo, porém, o quadro tinha sido invertido por Deus e os irmãos se reconciliam. Jacó ficou residindo em Siquém por pouco tempo, visto seus filhos Simeão e Levi terem atraído a fúria dos vizinhos, que vingaram com morte, a violação da virgindade de sua irmã Diná (Gênesis 34). Então tiveram de fugir para Betel, onde Deus renova as promessas e os compromissos feitos com Jacó. A suposta morte de José, filho de Jacó, trouxe a seu pai angústias e decepções (Gênesis 37). Mas Deus reservava uma surpresa para o patriarca que, após lutar com um anjo, teve seu nome mudado para Israel (Gênesis 32). José não estava morto e, logo após algum tempo, é elevado ao cargo de governador do Egito (Gênesis 37-41).


JOSÉ


Aos 17 anos, foi vendido por seus irmãos aos comerciantes midianitas que por sua vez, o venderam no Egito a Potifar, capitão da guarda de Faraó. Passou cerca de dez anos na casa de Potifar. Tornou-se governador do Egito com trinta anos de idade (Gênesis 41.46). Casou-se com a filha de Potífera, sacerdote de Om, mas nem por isso deixou de crer no Deus de seu pai Jacó.

A história de José merece ser lida, relida e meditada por todos os servos de Deus. José dá-se a conhecer para os seus irmãos. Seus irmãos retornam a seu pai Jacó e lhe informa que José estava vivo e deveriam mudar-se, a pedido de José para o Egito.

Jacó antes de falecer, abençoa os doze filhos. A benção dada a cada filho designaria a benção sobre cada uma das doze tribos.

Ao morrer, Jacó seu corpo levado de volta para Hebrom, sendo sepultado lá. Os irmãos de José lhe juraram que seus ossos não ficariam no Egito, mas o fariam subir para Canaã. E isto foi cumprido (Gênesis 50.25; Ex 13.19).


ÊXODO ATÉ JOSUÉ


Dê Gênesis até êxodo, há um intervalo de 300 anos, que vai da morte de José até o nascimento de Moisés, ou seja, desde a migração de Jacó para o Egito até o êxodo. Quando José morreu no Egito houve uma mudança de dinastia, forçando os judeus, que eram muitos ali, a exercerem serviços escravos. Segundo os estudiosos, a população dos hebreus no Egito, na época, era de cerca de três milhões, contando crianças e mulheres. Quando Jacó (Israel) desceu ao Egito, apenas setenta hebreus residiam na terra de faraó.


MOISÉS


Era da tribo de Levi. Foi colocado por sua irmã em uma cesta feita de betume na águas do rio Nilo. O motivo deste episódio? Faraó resolveu mandar matar todos os meninos que nascessem das mulheres hebréias numa tentativa desesperada de conter a multiplicação do povo hebreu. Foi achado nas águas pela filha de faraó e criado por sua própria mãe. Seu pai chamava-se Anrão e sua mãe Joquebede. No Egito, teve contato abrangente com a educação e estudou as mais diversas ciências da época. Sem dúvida, foi um dos maiores homens do período pré-cristão. Era, possivelmente, o sucessor ao trono de faraó. Passou os quarenta anos do início de sua vida no palácio de Faraó, no Egito.

Mas, ao defender um hebreu, acabou matando um Egípcio e teve de fugir para as terras de Midiã, onde se casou com Zípora, filha do sacerdote Jetro. Os midianitas descendiam de Abraão, da parte de Quetura. Moisés teve com Zípora dois filhos: Gérson e Eliezér (Ex 1-2).


A PARTIDA DOS ISRAELITAS


Para que Faraó Amenotepe II liberasse o povo hebreu e estes se retirassem do Egito, foi necessária a terrível praga da morte dos primogênitos. As duas perseguições e a escravidão imposta pelos egípcios aos hebreus estavam chegando ao fim e teriam sua justa retribuição. O faraó teve de saber que o Deus dos hebreus é superior aos deuses do Egito.

Os israelitas pediram jóias de prata, jóias de ouro e roupas aos egípcios que prontamente, atenderam ao pedido, pois entendiam que estavam sob maldição (Ex 3.22; 12.35). Foi assim que o povo de Israel partiu de Ramessés para Sucote com seiscentos mil homens e suas respectivas famílias.

Estrangeiros e egípcios subiram do Egito junto com os israelitas, provavelmente impressionados com o grande poder do Deus dos hebreus, porém, mais tarde, serviram de embaraço para a nação hebréia, incitando-os a murmurar no deserto. Deus foi o guia do povo de Israel, manifestando-se em uma coluna de nuvem, que os guiava pelo caminho durante o dia, e em uma coluna de fogo, que os conduzia a noite (Ex 13.21). Observando no mapa o percurso do povo pelo deserto, vemos que Deus não os conduziu pelo caminho mais curto, mas sim, fazendo-os rodear pelo deserto. O motivo de Deus com isso era disciplinar e organizar os hebreus, para pudessem enfrentar as dificuldades que passariam no deserto. E também para que faraó e o seu exército fossem destruídos e o Senhor, glorificado.

Humanamente falando, não havia saída para os hebreus. Cercados por montanhas e pelo mar, presenciaram o exército egípcio vindo, furiosamente, ao seu encontro para matá-los. Diante da situação, os israelitas começaram a murmurar contra Moisés, pois estavam com medo do exército de faraó. Foi quando Deus fez soprar um forte vento oriental que amontoou as águas, formando um muro do lado esquerdo e outro do lado direito, deixando o caminho no meio do mar seco para que o povo passasse sem sequer molhar os pés.

O exército de faraó, no entanto, com todos os seus cavaleiros, morre afogado no mar Vermelho (Ex 14). O povo de Israel segue sua caminhada pelo deserto e, depois de três dias sem encontrar água para beber, chega a um lugar onde havia águas amargas (Ex 15.23). Para que o povo tivesse condições de conquistar a terra prometida, os israelitas tiveram de enfrentar as agruras do dia-a-dia, o deserto e a fome, entre outras adversidades. Todas as dificuldades serviriam como propósito de adestramento e treinamento. Em sua peregrinação no deserto, aprenderam a ser totalmente dependente de Deus, pois os recursos praticamente não existiam. Após seis semanas da saída do Egito, chegaram ao Monte Sinai e ali ficaram por volta de um ano. Foi neste monte que receberam a Lei e fizeram aliança com Deus.

Ao chegarem em Cades Barnéia, Moisés enviou doze espias para verificarem as condições da terra que haveria de conquistar. O relatório acerca da terra foi bom, porém, por parte de alguns, a questão da conquista se tornava impossível, visto haver muitos gigantes (Nm 13). Mas Josué e Calebe tiveram um ponto de vista positivo a esse respeito (Nm 14.1-10).

Na peregrinação pelo deserto, muitos fatos tristes aconteceram, como, por exemplo, a morte de Miriã (Nm 20.1) e de Arão (Nm 33.39) e a rebelião de Coré (Nm 16). Freqüentemente, Moisés ficava zangado com o povo, sendo um destes episódios o fator determinante para que ele (o próprio Moisés) não entrasse em Canaã.

Para que chegassem em seu destino, os israelitas tiveram de pedir permissão para passar pelos territórios estrangeiros e, muitas vezes, foram ignorados. Passaram também em muitos lugares que, pelo menos temporalmente, lhes serviram de refrigério.


AS CONQUISTAS DE JOSUÉ


Josué era da tribo de Efraim. Foi um dos doze espias e era homem de confiança de Moisés. Com o falecimento de Moisés, a responsabilidade em prosseguir para a conquista da terra prometida recaiu sobre Josué (Nm 27.15-23), que exerceu com grande zelo e eficácia sua liderança, enviando homens para espiar a terra. Josué tinha o Espírito de Deus (Nm 27.18) e era um homem de grande caráter. Com ele, o povo de Israel atravessou o rio Jordão (Js 3). A destruição de Jericó era eminente. Raabe, a prostituta que acolheu os doze espias, teve a segurança de que por este ato não seria morta pelos homens de Josué, quando estes entrassem em Jericó; para tanto, usou como sinal um fio de escarlata pendurado na janela de sua casa (Js 2.1-14; 6.1-27).

Os moradores de Jericó eram idólatras, cruéis e imorais e segundo consta, não eram tão inocentes quanto a verdade da existência de um Deus verdadeiro. Com certeza, conheciam a história do dilúvio, da destruição de Sodoma e Gomorra, da libertação do Egito e do milagre realizado na travessia do Mar Vermelho, entre outros. Mesmo assim, não temiam ao Deus dos hebreus.

A questão da violência dominante na época deve ser bem entendida. As crueldades eram próprias do tempo, e os propósitos de Deus, ás vezes, se cumpriram empregando os meios que geralmente estavam em uso. Vale ressaltar que o povo de Israel também foi vítima de violência, e que eles não era um povo que gostava de praticar atos violentos.

Enfim, após a conquista da terra, Canaã foi dividida entre as tribos que tinham direito. São instituídas, então, as cidades levíticas e as cidades de refúgios. Antes da morte de Josué, o povo renova sua fidelidade a Jeová. O livro bíblico de Josué termina relatando sua morte com idade de 110 anos (Js 24.29).


PERÍODO TEOCRÁTICO


JUÍZES


O período dos juízes é chamado de teocrático por não possuir um governo humano. Deus era o próprio rei de Israel. O historiador Flávio Josefo foi quem primeiramente aplicou o termo teocracia ao período dos juízes.

Os juízes não eram governadores regulares, apenas serviam ao processo de libertar o povo de Israel da opressão dos inimigos estrangeiros, ou seja, eram juízes que serviam para um propósito temporário. Sua liderança era apenas para um tempo determinado após a libertação. Logo depois outro inimigo se levantava contra Israel e Deus usava outro juiz para o processo de libertação.

Os príncipes e os anciãos que governavam o povo eram autoridades nas suas respectivas tribos.

Quanto tempo durou esse período não é fácil avaliar, devido à contagem de números redondos e a soma total comportar um período de tempo mais vasto do que o resto da história permite. A tabela abaixo mostra que é muito provável que alguns juízes foram contemporâneos.
Nesse período, o povo tinha decaído muito na crença em Yahweh. A geração corajosa e guerreira de Josué tinha passado e agora a geração presente em juízes era fraca e obstinada. Tornaram-se indiferentes entre seus irmãos. Cada um se importava somente consigo mesmo. O patriotismo hebreu nacional arrefeceu. Ao invés de expulsarem as nações ímpias de Canaã, apenas as subjugavam. Desta forma, foram fazendo alianças com elas e aderindo suas práticas, o que trouxe grandes prejuízos para a nação de Israel.

Com isto, os antigos donos do terreno foram se fortalecendo, a ponto de fazerem frente aos exércitos de Israel e tornaram-se seus inimigos ferrenhos. Dentre eles, os filisteus, os midianitas, os sírios e os moabitas. Enfim, a degeneração de Israel contribuiu para a sua própria condenação, sofrimentos e derrotas. Não obstante a desordem ser mais ressaltada neste período, houve também pessoas que obedeciam piedosamente a Deus.


RUTE


A história de Rute inicia-se com a ida de Noemi (sua sogra), no período dos juízes, de Canaã a Moabe. Nessa época, devido ao jugo dos midianitas, os hebreus estavam passando por períodos de intensa fome. Lá, em Moabe, Rute casa-se com um dos filhos de Noemi, que mais tarde veio a falecer. Noemi, devido a circunstancias da vida e aos desígnios de Deus, perde o esposo e os dois filhos, que falecem (Rt 1.1-5).

Quando Noemi fez planos de voltar para Canaã teve a companhia de sua nora, Rute. Ao chegarem em Canaã, Rute casa-se com Boaz, parente de Noemi, e passa a fazer parte da linhagem de Jesus Cristo. Foi mãe de Obede, que foi pai de Jessé e avô de Davi (Rt 4.17-22).


PERÍODO DE TRANSIÇÃO


Eli sumo sacerdote, também foi juiz, porém, a era dos juízes estava chegando ao fim. Em sua época, os filisteus guerreavam contra Israel, chegando até a vencerem batalhas contra Israel, causar grandes destroços e tomar a Arca da Aliança de Deus que estava em Silo (1Sm 4.1-11). Nesse ínterim, nasce Samuel. Seu nascimento foi num ato miraculoso, pois Ana, sua mãe, não podia engravidar (1Sm 1.19-23). Samuel foi o responsável pela restauração da religião em Israel, criando a Escola de Profetas.

Deus o havia constituído como governante temporal e espiritual em Israel e ele, sem dúvida, foi um dos maiores vultos do Antigo Testamento e da História de Israel.


A MONARQUIA ISRAELITA


REINO UNIDO


Nesse tempo, os israelitas já não aceitavam mais ser uma nação sem rei, indiretamente, estavam recusando o governo teocrático. Samuel entendeu não ser da vontade de Deus que Israel tivesse um rei, mas, mesmo assim, depois de orar ao senhor e de mostrar ao povo qual seria a função do rei e suas administrações, resolve ceder ao pedido dos hebreus (1Sm 8.5-22).

Para receber o novo rei foram feitas nomeações e solenidades e a sorte recaiu sobre o novo rei, se alegra sobremaneiramente, achando que esta seria a causa para a solução dos seus problemas (1Sm 10.17-27).

Mas, com o passar do tempo, os israelitas começaram a perceber que o rei Saul não tinha condições suficientes para administrar a nação. Demonstrou ser uma pessoa totalmente sem equilíbrio emocional. Por fim, enfrentou calamidades até a ponto de se encontrar perturbado espiritualmente. Antes dessa etapa, Deus já havia ordenado a Samuel para ungir um novo rei sobre Israel que fosse segundo o seu coração. O futuro rei, filho mais novo de Jessé, era pastor de ovelhas e um bom músico, seu nome é Davi. Nesse meio tempo, Saul ainda continuava governando como rei em Israel (1Sm 13.8; 16.1).

A principio, parece que Saul recebeu muito bem a Davi no seu palácio, dando-lhe até mesmo sua filha como mulher, e isso pelo fato de ele ter enfrentado e matado o gigante Golias. Mas a inveja logo aparece. O descontrole e a perturbação passaram a fazer parte do dia-a-dia de Saul a tal ponto que ele perseguiu Davi até os últimos instantes de sua vida. Saul e seu filho Jônatas foram mortos em uma batalha contra os filisteus no monte Gilboa (1Sm 16-31).

Quando Davi foi coroado rei, o filho de Saul chamado Isbosete, junto com o general do exército, Abner, oferece resistência a esta coroação e recebe apoio da maioria das tribos presentes. A tribo de Judá, porém, manifesta apoio a Davi (2Sm 2.8-10). O resultado disso foi uma guerra civil, culminando na morte de Isbosete (2Sm 4.5-12) e Abner (2Sm 3.22-30). Davi, impulsionado pelos homens de Israel, toma a fortaleza de Sião (Jerusalém), que estava em poder dos jebuseus (2Sm 5.6-9).

A nação que tinha a supremacia militar na época, os filisteus, começou a sentir-se ameaçada pelos sucessos e empreendimentos militares de Davi. Davi foi responsável por manter a tranqüilidade em Israel e livrar a nação de seus inimigos ferrenhos. Um dos maiores símbolos de Israel, a Arca da Aliança, estava a vinte anos distante de seus donos e precisava retornar para Israel. Coube a Davi trazer a Arca de volta e sua atitude alegrou os israelitas (2Sm 6).

Os israelitas tinham motivos de sobra para amar e reverenciar Davi. A sede de governo do rei que estava ainda em Hebron (sete anos) é transferida para Jerusalém (2Sm 5.1-5). As conquistas militares e sociais de Davi se alargavam abundantemente, mas neste tempo ele transgride a Lei de Deus, adulterando com Bate-Seba, mulher de Urias (2Sm 11). Um dos frutos desta relação ilícita foi Salomão (2Sm 12.24), o futuro herdeiro do trono de Davi. Pelo pecado cometido, Davi teve de amargar em sua família terríveis acontecimentos: morte, estupro, traição, muito embora Deus tenha perdoado seu pecado (2Sm 13; 19.10). Davi já estava restabelecido quando enumera o povo de Israel, caindo sobre ele à responsabilidade de decidir que tipo de males viria sobre a nação (2Sm 24).


DIVISÃO DO REINO


Com Salomão no poder tudo corria bem. Ele era um homem temente a Deus e, numa oportunidade, soube fazer o pedido correto ao senhor. Pediu a Deus que lhe desse sabedoria para conduzir o povo (1Rs 3.3-15). A Bíblia diz que Salomão escreveu 3.000 provérbios e 1005 cânticos (1Rs 4.32), e sua grandiosidade e sabedoria fizeram dele um dos maiores poetas que Israel já teve em todos os tempos. Mas seus últimos dias foram conturbados, pois deixou o Senhor e passou a adorar vários deuses. Tudo isso ocorreu como conseqüência de seus casamentos com várias esposas pagãs, deixando-se levar pelas influencias de suas mulheres – fato este condenado por Deus (1Rs 11.1-3).

Então, começa a revolta das tribos, principalmente da tribo de Efraim, contra a administração de Salomão. O profeta Aias diz a Jeroboão que Deus lhe daria o domínio de dez tribos (1Rs 11.29-40), profecia esta que teve seu cumprimento quando Roboão, filho de Salomão, não manteve a mesma simpatia de seu pai, caindo no desagrado dos mais velhos, o que provocou uma rachadura que dividiria o reino.

Roboão reinaria sobre duas tribos e Jeroboão sobre dez tribos. Esta divisão fez que tivesse como capital Samaria (reino norte – Israel). A capital de Judá, então, passou a ser Jerusalém (reino sul), Cf. 1Reis 12.


ASPECTOS SOCIAIS E ESPIRITUAIS NOS DOIS REINOS


A vida econômica e social – A origem camponesa do povo hebreu é caracterizada por suas festas. Desde a ocupação de Canaã os campos viraram um excelso canteiro florido, no início da primavera o florear das sementes e ao fim da estação a colheita. Cidades e reis tiveram origens tanto nos vastos territórios arados como a frente de rebanhos. A vida era sossegada e modesta. Casas construídas em barro e madeiras com tetos planos que servia como dormitórios no tempo do calor. Os alimentos constituíam-se de pão de trigo e de cevada, tortas de azeite, legumes e frutas. A carne somente em dias de festa quando traziam o rebanho para o holocausto; serviam-se do resto dos sacerdotes. Os habitantes das proximidades do templo usavam a carne com mais freqüência. Este jeito simples recebe a concorrência com a chegada do comércio em escalas além fronteiras. As diferenças sociais passam a ser percebida durante o reinado de Salomão, transações em dinheiro, classes mais favorecidas logo, perto do poder. A Lei passa a não ser respeitada, pois o valor material é mais fácil de ser comercializado.

A vida familiar – A poligamia só podia existir para os reis, a monogamia era a forma habitual na vida conjugal. Os pais exerciam poderes ilimitados sobre os filhos. A mãe gozava dos mesmos privilégios. O escravo dentre os judeus era considerado membro da família; seus direitos eram amparados por lei. Um escravo hebreu só servia a família seis anos, ao sétimo lhe era facultativo continuar com a família.

A sociedade – Todos os homens maiores de idade desfrutavam de direitos civis. Todos eram protegidos por leis. O rei era o chefe do exército, supremo governante, juiz do povo. O serviço militar era obrigado e bens materiais eram depositados no templo para a manutenção de guerras. Ricos, nobres, plebeus, camponeses e estrangeiros compunham as classes sociais judaicas. Atuando como juiz, o rei acatava o pedido de interseção junto as causas do fraco junto ao forte. Ofendido e ofensor. Como sacerdotes, reis ofereceriam holocaustos, pois eram “ungidos do Senhor”, às vezes bem visto em outras oportunidades como “amaldiçoados”.

A religião – Ocupou sempre o primeiro lugar, suas capitais religiosas eram Jerusalém, em Judá e em Israel, Beth-ez. Ocupou o povo em inúmeras ocasiões e o sucesso da nação estava sempre pressionado com o seu envolvimento com Yahweh. O ofício religioso compunha-se de holocausto e orações. Holocausto teria como significado simbólico, incineravam-se partes do animal sobre o altar e o restante, pura e apta para o consumo. O sangue do holocausto vertia sobre o altar. Na páscoa ofereciam as primícias da ovelha, comi-se com pães ázimos. Em pentecostes a carne não se comia com pães ázimos e sim com pão aferventados. Na festa das tendas (cabanas), traziam ao templo frutos das árvores e das palmeiras. Durante estes festejos celebrava-se à volta do templo com eméritos banquetes, cada família rica convidava a sua mesa órfãos, viúvas, pobres e estrangeiros onde todos bebiam e se alegravam-se em nome de Yahweh, as festas campestres foram transformadas em festividades religiosas.

Os ofícios do templo – Dentro do templo deveria sempre ter um sacerdote que sacrificava os holocaustos e obtinham oferecimento de uma parte. Quando estes oferecimentos passaram a ser muito mais exigido, o rei fixou com precisão o valor destes presentes (dízimo). O sacerdócio passava de pai para filho, segundo a tradição judaica.

A literatura – Durante vários séculos as tradições espirituais do povo foram registradas verbalmente. Muitas lendas foram contadas em forma de canções populares. Os proveitos mais importantes eram gravados na tábua do pacto e quanto mais o povo evoluiu também se aperfeiçoou na arte da escrita. Começaram a anotar as tradições orais para perpetuá-las. A escritura era empregada entre os reis nos dias de Salomão e Davi. Estes possuíam cronistas que anotavam os acontecimentos de sua época. Em épocas seguintes continuou o hábito de anotar atos em forma de crônicas. A literatura forma um elo importante nos registros dos fatos heróicos através de seus eleitos. Exibe a sublime personalidade de Moisés e os deveres e direitos outorgados por Deus ao povo através do decálogo, fundamento da religião e da legislação hebraica.

Os profetas – Mais tarde os profetas passam anotar seus discursos para que fossem transmitidos a gerações futuras, sendo que Elias e Hélices, foram profetas e não deixaram nada escrito. Os próximos profetas deixaram uma obra completa sobre a vocação sacerdotal e o desprezo do povo hebreu com relação a seu Deus.


CATIVEIRO ASSÍRIO


O reino do norte (Israel), governado por Jeroboão após a divisão, foi dominado pela Assíria. Jeroboão não perseverou em andar nos caminhos do Senhor. Ao contrário, fez bezerros de ouro em Dã e em Betel (1Rs 12.25-33), para que o povo não fosse a Judá, onde estava o templo que Salomão havia construído para adoração ao Deus Yahweh. Daí, o costume de culto idólatra passou a ser um exemplo trazido por Jeroboão a Israel, sendo por muito tempo imitado pelos outros reis, tanto que a Bíblia cita os outros monarcas idólatras de Israel dessa forma: “fez o que era mau aos olhos do senhor; e andou nos caminhos de Jeroboão, que fez pecar Israel” (1Rs 15.34).

A linhagem de reis em Israel foi quebrada, e nove dinastias diferentes ocuparam o trono:

1. Jeroboão I foi sucedido por Nadabe que foi assassinado por Baasa (1Rs 15.25,28).

2. Ela, filho de Baasa, foi assassinado por seu servo Zinri (1Rs 16.8-10).

3. Zinri suicidou-se no final de sete dias de reinado e seu substituto foi Onri (1Rs 16.15-18).

4. Onri é sucedido por Acabe, este por Acasias e Acasias por Jorão, que foi morto por Jeú em uma batalha (1Rs 16.28; 22.51).

5. Jeú é sucedido por Jeocaz, este por Jeoás (1Rs 13.9), este por Jeroboão II e este por Zacarias, que foi morto por Salum em uma conspiração (2Rs 10.35; 13.9; 14.29).

6. Salum foi assassinado por Manaém (2Rs 15.14).

7. Manaém é sucedido por Pecaías, que é morto por seu capitão Peca (2Rs 15.25).

8. Oséias é deposto pelo rei assírio depois de nove anos de reinado (2Rs 17.3).

O cativeiro de Israel aconteceu, inicialmente, porque Peca (Israel) fez acordo com Rezim (Síria) para atacar Acaz (Judá) (2Rs 15.37). Acaz, por sua vez, pede a ajuda de Tiglate-Pileser (Assíria) para defender-se de Peca, o que acabou culminando no primeiro cativeiro de Israel (2Rs 16.7). As tribos restantes em Israel tornaram-se tributária da Assíria (2Rs 16.8). O segundo cativeiro foi após dez anos, quando Oséias recorre a Sô (Egito) para se livrar do jugo Assírio (2Rs 17.4). O grande exército Assírio parte para Israel e, desta vez, a última esperança é suprimida. A grande massa da população foi levada para a Assíria e as cidades de Israel foram povoadas por estrangeiros, vindos das regiões Eufrates e Tigre. Alguns poucos israelitas que ficaram ali se casaram com mulheres estrangeiras, o que fez surgir o povo samaritano.

A região começou a ser atacada por leões, e isto foi atribuído a “ira divina”, por não estarem adorando ao Deus verdadeiro. Por esse motivo, foi providenciada a ida de sacerdotes para a região, a fim de ensinar-lhes a adorar o Deus Yahweh. Mas eles tanto temiam a Yahweh quanto adoravam os seus próprios deuses. Este foi o principal motivo para a “rixa” entre os judeus e os samaritanos (2Rs 17.24-40).


CATIVEIRO BABILÔNICO


Ocorreu especificamente no Reino do Sul (Judá). Os reis de Judá foram melhores que muitos reis em Israel, porém, alguns também foram perversos e outros, não obstante possuírem boas qualidades, cometeram faltas graves.

O estado moral, social e espiritual de Judá era melhor do que o de Israel. O rei Asa fortificou as cidades e esforçou-se contra a idolatria (2Cr 14-16). Josafá expandiu o conhecimento da Lei do Senhor por todo o reino (2Cr 17.7-9). Uzias foi um rei preocupado com a agricultura, com o comércio e com a tecnologia da época, entre outras coisas (2Cr 26.1-15).

Nesse período, Egito, Moabe, Amon e Edom, inimigos externos, eram séria ameaças a Judá, mas as guerras se tornaram mais tensas entre os próprios irmãos (Israel x Judá).

As alianças, mesmo entre Israel e Judá, eram vistas com reservas, devido ao estado calamitoso de espiritualidade em que se encontravam. Por fazer alianças com nações estrangeiras, Judá pagou um preço muito caro. Seus tesouros foram saqueados e tiveram de pagar pesados tributos. O rei Josias morreu numa batalha contra Faraó Neco (2Cr 35.20-24), Jeocaz foi levado cativo para o Egito (2Cr 36.1-4), Jeoaquim pagou tributo para o Egito por quarenta anos e, com a derrota do rei egípcio em Carquêmis, tornou-se súdito de Nabucodonosor, rei babilônico da época (2Cr 36.5-7). Depois deste fato, cada vez que um rei em Judá se rebelava, o exército babilônico subia contra os judeus e saqueava a cidade, até que por fim, o general Neburazadã destruiu a cidade, incendiou o templo e levou os vasos sagrados para a Babilônia, ficando apenas os mais pobres da população em Judá para cultivar a terra (2Cr 36.17-20).

O cativeiro babilônico durou cerca de setenta anos (Jr 2511) e para Babilônia foram levadas apenas às pessoas mais nobres de Judá. No cativeiro, os judeus foram distinguidos pela sua religiosidade e formaram um povo à parte. Com o passar do tempo, se reuniram idólatras, pois foi por esse motivo que tinham sido levados cativos. Os judeu tornaram-se representantes de Yahweh ao demonstrar aos babilônios sua crença em um Deus superior aos deuses reverenciados pelos caldeus.

Na Babilônia, a atividade literária foi intensa, cujo objetivo era preservar os antigos relatos. Há evidências de que o livro de Daniel foi escrito nessa época e local.


O RETORNO DE JUDÁ


Ciro, fundador do império persa, foi o grande restaurador da nação judaica e a Bíblia faz menção dele como “ungido”, “pastor” (Is 44.28; 45.1). Com o apogeu do império persa, a nação que até então exercia a supremacia (Babilônia), foi destruída e o domínio governamental na história mundial passou a Pérsia. Diz à história que o exército Persa rendeu os Babilônios, derrotando-os em um dia em que estavam festejando. Estavam embriagados e praticando orgias nas dependências do palácio.

Parece que Ciro tinha hábito de não proibir a adoração aos deuses das nações que estavam sob seu domínio. Nos livros bíblicos de Esdras, Neemias e Ester acham-se registradas a história pós-exílica de Judá.


ESDRAS


Foi um dos cativos na Babilônia e, provavelmente, ali nasceu. Era hábil escriba, ou seja, instrutor da Lei, e era descendente de Arão por intermédio do sumo sacerdote Hilquias. Sua preocupação com o povo judeu era estritamente religiosa. Por conhecer profundamente a Lei de Deus, procurou levar o povo ao arrependimento por meio da palavra. Quando Esdras foi a Judá, já havia ali judeus que tinham voltado muito tempo antes. Zorobabel foi o primeiro a retornar a Jerusalém após o edito de Ciro. Esdras aparece no cenário da história em 457 a.C. No período em que Esdras estava ativamente exercendo seu ofício de escriba em Judá. O restabelecimento do culto e do templo teve extrema importância para a restauração da nação judaica. Nessa época, a terra de Samaria (Israel) estava povoada de estrangeiros que adoravam deuses estranhos, e não havia, por parte deles, qualquer preocupação em restabelecer o culto verdadeiro que outrora conheciam e praticavam. Em contrapartida, essa preocupação, em Judá, era evidente, e o culto a Yahweh foi sendo largamente restabelecido.


NEEMIAS


Enquanto a preocupação de Esdras era com a reedificação do templo, a de Neemias era com os muros e a cidade, que estavam em estados calamitosos, com suas portas destruídas e muros derrubados. Neemias era copeiro do rei Artaxerxes, em Susã, e este cargo era elevado e honroso na corte. Se tivesse índole egoísta não teria motivos para se preocupar com os judeus e a cidade de Jerusalém, pois vivia regaladamente na corte do rei. Antes, era um homem profundamente preocupado com a triste situação de seus irmãos e de sua cidade. Tobias e Sambalate (rivais de Judá em Samaria) se esforçaram para impedir a construção dos muros, porém, não alcançaram resultados satisfatórios. Enfim, em 52 dias o muro estava reconstruído e o estado caótico em que tinha estado Jerusalém começa a se converter para uma profunda mudança positiva.


O PERÍODO INTERBÍBLICO


O IMPÉRIO PÉRSA


Este período abrangeu os anos 430 – 331 a.C. Ao finalizar o Antigo testamento (400 a.C.), a Pérsia havia anexado a Judéia em seu domínio, tornando-a sua província. Os judeus não tiveram problemas com o domínio pérsico por ser este um governo brando e alheio aos interesses de Judá. A conquista da Babilônia deu-se com Ciro no ano 536 a.C, e este fez da Pérsia uma potencia mundial. Quando a obra do templo em Judá foi suspensa por ordem do rei, alguns estudiosos julgam tratar-se de Cambises (530-486 a.C.), identificado também como Artaxerxes (Ed 4.7,11,23).

A retomada da construção do templo foi ordenada por Dario (522-486 a.C.). Foi nesse tempo que Ester tornou-se esposa de Xerxes (Assuero; 486-465 a.C.). O rei que autorizou o retorno de Neemias a Jerusalém foi provavelmente Artaxerxes I (Longinamus; 464-426 a.C.). Este exerceu domínio quando o cânon do Antigo testamento estava para ser encerrado. Os reis persas do período conhecido como “silêncio profético” foram Xerxes II (Sogdiano; 423 a.C.), Dario II (Notus; 404 a.C.), Artaxerxes II (Mnemon; 359 a.C.), Artaxerxes III (Ocus; 338 a.C.), Arses (35 a.C.) e Dario III (Condomano; 336 a.C.), que foi derrotado por Alexandre, o Grande, em 331 a.C. Com a queda do império Persa, o império Grego entra em eminência.


PERÍODO GREGO


O período correspondente a este império vai do ano 331 ao 167 a.C. em 336 a.C, Alexandre Magno, com apenas vinte anos de idade, assume o comando do exército grego e investe contra o Oriente. Alexandre invade a palestina em 332 a.C. e, um ano antes, já havia dominado o mundo inteiro. Implantou a língua e a cultura gregas em muitas cidades sob seu domínio, além de fundar cidades gregas por onde passava.

Com a morte de Alexandre, as nações da Síria e do Egito passaram a ser controladas por dois generais de seu exército: Ptolomeu governou no Egito e Selêuco, na Síria. A Palestina permaneceu sob o controle do Egito por cem anos, até 198 a.C. Antes, estava sob o domínio da Síria.

Quando o Egito dominou a Palestina, não havia qualquer imposição quanto à construção de sinagogas por parte do governo. Nessa época, Alexandria era o centro cultural do mundo e influenciou tanto os judeus que eles, a pedido de Ptolomeu, fizeram a tradução da Bíblia hebraica para a língua grega, versão chamada septuaginta. Os reis do Egito, na época, ficaram conhecidos como “Ptolomeus”.

Antioco Epifânio (Síria) reconquista a Palestina em 198 a.C., voltando o domínio para a Síria, cujos governadores eram conhecidos como “Seleucidas”. Antioco Epifânio tinha profunda aversão aos judeus e fez um esforço gigantesco para exterminá-los e acabar com sua religião. Arruinou a cidade de Jerusalém no ano 168 a.C. e tratou com irreverência o templo judaico, chegando ao ápice de sacrificar uma porca – animal imundo segundo as escrituras hebraicas – em seu altar. As Leis judaicas, como, por exemplo, a circuncisão, foi quase suprimida. Ele proibiu a adoração no templo, destruiu as cópias das Escrituras existentes na época e decretou morte a todos os que as possuíssem. Foi nesse tempo que ocorreu a revolta do Macabeus.


PERÍODO MACABEU


É também conhecido como hasmoniano. Um sacerdote amante de sua pátria, chamado Matatias, demonstrou forte coragem e resolveu enfrentar as atitudes ímpias de Antioco Epifânio. Para tanto, contou com o apoio de alguns fiéis que abraçaram sua intenção. Entre os cinco filhos de Matatias (Judas, Jônatas, Simão, João e Eleazer), a responsabilidade de continuar lutando pelos ideais objetivados por ele depois de sua morte (166 a.C.) recaiu sobre Judas, por ser um guerreiro e estrategista militar. Judas colecionou vitórias, batalhas após batalhas, mesmo estando em grandes desvantagens, se comparando com os exércitos que enfrentou, até reconquistar Jerusalém, em 165 a.C. com seu ímpeto fervoroso, reedificou e purificou o templo. Há, em João 10.22, uma festa chamada “Dedicação”, cuja origem se deu devido a esta atitude de Judas Macabeu.

Com Judas, foi estabelecida a linhagem dos sacerdotes-hasmonianos, que governaram a Judéia por cerca de 100 anos.


PERÍODO ROMANO


Em 63 a.C, a palestina foi submetida ao domínio da Roma, sob ordens de Pompeu. Na ocasião, foi nomeado governador da Judéia um descendente de Esaú (edomita) chamado Antípater. Herodes, filho de Antípater e Mariana, foi sucessor ao governo. Foi justamente este Herodes, o grande, que reinou na Judéia entre 37 a.C e 4 a.C. Jesus nasceu durante o seu reinado.

Este Herodes, inclusive, procurou agradar os judeus ao construir um templo muito pomposo, no entanto, não deixava de ser cruel, pois a matança dos meninos em Belém fora ordenada por ele (Mateus 2.13-23).


RESTAURAÇÃO DE ISRAEL


Com a destruição de Jerusalém, com a invasão babilônica, os judeus foram espalhados pelas nações gentílicas. Mesmo estando em terras estranhas não deixaram seus hábitos religiosos e houve até alguns que preferiram não voltar para Jerusalém. A quantidade de judeus no período interbíblico fora de Jerusalém era maior do que em Jerusalém, sua terra natal.

Os judeus estavam dispersos entre diversas nações gentílicas, entre elas: Babilônia, Assíria, Síria, Fenícia, Ásia Menor, Grécia, Egito, Norte da África e Roma. Mas, mesmo distantes de sua terra natal, freqüentavam as sinagogas, cuja origem remonta ao tempo do cativeiro babilônico, onde, por não terem templo, construíram sinagogas para “substituí-lo”.

Após voltarem para Jerusalém, o costume adquirido no cativeiro de irem a sinagoga era tão forte que construíram várias sinagogas para estudarem a Bíblia e praticarem a adoração. As cópias dos Livros das Escrituras eram lidas nas sinagogas regularmente.

Os fariseus e os saduceus tornaram-se “famosos” em Israel. Acredita-se que os fariseus “aparecem” na história a partir do século II a.C. O significado do vocábulo fariseu, no grego pharisaios, é “separado”, “dividido”. Alguns estudiosos entendem que neste vocábulo está implícita a idéia de que quando os gregos influenciaram a cultura judaica os fariseus tinham a cultura grega como se fosse uma perversão, uma imundície, que poderia extinguir os hábitos e as práticas judaicas.

Os saduceus se tornaram simpatizantes da cultura grega e por ela foram influenciados. Eram poucos, porém, influentes, principalmente na sinagoga. Na época, os saduceus eram considerados a elite da sociedade, cuja maioria era formada por homens ricos. Não eram religiosos, como os fariseus.

Os copiadores da Lei chamavam-se escriba. Surgiram praticamente na época do exílio. Foram se organizando em classe, tanto que, com o tempo, ser escriba era ter uma profissão. Exerceram grande influencia no meio dos judeus e eram chamados de doutores da Lei. Ao final da vida de Jesus, fariseus, saduceus e escribas se uniram para o sentenciar à morte.


CONCLUSÃO


Podemos observar, pela história bíblica, que Deus guardou e protegeu o seu povo (Israel) com o fim exclusivo de nos enviar o Messias, o nosso salvador e Senhor Jesus Cristo. A existência desta nação até hoje só pode ser mesmo um grande milagre de Deus. Os acontecimentos históricos foram culminando paulatinamente para o evento da encarnação de Jesus Cristo e o conhecimento do Deus verdadeiro.

O povo judeu, com sua piedade e história, nos legaram o que de maior importância existe hoje, a Bíblia Sagrada, pois é por ela que podemos evidenciar Deus agindo em todo o tempo na história e preparando o cenário para o seu propósito de salvação em favor de toda a humanidade.


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