terça-feira, 8 de junho de 2010

ÉTICA E RELIGIÃO: UMA PERSPECTIVA CRISTÃ


As religiões têm servido de referencial para nós em questões éticas e tem trazido um grande avanço moral (família, estado e política), Mas nada é perfeito, vem com ela, em muita das vezes, a alienação e o fanatismo de muitos que ajudaram a obscurecer a mensagem ética profunda da liberdade, do amor e da fraternidade universal.

Infelizmente a religião em muitas vezes transformou o amor em pecado carnal, à fraternidade em poder de propriedade, amizades em relacionamentos vantajosos, o progresso econômico em sucesso pessoal, criando muralhas entre o divino e o homem, monopolizando o poder e até mesmo o Deus universal; transformando a fé divina em categoria, revelação, paternidade divina e pecado, com possibilidades do Perdão barganhado.

Sobre este “ethos” (costume social, o modo de comportamento de uma determinada sociedade) religioso que tratarei no presente artigo, tendo por base um panorama geral e uma perspectiva cristã sobre o assunto.


OS IDEAIS ÉTICOS

Para uns, o ideal ético estava na busca teórica ou na prática do bem, para outros estava no viver de acordo com a natureza, em harmonia cósmica. Já no Cristianismo, os ideais éticos se identificaram com os religiosos. Pelo Renascimento e o Iluminismo, ideal ético seria viver de acordo com a própria liberdade pessoal, no social (igualdade, fraternidade e liberdade). No séc.XX, os pensadores da existência insistiram sobre a liberdade como ideal ético.

Os ideais éticos são convenientes a cada época, de acordo com a visão da evolução social, econômica e intelectual do homem, nos tempos de hoje. Em pleno séc.XXI, fala-se de uma ética amoral, onde os valores são limitados a uma minoria burguesa, e os meios de comunicação são responsáveis por uma lavagem cerebral, incutindo ideais elaborados e sistematizados, transformando o indivíduo em massa. E na massificação atual criou-se o estereótipo de mulheres, homens e padrões. Tais comportamentos são criados em série e cidadãos são clonados. A liberdade de consciência deixa de existir, a cidadania ao ser praticada, seria um ato ético e, ao invés disso, os homens se tornaram produto do meio, deixaram de pensar, pois comprar pronto implica estar em voga.


A LIBERDADE

Falar de ética significa liberdade, mas quando falamos de ética nos lembram normas de responsabilidade. Quando agimos, estamos seguindo uma norma, uma conduta que não nos deixa sair dos trilhos, e para isso devemos obedecer, caso contrário estamos infringindo uma lei, lei essa que foi criada para que o homem tenha direitos e deveres para levar esse mesmo homem a ter liberdade, caso haja com responsabilidade. E para uma certa acomodação da consciência humana, foram surgindo formas que trazem aceitação e conformidade às gerações, tais como: “tudo o que acontece, tinha de acontecer”, “estava escrito”. “Deus quis que fosse assim”. Quando a lei do materialismo-capitalismo rege todas os nossos atos e decide por nós, a ética desaparece e, com isso temos uma liberdade falsificada, um falso poder sobre essa liberdade. Para os idealistas a única liberdade a ser falada é aquela em que o homem está acima e livre do aqui e agora, um espírito elevado que não se identifica com o homem real e concreto. Para o filósofo Hegel a chamada liberdade só existe para que o indivíduo se sinta livre, saiba ser realmente livre, num estado organizado que garante a liberdade de todos e de cada um . Para Marx, a natureza é “a dominação do homem pelo homem”. Para Kant, “o homem deve ser sempre tratado como um fim, e nunca como um meio”. E, para finalizar, Kiekegaard afirma que “a angústia é o reflexo psicológico da consciência da liberdade”.


COMPORTAMENTO MORAL: O BEM E O MAL

Tomás de Aquino, diz que a consciência moral é a voz interior que nos diz que devemos fazer, em todas as ocasiões, o bem e evitar o mal. Com o Renascimento e a Idade Moderna, junto com a imprensa e o re-estudo do mundo antigo, a difusão cultural, houve o enriquecimento de uma nova classe (burguesia) desenvolvendo agora uma preocupação com a autonomia moral do indivíduo. Este indivíduo que age de acordo com tal razão natural.

Kant busca descobrir em cada homem, e neste sentido é anti-aristocrata e burguês, uma Natureza livre. Para os gregos isto significava certa harmonia passiva com o cosmo. Para o Medieval, significava uma obediência, um agir de forma mais primitiva, mas no fundo Kant acreditava que a Natureza é uma Natureza racional, ou seja, a Natureza nos fez livres, mas isso não nos diz o que fazer concretamente. Mas Hegel considerou demasiado abstrata a posição Kantiana, pois seu igualitarismo postulado não levava realmente em conta as tradições, os valores, o modo de ver de cada povo, ignorava as instituições históricas concretas não chegando a uma ética de valor histórico.

Na Segunda metade do século passado, a questão do comportamento ético mudou mais uma vez, as atenções se voltaram para a questão do discurso, mas teve outras influências como a crítica ideológica e a crítica da linguagem. Por mais que variem os enfoques filosóficos, algumas noções bastante abstratas são fortes na ética. Uma delas é a questão da distinção entre o bem e o mal. Agir eticamente é agir de acordo com o bem. E quem não age dessa forma, não vive eticamente. Já no séc.XXI os homens estão mais conscientes de que eles não são meros espectadores, e sim atores, que não estão na platéia, e sim no palco, já diziam alguns pensadores. A questão atual é saber se o homem consegue agir individualmente, isto é, agir moralmente. A Natureza Humana é perfeita, mas uma vez assumindo com consciência e responsabilidade consigo e com os outros que nos rodeiam será impossível não infringir a ética e a moral. O equilíbrio interno é a mola propulsora da harmonia, por isso ao avaliarmos uma dada situação, devemos levar em conta que o direito de um termina quando a do outro começa; nossa cultura ocidental é racional e atribuímos toda essa qualidade ao cérebro, à inteligência, não importa onde reside esse atributo, o importante é saber que eles formam a consciência na qual reside nossa capacidade de julgar e decidir, ter consciência é saber discernir com critérios justos e bons.

ALTERNATIVAS ÉTICAS

Cada um de nós tem uma ética. Cada um de nós, por mais influenciado que seja pelo relativismo e pelo pluralismo de nossos dias, tem um sistema de valores interno que consulta (nem sempre, a julgar pela incoerência de nossas decisões) no processo de fazer escolhas. Nem sempre estamos conscientes dos valores que compõem esse sistema, mas eles estão lá, influenciando decisivamente nossas opções.

Os estudiosos do assunto geralmente agrupam as alternativas éticas de acordo com o seu princípio orientador fundamental. As principais são: humanística, naturalista e religiosa.

A ÉTICA HUMANISTICA

As chamadas éticas humanísticas são aquelas que tomam o ser humano como a medida de todas as coisas, seguindo o conhecido axioma do antigo pensador sofista Protágoras (485-410 AC). Ou seja, são aquelas éticas que favorecem escolhas e decisões voltadas para o homem como seu valor maior.


O Hedonismo



Uma forma de ética humanística é o hedonismo. Esse sistema ensina que o certo é aquilo que é agradável. A palavra "hedonismo" vem do grego hdonh, "prazer". Como movimento filosófico, teve sua origem nos ensinos de Epicuro e de seus discípulos, cuja máxima famosa era "comamos e bebamos porque amanhã morreremos". O epicurismo era um sistema de ética que ensinava, em linhas gerais, que para ter uma vida cheia de sentido e significado, cada indivíduo deveria buscar acima de tudo aquilo que lhe desse prazer ou felicidade. Os hedonistas mais radicais chegavam a ponto de dizer que era inútil tentar adivinhar o que dá prazer ao próximo.

Como conseqüência de sua ética, os hedonistas se abstinham da vida política e pública, preferiam ficar solteiros, censurando o casamento e a família como obstáculos ao bem maior, que é o prazer individual. Alguns chegavam a defender o suicídio, visto que a morte natural era dolorosa.

Como movimento filosófico, o hedonismo passou, mas certamente, a sua doutrina central permanece em nossos dias. Somos todos hedonistas por natureza. Freqüentemente somos motivados em nossas decisões pela busca secreta do prazer. A ética natural do homem é o hedonismo. Instintivamente, ele toma decisões e faz escolhas tendo como princípio controlador, buscar aquilo que lhe dará maior prazer e felicidade. O individualismo exacerbado e o materialismo moderno são formas atuais de hedonismo.

Muito embora o cristianismo reconheça a legitimidade da busca do prazer e da felicidade individual, considera a ética hedonista essencialmente egoísta, pois coloca tais coisas como o princípio maior e fundamental da existência humana.

O Utilitarismo

Outro exemplo de ética humanística é o utilitarismo, sistema ético que tem como valor máximo o que considera o bem maior para o maior número de pessoas. Em outras palavras, "o certo é o que for útil". As decisões são julgadas, não em termos das motivações ou princípios morais envolvidos, mas dos resultados que produzem. Se uma escolha produz felicidade para as pessoas, então é correta. Os principais proponentes da ética utilitarista foram os filósofos ingleses Jeremy Bentham e John Stuart Mill.

A ética utilitarista pode parecer estar alinhada com o ensino cristão de buscarmos o bem das pessoas. Ela chega até a ensinar que cada indivíduo deve sacrificar seu prazer pelo da coletividade (ao contrário do hedonismo). Entretanto, é perigosamente relativista: quem vai determinar o que é o bem da maioria? Os nazistas dizimaram milhões de judeus em nome do bem da humanidade. Antes deles, já era popular o adágio "o fim justifica os meios" de Maquiavel. O perigo do utilitarismo é que ele transforma a ética simplesmente num pragmatismo frio e impessoal “decisões certas são aquelas que produzem soluções, resultados e números”.

Pessoas influenciadas pelo utilitarismo escolherão soluções simplesmente porque elas funcionam, sem indagar se são corretas ou não. Utilitaristas enfatizam o método em detrimento do conteúdo. Eles querem saber “como” e não “por quê?”.

Talvez um bom exemplo moderno foi o escândalo sexual do Presidente Bill Clinton e a estagiária Mônica Lewinski. Numa sociedade bastante marcada pelo utilitarismo, como é a americana, é compreensível que as pessoas tenham se dividido quanto a um impeachment do presidente Clinton na época, visto que sua administração estava produzindo excelentes resultados financeiros para o país.

O Existencialismo

Ainda podemos mencionar o existencialismo, como exemplo de ética humanística. Defendido em diferentes formas por pensadores como Kierkegaard, Jaspers, Heiddeger, Sartre e Simone de Beauvoir, o existencialismo é basicamente pessimista. Existencialistas são céticos quanto a um futuro róseo ou bom para a humanidade; são também relativistas, acreditando que o certo e o errado são relativos à perspectiva do indivíduo e que não existem valores morais ou espirituais absolutos. Para eles, o certo é ter uma experiência, é agir — o errado é vegetar, ficar inerte.

Sartre, um dos mais famosos existencialistas, disse: "O mundo é absurdo e ridículo. Tentamos nos autenticar por um ato da vontade em qualquer direção". Pessoas influenciadas pelo existencialismo tentarão viver a vida com toda intensidade, e tomarão decisões que levem a esse desiderato. Aldous Huxley, por exemplo, defendeu o uso de drogas, já que as mesmas produziam experiências acima da percepção normal. Da mesma forma, pode-se defender o homossexualismo e o adultério.

O existencialismo é o sistema ético dominante em nossa sociedade moderna. Sua influencia percebe-se em todo lugar. A sociedade atual tende a validar eticamente atitudes tomadas com base na experiência individual. Por exemplo, um homem que não é feliz em seu casamento e tem um romance com outra mulher com quem se sente bem, geralmente recebe a compreensão e a tolerância da sociedade.

A ÉTICA NATURALISTA

Esse nome é geralmente dado ao sistema ético que toma como base o processo e as leis da natureza. O certo é o natural — a natureza nos dá o padrão a ser seguido. A natureza, numa primeira observação, ensina que somente os mais aptos sobrevivem e que os fracos, doentes, velhos e debilitados tendem a cair e a desaparecer à medida que a natureza evolui. Logo, tudo que contribuir para a seleção do mais forte e a sobrevivência do mais apto, é certo e bom; e tudo o que dificultar é errado e mau.

Por incrível que possa parecer, essa ética teve defensores como Trasímaco (sofista, contemporâneo de Sócrates), Maquiavel, e o Marquês de Sade. Modernamente, Nietzsche e alguns deterministas biológicos, como Herbert Spencer e Julian Huxley.

A ética naturalista tem alguns pressupostos acerca do homem e da natureza baseados na teoria da evolução: (1) a natureza e o homem são produtos da evolução; (2) a seleção natural é boa e certa. Nietzsche considerava como virtudes reais a severidade, o egoísmo e a agressividade; vícios seriam o amor, a humildade e a piedade.

Pode-se perceber a influência da ética naturalista claramente na sociedade moderna. A tendência de legitimar a eliminação dos menos aptos se observa nas tentativas de legalizar o aborto e a eutanásia em quaisquer circunstâncias. Os nazistas eliminaram doentes mentais e esterilizaram os “inaptos” biologicamente. Sade defendia a exploração dos mais fracos (mulheres, em especial). Nazistas defenderam o conceito da raça branca germânica como uma raça dominadora, justificando assim a eliminação dos judeus e de outros grupos. Ainda hoje encontramos pichações feitas por neonazistas nos muros de São Paulo contra negros, nordestinos e pobres. Conscientemente ou não, pessoas assim seguem a ética naturalista da sobrevivência dos mais aptos e da destruição dos mais fracos, segundo eles.

Os cristãos entendem que uma ética baseada na natureza jamais poderá ser legítima, visto que a natureza e o homem se encontram hoje radicalmente desvirtuados como resultado do afastamento da humanidade do seu Criador. A natureza como a temos hoje se afasta do estado original em que foi criada. Não pode servir como um sistema de valores para a conduta dos homens.

A ÉTICA RELIGIOSA

São aqueles sistemas de valores que procuram na divindade (Deus ou deuses) o motivo maior de suas ações e decisões. Nesses sistemas existe uma relação inseparável entre ética e religião. O juiz maior das questões éticas é o que a divindade diz sobre o assunto. Evidentemente, o conceito de Deus que cada um desses sistemas mantém, acabará por influenciar decisivamente o código ético e o comportamento a ser seguido.

Éticas Religiosas Não Cristãs

No mundo grego antigo os deuses foram concebidos (especialmente nas obras de Homero) como similares aos homens, com paixões e desejos bem humanos e sem muitos padrões morais (muito embora essa concepção tenha recebido muitas críticas de filósofos importantes da época). Além de dominarem forças da natureza, o que tornava os deuses distintos dos homens é que esses últimos eram mortais. Não é de admirar que a religião grega clássica não impunha demandas e restrições ao comportamento de seus adeptos, a não ser por grupos ascéticos que seguiam severas dietas religiosas buscando a purificação.

O conceito hindu de não matar as vacas vem de uma crença do período védico que associa as mesmas a algumas divindades do hinduísmo, especialmente Krishna. O culto a esse deus tem elementos pastoris e rurais.
O que pensamos acerca de Deus irá certamente influenciar nosso sistema interno de valores bem como o processo decisório que enfrentamos todos os dias. Isso vale também para ateus e agnósticos. O seu sistema de valores já parte do pressuposto de que Deus não existe. E esse pressuposto inevitavelmente irá influenciar suas decisões e seu sistema de valores.

É muito comum na sociedade moderna o conceito de que Deus (ou deuses?) seja uma espécie de divindade benevolente que contempla com paciência e tolerância os afazeres humanos sem muita interferência, a não ser para ajudar os necessitados, especialmente seus protegidos e devotos. Essa concepção de Deus não exige mais do que simplesmente um vago código de ética, geralmente baseado no que cada um acha que é certo ou errado diante desse deus.

Ética Cristã

Á ética cristã é o sistema de valores morais associado ao Cristianismo histórico e que retira dele a sustentação teológica e filosófica de seus preceitos.

Como as demais éticas já mencionadas acima, a ética cristã opera a partir de diversos pressupostos e conceitos que acredita estar revelados nas Escrituras Sagradas por um único Deus. São estes:

· A existência de um único Deus verdadeiro, criador dos céus e da terra. A ética cristã parte do conceito de que o Deus que se revela nas Escrituras Sagradas é o único Deus verdadeiro e que, sendo o criador do mundo e da humanidade, deve ser reconhecido e crido como tal e a sua vontade respeitada e obedecida.

· A humanidade está num estado decaído, diferente daquele em que foi criado. A ética cristã leva em conta, na sistematização e sintetização dos deveres morais e práticos das pessoas, que as mesmas são incapazes por si próprias de reconhecer a vontade de Deus e muito menos de obedecê-lo. Isso se deve ao fato de que a humanidade vive hoje em estado de afastamento de Deus, provocado inicialmente pela desobediência do primeiro casal. A ética cristã não tem ilusões utópicas acerca da “bondade inerente” de cada pessoa ou da intuição moral positiva de cada uma para decidir por si próprio o que é certo e o que é errado. Cegada pelo pecado, a humanidade caminha sem rumo moral, cada um fazendo o que bem parece aos seus olhos. As normas propostas pela ética cristã pressupõem a regeneração espiritual do homem e a assistência do Espírito Santo, para que o mesmo venha a conduzir-se eticamente diante do Criador.

· O homem não é moralmente neutro, mas inclinado a tomar decisões contrárias a Deus, ao próximo. Esse pressuposto é uma implicação inevitável do anterior. As pessoas, no estado natural em que se encontram (em contraste ao estado de regeneração) são movidas intuitivamente, acima de tudo, pela cobiça e pelo egoísmo, seguindo muito naturalmente (e inconscientemente) sistemas de valores descritos acima como humanisticos ou naturalistas. Por si sós, as pessoas são incapazes de seguir até mesmo os padrões que escolhem para si, violando diariamente os próprios princípios de conduta que consideram corretos.

· Deus revelou-se à humanidade. Essa pressuposição é fundamental para a ética cristã, pois é dessa revelação que ela tira seus conceitos acerca do mundo, da humanidade e especialmente do que é certo e do que é errado. A ética cristã reconhece que Deus se revela como Criador através da sua imagem em nós. Cada pessoa traz como criatura de Deus, resquícios dessa imagem, agora deformada pelo egoísmo e desejos de autonomia e independência de Deus. A consciência das pessoas, embora freqüentemente ignorada e suprimida, reflete por vezes lampejos dos valores divinos. Deus também se revela através das coisas criadas. O mundo que nos cerca é um testemunho vivo da divindade, poder e sabedoria de Deus, muito mais do que o resultado de milhões de anos de evolução cega. Entretanto é através de sua revelação especial nas Escrituras que Deus nos faz saber acerca de si próprio, de nós mesmos (pois é o Criador), do mundo que nos cerca, dos seus planos a nosso respeito e da maneira como deveríamos nos portar no mundo que criou.

Assim, muito embora a ética cristã se utilize do bom senso comum às pessoas, depende primariamente das Escrituras na elaboração dos padrões morais e espirituais que devem reger nossa conduta neste mundo. Ela considera que a Bíblia traz todo o conhecimento de que precisamos para servir a Deus de forma agradável e para vivermos alegres e satisfeitos no mundo presente. Mesmo não sendo uma revelação exaustiva de Deus e do reino celestial, a Escritura, entretanto, é suficiente naquilo que nos informa a esse respeito. Evidentemente não encontraremos nas Escrituras indicações diretas sobre problemas tipicamente modernos como a eutanásia, a AIDS, clonagem de seres humanos ou questões relacionadas com a bioética. Entretanto, ali encontraremos os princípios teóricos que regem diferentes áreas da vida humana. É na interação com esses princípios e com os problemas de cada geração, que a ética cristã atualiza-se e contextualiza-se, sem jamais abandonar os valores permanentes e transcendentes revelados nas Escrituras.

É precisamente por basear-se na revelação que o Criador deu que a ética cristã estende-se a todas as dimensões da realidade. Ela pronuncia-se sobre questões individuais, religiosas, sociais, políticas, ecológicas e econômicas. Desde que Deus exerça sua autoridade sobre todas as dimensões da existência humana, suas demandas nos alcançam onde nos acharmos – inclusive e principalmente no ambiente de trabalho, onde exercemos o mandato divino de explorarmos o mundo criado e ganharmos o nosso pão.

Segundo a ética cristã, é nas Escrituras Sagradas, que encontramos o padrão moral revelado por Deus. Os Dez Mandamentos e o Sermão do Monte proferido por Jesus são os exemplos mais conhecidos. Entretanto, mais do que simplesmente um livro de regras morais, as Escrituras são para os cristãos a revelação do que Deus fez para que o homem pudesse vir a conhecê-lo, amá-lo e alegremente obedecê-lo. A mensagem das Escrituras é fundamentalmente de reconciliação com Deus mediante Jesus Cristo. A ética cristã fundamenta-se na obra realizada de Cristo e é uma expressão de gratidão, muito mais do que um esforço para merecer as benesses divinas.

A ética cristã, em resumo, é o conjunto de valores morais total e unicamente baseado nas Escrituras Sagradas, pelo qual o homem deve regular sua conduta neste mundo, diante de Deus, do próximo e de si mesmo. Não é um conjunto de regras pelas quais os homens poderão chegar a Deus – mas é a norma de conduta pela qual poderá agradar a Deus que já o redimiu. Por ser baseada na revelação divina, acredita em valores morais absolutos, que são à vontade de Deus para todos os homens, de todas as culturas e em todas as épocas.


UMA ÉTICA UNIVERSAL


Em 1948 na ONU, foi institucionalizado oficialmente uma espécie de código ético-universal, conhecido como: Declaração Universal dos Direitos Humanos. Onde ficou estabelecido uma ética que respeitasse a liberdade de pensamentos, de religião, crença e etc., independente da cultura ou religião do povo ou nação. A partir deste, todos os sistemas éticos no mundo devem se pautar, pois, ficou estabelecido o respeito, a paz e a harmonia entre os povos como a principal e mais importante questão da ética.




REFERÊNCIAS




DAMIÃO, Valdemir. História das religiões. Rio de janeiro: Editora CPAD.




LEITE, Tácito da Gama. História das religiões. Rio de Janeiro: Editora Juerp, volume II.; 1965.




WILGES, Irineu. As religiões no mundo. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 4ª Edição, 1983.




BROWKER, John. Para entender as religiões. São Paulo: Editora Ática.




CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia. São Paulo: Hagnus, 2007.




MARIANO, Leonardo. Educação Religiosa Vols: I e II. Coleção Docência Cristã (e - book): 2009.




OLIVEIRA, Lílian Blanck; JUNQUEIRA, Sérgio Azevedo; ALVES, Luiz Alberto Souza; KEIM, Ernesto Jacob. Ensino Religioso no Ensino Fundamental. Ed. Cortez.




BARROS, Sandra dos Reis. Ensino Religioso na Formação do Cidadão. Associação de Educação Católica de São Paulo.




MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia. Ed. JZE.




BROWN, Colin. Filosofia e fé cristã. Ed. Vida Nova.

7 comentários:

  1. Bom dia professor,voce está de parabéns por este blog, que mostra a religiosidade dentro do sentido e raíz de cada cultura. espero que seje o mas acessado pois é bastante explicativo.

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  2. Vc está convidado a ler matéria em meu blog sobre como deve ser uma pessoa ideal, conforme Aristóteles e Nietzsche formularam. Como é o ser humano atual comparado com a formulação de cada um dos filósofos? Vc se encaixa nas formulações? Ler em: www.valdecyalves.blogspot.com

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  3. Professor Sanio Fernandes9 de junho de 2010 18:53

    Olá Leonardo! parabéns pelo texto sobre a ética na religião... como vc sabe, sou membro da Academia Brasileria Teológica de Letras (ABTL), estou te convidando para assistir uma de nossas palestras nos dias: 25/06/10; 23/07/10; 27/08/10; 24/09/10; 22/10/10; 26/11/10. sempre às sextas-feiras de 16:00h às 17:30h. outrossim, o convite é extensivo para uma eventual palestra dada por você em um destes dias e horários, onde após a palestra, o palestrante é agraciado com uma moção de agradecimento conferido pelo presidente da ABTL.
    endereço da ABTL. Rua teixeira de freitas nº 05, 3º andar. passeio - centro.
    eu encontro-me lá sempe nestes dias e horários. vamos manter contato.... fica com Deus!

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  4. parabéns laonardo seu blog e um sucesso wanderson teixeira o pastor

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  5. Bom dia professor, parabéns pelo texto,achei muito interessante e bem explicativo para quem não é pesquisador(a) na área.
    Gostaria de saber por que existem religiões que divulgam as falhas das outras, além do trabalho dos meios de comunicação existentes na sociedade???

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  6. meus parabens to iniciando agora;; um ensino superio de em bacharel em teologia;;gostei do seu trabalho.to pesquizando varias area de filosofia cristã mais seu trabalho e bom deus continua te abencoando para conheçer mais e mais, nosso brasil tem que conheçer pessoas assim cm vc para mudar muitos pensamentos enguinorantes porai que tem em nosso estado e pais.. eu sou do espirito santos um abraço;;deus abençoa amem,,,

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    1. sou assembleiano mais deus ten me dados varias area para pesquiza sobre varios assunto tudo de bom e mais um pouco dependendo do conteundo;;ser presta;;meu nome clenilson dos santos vitoria do espirito santo:diacono da assembleia de deus;na humildade.sempre deus louvado pela nossa sinseridades obrigado pelo seu cometario.....amem;;;

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