quinta-feira, 3 de junho de 2010

O SUPER HOMEM DE NIETZSCHE

BIOGRAFIA


Nasceu em Rocken, na Prússia. Foi estudante brilhante em Leipzig. Tornou-se professor da Universidade de Basiléia, na Suíça. Porém, sua saúde periclitante forçou-o a abandonar o ensino. Vagava entre a Itália e a Suíça. Vivendo solitário. Perdeu os sentidos em uma das ruas de Turim; e faleceu em 1900, após onze anos de insanidade. Mui curiosamente, foi apelidado de “Profeta de uma religião não-religiosa e de uma filosofia não-filosófica”.

Nietzshe era o filósofo que mais enfatizou a vontade para exercer poder. Embora criado como um luterano tradicional (filho de pastor), ele foi longe de suas bases e perpetuou um sistema sem valores metafísicos. Ele inventou o super-homem, o ponto mais alto de seu sistema ateísta. A força deve triunfar sobre toda fraqueza, humildade e misericórdia. A ética para ele era simplesmente um estudo como o super-homem pode melhor exercer seus poderes loucos. Auto-afirmação toma o lugar de amor pelos outros. O cristianismo, estupidamente, glorifica as qualidades dos fracos, como humildade, sacrifício pelos outros, e pobreza, literal e metafórica. O homem ideal é aquele que domina os outros, é arrogante e orgulhoso e que procura com todas as suas forças a dominância. Todos os sistemas políticos, como socialismo, comunismo e democracia, que enfatizam os direitos e bem-estar das massas, são inúteis. O princípio da igualdade é a maior mentira de todas.

PENSAMENTO FILOSÓFICO

Ele rebelava-se contra todas as pretensões filosóficas e teológicas de se chegar à verdade. Por esse motivo, grande parte de seus escritos veio a ser uma série de ataques e negações de idéias, em vez de uma tentativa de chegar à verdade.

Ele afirmava que o indivíduo não deve aceitar passivamente idéias e situações que vêm ao seu encontro; antes deve forçar sua vontade contra elas, de modo a conseguir modificações em consonância com os seus desejos.

Revoltava-se contra o cristianismo por causa da ênfase deste sobre virtudes suaves, como a misericórdia, o amor, etc., no entanto, ele também era revoltado contra o nacionalismo, o comercialismo, a democracia, o espírito científico e os ideais do século XIX em geral.

Influenciado por Schopenhauer, ele desenvolveu a doutrina do poder da vontade, mediante o qual o indivíduo nutre uma revolta apropriada e consegue impor as mudanças necessárias.

Ele argumentava a favor do imoralismo, que levaria o homem a endurecer seu animo a viver perigosamente, a tentar o impossível, a adotar uma moralidade-dominante, a do super-homem que faz o que quer, impondo sua vontade aos seus semelhantes. O homem haverá de ser ultrapassado pelo super-homem.

Ele opunha-se à metafísica, embora tenha promovido traços da mesma em sua doutrina de recorrência eterna, que teria até mesmo ciclos intermináveis de reencarnação. Schopenhauer dissera algo similar, fazendo a existência inteira parecer pessimista, sem qualquer propósito bom ou razoável. Nietzshe admitiu sua própria incoerência ao adotar essas idéias metafísicas, ao mesmo tempo em que dizia que elas demonstram que, verdadeiramente, há um conflito em todas as coisas, incluindo em seu próprio sistema filosófico. Os mestres estóicos haviam falado sobre grandes ciclos que, inevitavelmente, trazem de volta tudo quanto já existiu.

Seu livro Beyond Good and Evil, declara as suas idéias essenciais sobre questões éticas. Ele reduziu os sistemas morais a dois tipos: aquele que produz uma moralidade e uma mentalidade próprias de escravo; e aquele que produz uma atitude e uma moralidade de senhor. O senhor é aquele que se impõe e faz os outros aceitarem a sua vontade. Os escravos são os que se submetem aos padrões de todas as variedades de sistemas, e não se impõem. As regras desses sistemas alicerçam-se sobre o ressentimento, o desejo pelas recompensas, o temor e o desejo de vingança. No entanto, ambos os sistemas são parciais, requerendo a existência um do outro.

O impulso fundamental do homem é o poder da vontade. Isso é bom, porque faz o potencial humano chegar à plena fruição. Os escravos nunca chegam a lugar nenhum. A moralidade própria de escravo transforma fraquezas em virtudes. Desse modo é morta à inquirição pela excelência, e o homem permanece em sua mediocridade.

A moralidade própria de escravo enfermou a Europa, como enferma qualquer indivíduo. A moralidade de rebanho agrada as massas, mas nenhuma grandeza emerge daí. A excelência perde-se com a democratização. A democracia é um sistema doente; o cristianismo também é um sistema doente, pois ambos promovem uma moralidade de rebanho e o poder dos fracos. Igualmente, o cristianismo faz o sexo tornar-se sujo, e assim deprecia erroneamente os valores do corpo e do único prazer decente do ser humano. Os valores de um mundo fictício são exaltados, ao passo que os valores reais deste mundo são anulados pelo cristianismo.

Deus está morto. Os homens inventaram um Deus ridículo e fictício. Mas, à medida que aumenta o conhecimento do homem, mais ele nota que esse Deus não passa de uma invenção. Os homens investem em seus deuses (ou seu Deus) as suas próprias qualidades humanas. O homem tem uma consciência má, e isso o leva a querer ser punido. O homem chega mesmo a querer ser torturado. E assim, o homem concebe um Deus que anela por torturar aos pecadores. Visto que Deus não existe, e que nosso conceito de Deus está morto, precisamos voltar-nos para outras preocupações, para alternativas cientificas e filosóficas.
A massa filosófica. Nietzshe sentia que fazia bem em usar a sua massa para despedaçar antigos sistemas, para destruir antigas idéias ultrapassadas. Achamo-nos em um estado de transição do mau para melhor. A massa ajuda-nos a libertar-nos do que é ruim.

O super-homem. Substituímos Deus por um super-homem. O super-homem é aquele que mediante seu poder da vontade, atinge a excelência e abandona a estupidez do seu passado. O super-homem é o único homem autentico. Ele é o homem dotado de elevada integridade, sem preconceitos, sem orgulho, espiritual, dotado de grande alma, que tem consideração por seus inferiores, mas que se impacienta quando vê fraquezas transmutadas em virtudes. Apesar de Nietzshe não ter inventado um sistema ou ideal utópico, ele usou o conceito de super-homem como o ideal na direção do qual devemos esforçar-nos.

Os historiadores da filosofia têm observado a evidente influência de Nietzshe nos últimos séculos. Na segunda metade do século XX, ficou demonstrado claramente que seu sistema filosofico -  baseado na teoria da evolução das espécies do naturalisa inglês Charles Darwin, principalmente na questão da sobrevivência dos mais (animais) aptos - conhecido como "super-homem", acabou influênciando o Furer Adolf Hitler, que pareceu incorporar, em alguns pontos essenciais de sua doutrina politica nazista, o ideal do super-homem, principalmente quando pregou a superioridade da raça ariana sobre as outras, apesar de Nietzsche nunca ter sido a favor de nenhum sistema nacionalista.


REFERÊNCIAS


MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia. Ed. JZE.

BROWN, Colin. Filosofia e fé cristã. Ed. Vida Nova.

8 comentários:

  1. É realmente forte o texto e a linha de pensamento que ele segue, pode ser que de certa forma até ofenda algumas pessoas, mesmo porque é mais facil acreditar no que se é imposto. Agora vou levar esse trecho comigo: "aquele que produz uma moralidade e uma mentalidade próprias de escravo; e aquele que produz uma atitude e uma moralidade de senhor. O senhor é aquele que se impõe e faz os outros aceitarem a sua vontade. Os escravos são os que se submetem aos padrões de todas as variedades de sistemas, e não se impõem."
    MUITO BOM!

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  2. olá leonardo!achei o seu blog interessante e votei nele. quanto a Nietzsch, sou contra o exagero niilista e cetista nietzschiano. mas, há bastante coerencia em sua filosofia, a começar pelo sistema do cristiansimo como dominio das massas. pois, sou a favor que o homem deva confrontar os seus contrários. é realmente estúpido, uma reunião entre lideranças "religiosas" e depois sairem com a maior ilusão de que tudo está resolvido e com a sensação idiota de que a verdade foi colocada em pautas. tudo foi aceito passivelmente as ordens de um lider chamado "nada". vou continuar acessando o teu blog. um abraço....

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  3. Professora Fernanda Bahia4 de junho de 2010 08:52

    "Deus está morto..., à medida que aumenta o conhecimento do homem, mais ele nota que esse Deus não passa de uma invenção."

    Aparentemente parece forte essa afirmação de Nietzsch, mas há coerência em seu pensamento. Pois é exatamente isso que está acontecendo. Quanto maior é o nosso conhecimento maior é o nosso despreendimento em relação à Deus.

    Antigamente era muito comum dependermos do nosso Deus para tudo, e com isso o mantínhamos participante do nosso dia a dia.

    Poucas pessoas hoje em dia recorrem a orações, para se livrarem de uma dor de cabeça, coisa que era muito comum no passado.

    Mas para que recorrer a Deus se sabemos que para curar uma simples dor de cabeça basta tomarmos um analgésico.

    É claro que as pessoas procuram a Deus para muitas outras coisas, como quando precisam curar um câncer, mas é claro que sabemos que a medicina ainda não encontrou a cura para isso. E quando ela for encontrada, que papel Deus desempenhará?

    Quando se queria uma resposta o homem procurava Deus, mas o grande oráculo agora chama-se Google.

    Quando precisava-se de consolo e conselhos buscávamos nos braços Dele, mas agora temos a psicologia com a terapia.

    E por aí vai...

    Será que isso não é uma evidência de que o Deus pregado pelas religiões está morrendo? Será que Nietzsch não estava com razão ao afirmar que Deus Morreu?

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  4. Bem, quando falamos sobre Nietzsche, devemos levar em consideração as bases do seu pensamento (arcaico, pré-socrático e cristianismo), onde ele mesmo se denominou uma "dinamite". E esta "dinamite" estava prestes a explodir como de fato aconteceu.

    Seu pensamento, vai na contra-mão do modelo de pensamento que ele denominou Socrático-platônico influênciando todo o mundo ocidental. Segundo ele, este modelo de pensamento matou uma coisa chamada "devir", encontrada em todo pensamanto arcaico e pré-socrático, pois acabou com a pluralidade de pensamentos e estabeleceu um modelo único. Para Nietzsche, os verdadeiros filósofos eram os pré-socráticos, pois neles, estavam a essência da verdadeira filosofia.

    A sua base cristã de familia de pastores protestantes, foi o que acabou o tornando possivelmente avesso ao cristianismo, pois cada vez mais tornava-se claro, o quanto o Deus cristão era distante do Deus do cristianismo, ou seja, o Deus pregado pelo cristianismo é completamente diferente do Deus cristão encontrado na Bíblia. Neste sentido, podemos também dizer que o próprio cristianismo tem matado Deus, pois o Deus revelado nas Escrituras é um Deus diferente das igrejas.

    É claro que isso não foi o único motivo para que Nietzsche tivese sido tão veemente contra o cristianismo, mas isso é assunto para outras postagens.

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  5. É imporante salientar que para o crente em Deus, ele nunca morrerá, nem muito menos será substituido por nenhum método científico, pelo contrário, para o crente, a evolução da ciência é a evidência necessária que Deus se utiliza da capacidade do homem de criar mecanismos para uma vida cada vez mais plena e feliz.

    Os milagres de cura e libertação, sempre aconteceram para o crente, independente do progresso da ciência, pois isso não é somente uma questão de religiosidade, é também uma questão de fé.

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  6. Realmente tenho que concordar que tudo está baseado na fé,e somente ela faz com aconteçam as conquistas das pessoas.Mas convenhamos que isso não tem nada a ver com religiosidade, sendo cristão, católico, cardecista ou de qualquer outra religião, a fé nada mas é que a força do pensamento positivo, e pensamento positivo atrai o mesmo.
    Acredito que o homem precisa apenas de algo ou alguem para basear suas conquistas, pois é muito fácil você dizer que conseguiu algo sozinho, mas é dificil assumir o fracasso e ai nós dizemos aquela famosa frase:
    - Deus não permitiu porque não era a hora!
    Pronto, fácil não?

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  7. Gostaria de deixar postado para todos que estou muito satisfeito com o blog e indico o mesmo para todos que gostem de opinar e discutir sobre novas ideias e formas de pensar.
    Agradeço pela iniciativa do professor Leonardo de criar um ambiente onde as pessoas possam ter total liberdade de se expressar e discutir novas ideias.
    PARABENS!!!

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  8. Embora tenha escrito o nome do filosofo varias vezes errado. O texto esta excelente!

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